Papa atualiza os ideais da Revolução Francesa

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27 Março 2011

Notre Dame, noite de sexta-feira. Termina aqui, entre as formas medievais da catedral, o Átrio dos Gentios de Paris. Depois de uma jornada repleta de ideias, imagens, luzes e convites, o diálogo entre crentes e não crentes foi confiado aos irmãos de Taizé. O canto, mas principalmente o silêncio e a meditação, escrevem o fim de um exame muito denso.

A reportagem é de Armando Torno, publicada no jornal Corriere della Sera, 26-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nele, fato excepcional, houve também uma intervenção, pouco depois das 21h, do Papa Bento XVI, projetado no telão diante do solene edifício. As palavras do Papa estavam dirigidas a todos, também àqueles que não têm fé. O Pontífice apareceu em vídeo no "coração da cidades das Luzes", onde dois séculos e alguns anos atrás os revolucionários içaram ao altar a estátua da deusa Razão.

Depois de ter destacado a importância desse diálogo que se reconecta à tradição do Templo de Jerusalém, Bento XVI proferiu palavras corajosas e fortes. "Se se trata de edificar – disse o Pontífice – um mundo de liberdade, igualdade e fraternidade, crentes e não crentes devem se sentir livres para sê-lo, iguais nos seus direitos de viver a sua vida pessoal e comunitária fiéis às suas convicções, e devem ser irmãos entre si".

Não foi um desafio ao Iluminismo, mas sim uma versão revista e corrigida dos princípios da Revolução Francesa, realizada em nome do diálogo que, em Paris, com o Átrio, se transformou em duas jornadas densas de ideias e de imagens. Depois de ter lembrado a célebre passagem evangélica "a verdade vos libertará", o Papa também sublinhou que "as religiões não podem ter medo de uma justa laicidade" que permita que homens e mulheres vivam em conformidade à sua consciência. Palavras pesadas?

Em frente à Notre Dame, elas se tornaram, principalmente porque foram dirigidas a "caros jovens", a "caros amigos", ou, melhor, foram a premissa para pedir uma oração a todos: alguns podiam dirigi-la ao Deus conhecido da fé, os outros ao Dieu Inconnu. E depois desse convite, Bento XVI acrescentou outros, indicando um encontro em Madri para as Jornadas Mundiais da Juventude e repetindo a frase que cadenciou muitos apelos de João Paulo II: "Não tenham medo!", por exemplo "medo do estrangeiro, daquele que não se assemelha a vocês".

Também deve ser lembrando que essas aberturas do Papa coroaram uma jornada com um programa muito denso. De manhã, na Sorbonne, Julia Kristeva, dentre outros, soube tocar alguns pontos nevrálgicos da filosofia. Houve também um momento de forte emoção quando, em uma intervenção posterior, uma leitura de Pascal provocou um aplauso. À tarde, no Institut de France, sede dos Imortais, François Terré notou que, se buscamos a "subversão", podemos encontrá-lo no Sermão da Montanha.

E mais: Ivano Dionigi, reitor do ateneu de Bolonha, ao qual foi confiada a conclusão, proferiu palavras a serem meditadas: "A política precede a economia e a administração: mas onde está hoje a política, a única capaz de antepor o bem comum ao business econômico e ao interesse privado?". E por fim: "A complexidade planetária, a diversidade das culturas, as novas fronteiras da pesquisa veem-nos parar à espera diante da porta da lei e pedir ao guardião para entrar. E, se nos entregam, depois de XX séculos, a mesma pergunta que Alcebíades dirigiu a Péricles: `Diga-me, o que é a lei?`".

Depois, às 19h, enquanto ainda estava em curso a mesa redonda nos Bernardins, iniciaram os diálogos, as animações musicais, as projeções de filmes, as danças dedicadas ao Cântico dos Cânticos, as meditações de Fabrice Hadjadj sobre .

Falou-se da existência humana no cosmos, da fragilidade do viver, dos caminhos que levam ao amor e à beleza. Havia poetas como Francis Combe ou Jean-Pierre Lemaire, havia editores como Elisabeth Azoulay, mas não faltou uma surpresa, um convite feito pelo cardeal Ravasi há alguns dias e logo aceito: Enzo Bianchi, prior da comunidade de Bose.

Mas também é verdade que esses diálogos não tinham relatores precisos, porque todos se sentiram envolvidos, realizando o verdadeiro espírito do Átrio dos Gentios que se dirige a todo homem, mesmo que ocorra nos templos do saber e nas instituições. Por fim, as luzes na fachada da catedral, uma criação de Bruno Sellier, entregaram a jornada aos irmãos de Taizé.

O cardeal Ravasi interveio em toda a parte e iniciou esse projeto falando em nome próprio e homenageando silenciosamente Richelieu e Mazzarino. Além disso, o primeiro está sepultado na entrada da Sorbonne, e o segundo – sussurram algumas más línguas – ronda ainda como um fantasma nas austeras salas do Institut de France.

 

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