Medidas para proteger população japonesa da radioatividade são insuficientes

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22 Março 2011

Na terça-feira (22) de manhã, fumaças cinza voltavam a escapar dos reatores 2 e 3 da usina nuclear de Fukushima-Daiichi, onde, na véspera, já haviam sido observadas emissões intempestivas de fumaça e de vapor. Essas emanações obrigaram a operadora Tokyo Power Electric Company (Tepco) a mandar evacuar o local parcialmente, no final da tarde de segunda-feira. As intervenções só puderam ser retomadas pouco antes da meia-noite.

A repoertagem é de Pierre Le Hir e Hervé Morin, publicada pelo jornal Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 23-03-2011.

Será que essas emanações agravarão a situação radioativa no Japão e em outras partes? A Tepco garantiu, na manhã de terça-feira, que as emissões de vapor não devem complicar as operações. A Autoridade de Segurança Nuclear (ASN) francesa afirmou que foi medido um aumento da radioatividade ambiente na entrada do local.

A atenção internacional está voltada para a difusão das partículas radioativas para além do Pacífico. A respeito dos efeitos na França, previstos por simulações para terça (22) ou quarta-feira (23), as autoridades se mostram tranquilas.

O mesmo vale para a Comissão de Pesquisa e de Informação Independentes sobre a Radioatividade (Criirad), associação criada em 1986 para fazer medições do vazamento de Chernobyl, independentes daquelas feitas pelo poder público. Ela considera que “o risco de irradiação pelas massas de ar contaminado será insignificante” e que o consumo de iodo estável “não se justifica”.

A associação, que evita falar em “nuvem”, conclui que a passagem dessas massas de ar sobre a França “não deve gerar preocupação”. A situação é totalmente diferente no Japão, onde ela acredita que os níveis de contaminação do ar e dos alimentos estejam “perigosos”, e onde as medidas de proteção da população lhe parecem insuficientes.

Sem antecipar uma opinião sobre o futuro, “as emissões radioativas são e serão grandes”, confirma André-Claude Lacoste, presidente da ASN. “É esperado que o Japão tenha de administrar essa contaminação durante décadas”.

Estado real dos sistemas

A origem dos últimos vapores não tem explicação, prova de que o estado das instalações nucleares continua extremamente crítico, e de que a evolução da situação permanece muito incerta. Os seis reatores estão agora conectados a uma linha elétrica externa. Para serem alimentados por eletricidade, eles funcionam em pares: a dupla 3-4 foi reconectada na manhã de terça-feira, da mesma forma que as duplas 1-2 e 5-6, nos dias anteriores.

Mas as bombas e os circuitos de resfriamento habituais ainda não voltaram a funcionar. “Primeiramente é preciso verificar o estado dos painéis e dos materiais elétricos, o que pode levar vários dias”, explica Lacoste. As instalações foram inundadas pelo tsunami e depois pelas irrigações maciças, e há o risco de curtos-circuitos.

Além disso, é possível que os sistemas internos de resfriamento tenham sido danificados pelo terremoto ou pelas violentas explosões de hidrogênio que atingiram diversos prédios. “É agora que a operadora descobrirá o estado real desses sistemas”, observa a ASN. “O restabelecimento de conexões elétricas é uma boa notícia, mas está longe de solucionar todos os problemas”.

Ainda mais que, no campo dos reatores, novas questões têm surgido. Os amálgamas de combustíveis que formam o núcleo dos reatores 1, 2 e 3 estão deteriorados, mas em que grau? Há vários dias a Tepco tem afirmado, invariavelmente, que 70% do núcleo do reator 1 está danificado, e 33% no caso do reator 2, o que permite pensar que o estado exato dos combustíveis é desconhecido.

O Instituto de Radioproteção e de Segurança Nuclear francês (IRSN) “questiona a resposta dos medidores em condições de forte irradiação e de salinidade”. Ele teme que a cristalização do sal da água marinha injetada continuamente nos tanques dos reatores possa prejudicar a reativação dos sistemas de resfriamento.

Quanto às piscinas de armazenamento de combustíveis usados, a situação claramente melhorou. Foram efetuadas medições infravermelhas a partir de helicópteros, indicando que a temperatura da água seria “da ordem de 40 graus” nos tanques dos reatores 2 e 4, e “da ordem de 60 graus” nos tanques dos reatores 1 e 3, muito abaixo, portanto, da temperatura de ebulição.  Mas a piscina do reator 3 está danificada e existe a suspeita de vazamentos, de forma que o risco está longe de estar controlado.

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