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25 Fevereiro 2011

Com dificuldades de fechar no papel o anunciado corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União de 2011 , o governo decidiu divulgar o detalhamento da redução das despesas na próxima quarta-feira, no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para tornar pública sua nova posição sobre a taxa de juros.

A reportagem é de Cristiane Jungblut e Geralda Doca e publicada pelo jornal O Globo, 25-02-2011.

Segundo interlocutores do governo, ao detalhar os cortes profundos nos ministérios, a intenção é mostrar ao mercado que o ajuste fiscal é para valer e que a preocupação com o controle da inflação é de todos, não apenas do Banco Central.

[Ontem], o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse que os cortes, em sua pasta, devem ser em custeio, mas admitiu que eles podem, mesmo num percentual bem pequeno, reduzir os investimentos. Lupi manteve a meta de três milhões de empregos para este ano, apesar do corte orçamentário e do crescimento menor da economia.
- No máximo, 10%, 15% disso é corte de investimentos, que já não eram mais prioritários - disse Lupi, ressaltando que a maior parte do corte será no custeio da máquina.

A expectativa é que a demonstração que o corte será real possa tornar não tão necessária uma alta significativa dos juros, como prevê o mercado. Em contrapartida, o governo mostrará que haverá "cortes na carne", segundo integrantes da equipe econômica. Mas ainda é preciso compatibilizar o discurso com o bom comportamento da receita em janeiro, ao contrário das previsões da área técnica.

No plano dos cortes, a equipe permanecia nesta quarta-feira com o dilema de ter que alcançar os R$ 50 bilhões e tentar preservar os investimentos, como determinou a presidente Dilma Rousseff.

Diante do dilema, uma das alternativas em análise é "conter investimentos futuros", ou seja, evitar despesas em torno de obras que ainda nem saíram do papel ou de projetos que não são prioritários nesse momento.

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