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14 Fevereiro 2011

"Quando fevereiro já vai pela metade, em meio a muita chuva, o agronegócio já vai fazendo os calculos dos gordos lucros com a boa safra de soja que começa ser colhida, e a popualção já escolheu um novo prefeito de Dourados (oh céus que dificuldade!), a vida já anda como depois do carnaval. Para os povos indigenas da região restam a esperança e a espectativa de que suas terras sejam identificadas, demarcadas e respeitadas. Mobilizações e visitas importantes estão previstas para este final de mes", escreve Egon Heck. coordenador do CIMI-MS, ao enviar a contribuição que abaixo publicamos.

Eis o artigo.

O ano mal começa e centenas de cartas cortam a linha do equador para atingir seus alvos nas aldeias ou no Palácio do Planalto.

Do Canadá nos vem um exemplo admirável de solidariedade. Na cidade de Quebec decidiram fazer uma campanha de apoio e solidariedade com a Comunidade do Ypo’i, acampada em sua terra tradicional. Ali sofreram  horrores:  fome, isolamento, ameaças...E não puderam ainda iniciar seu grande objetivo de conseguir informações sobre o corpo do professor Rolindo assassinado juntamente com Genivaldo, quando do retorno ao tekohá no final de outubro de 2009. Com incrível perseverança e espírito guerreiro, enfrentaram todas essas adversidades para reconquistar um pedacinho de seu território tradicional. E lá estão eles lutando heroicamente contra todo poderio econômico regional, dos fazendeiros e do agronegócio.

Um dos grandes aliados nesta causa justa e digna foi a solidariedade nacional e internacional.

As centenas de cartas enviadas pelos alunos de escolas secundárias de Quebec, Canadá, expressam apoio à comunidade em sua luta pela terra e seus direitos, na certeza de que alcançarão a vitória e um dia poderão viver em paz em sua terra.

Cartas de solidariedade ao povo Guarani do Ypo’i

"Me chamo Jérémy. Eu me coloco no vosso lugar e compreendo a vossa situação.  Eu espero que as cartas que enviamos façam pressão sobre os governantes,  para que a vossa aldeia seja livre e que tenham direito à saúde, educação, terra e à liberdade. Eu vos amo muito ..."

"Grande confiança. Voces não estão sozinhos "– Jessika

Queridos Kaiowá Guarani. Hoje fui à escola e todos nós pensamos em vocês. Vos enviamos nosso amor, nossa esperança e sejam fortes"  Auclier

Saudações, povo da comunidade  autóctone brasileira,eu vos escrevo para vos dizer que eu creio que vossa causa é justa. Acho horrível essa opressão de todo um povo. Que alcancem vossa direito à terra"  Steven

"Guarani Kaiowá do Ypo’i, sem dúvida vocês ter ser muito corajosos por preservar em  vossa reivindicação o território ancestral. Continuem com esperança , que um dia vos será feito justiça." C. Véroneau

"Fiquem com a esperança, que a justiça vencerá, nesta terra que é sua, seus antepassados estão cuidando de vocês" – Suzanne

"Nós sabemos que vocês vivem momentos difíceis,  mas nós trabalhamos pela vossa libertação.  Boa coragem"

Coiab apoia luta Kaiowá Guarani

Da Amazônia brasileira vem o apoio irrestrito dos guerreiros nativos de lá.  "Parentes, um índio sem a sua terra é como um pássaro sem o céu. Sofremos com a tristeza de seu povo. Ela também é a nossa tristeza. Sonhamos o mesmo sonho que vocês. Sonhamos a nossa Terra Mãe livre das ameaças, da maldição do agronegócio e dos grandes projetos. Essa é a reza que os povos da Amazônia fazem."

Na carta manifestam seu repudio pela morosidade com que o governo federal vem tratando a questão de demarcação das terras Guarani Kaiowá. Ao mesmo tempo  manifestam estranheza com a presteza com que são favorecidos e implantados os grandes projetos agroindústrias como as usinas de etanol.

Kaiowá Guarani e Terena  manifestam seu dramático apelo à presidente Dilma

No final de janeiro  os Kaiowá Guarani enviaram uma carta à presidente Dilma na qual mais uma vez expressão sua indignação e depositam sua confiança na demarcação de seus territórios:

"Presidente Dilma,  a questão das nossas terras já era para ter sido resolvido há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Por último o ex- presidente Lula, prometeu, se comprometeu, mas não resolveu. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. E nós não podemos mais esperar. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro.  Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat, considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo.

Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Sem nossos tekohá, a violência vai aumentar, vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. Acreditamos que não. Por isso lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito."

Também o povo  Terena de Cachoeirinha,município de Miranda, na região do Pantanal, depois de vários anos de luta, com retomadas como Mãe Terra e Futuro da Criança. No documento encaminhada à presidente Dilma expressam sua disposição de avançara na luta de retomada de suas terás:" Há muito tempo estamos em luta pela demarcação definitiva de nossa terra sagrada. O povo Terena se cansou de esperar a boa vontade de nossos governantes que há décadas nos prometem uma solução para concluir a demarcação de nossa terra e até agora nada!

Diante disso, o único caminho que nos restou para que possamos melhorar as nossas condições de vida e garantir um futuro para nossas crianças foi nos organizarmos e irmos para a retomada de nossas terras.

Ao custo de ameaças, perseguições, calúnias e mentiras daqueles que são contra nossos direitos, avançamos em nossas lutas e jamais desistiremos até que o último palmo de nossa terra nos seja entregue". A carta segue em anexo.

Certamente as montanhas e cartas e emails não são a única forma dos povos indígenas exigirem seus direitos. Porém acreditam que é uma das armas que tem à mão. E nesse início do governo Dilma, fazem seu clamor, indignação e esperança chegar até o Palácio do Planalto

Carta de apoio ao povo Guarani Kaiowá

A COIAB vem por meio desta, declarar seu apoio aos parentes Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, que sofrem a injustiça de não terem seus territórios garantidos, estando sujeitos a todo tipo de humilhação.

É com muito pesar que acompanhamos a história de sofrimento e resistência desse povo guerreiro, vivendo em acampamentos na beira das rodovias, convivendo com as estradas que oferecem muito perigo e pouca ajuda. No estado onde vivem mais de 50 mil indígenas, é um absurdo não haver terra para esse povo.

A problemática da terra para os povos indígenas é reforçada pelo descaso dos governos. Durante a gestão Lula somente 88 terras indígenas foram homologadas, uma grande traição para aqueles que acreditavam em sua história de luta vindo do movimento sindical.

Os parentes Guarani Kaiowá não têm aonde plantar, por isso vivem de doações. Entretanto, as cestas básicas não são suficientes, como também não é suficiente a atenção do órgão indigenista oficial. Sentimos nojo da inoperância da FUNAI.

Repudiamos a lerdeza com que o Governo Federal trata as questões referentes à identificação, demarcação e homologação das terras Guarani Kaiowá.

Repudiamos as usinas de etanol que se espalham como pragas junto aos campos agrícolas semeados com soja e cana-de-açúcar para alimentarem a fome do capitalismo.

É preciso investigar o assassinato das lideranças do Povo Guarani Kaiowá. Esses crimes não podem ficar impunes. Os fazendeiros e seus jagunços devem ser responsabilizados.

Parentes, um índio sem a sua terra é como um pássaro sem o céu.  Sofremos com a tristeza de seu povo. Ela também é a nossa tristeza.

Sonhamos o mesmo sonho que vocês. Sonhamos a nossa Terra Mãe livre das ameaças, da maldição do agronegócio e dos grandes projetos. Essa é a reza que os povos da Amazônia fazem.

Estamos todos unidos.  Saudações Indígenas,

COORDENAÇÃO DA COIAB

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