Justiça chilena investigará morte de Salvador Allende

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30 Janeiro 2011

Um fiscal judicial apresentou 726 causas por crimes de violação dos direitos humanos durante a ditadura, entre os que se conta a morte do ex-presidente Salvador Allende no dia do golpe no palácio La Moneda.

A reportagem está publicada no jornal argentino Página/12, 28-01-2011. A tradução é do Cepat.

"É uma responsabilidade tremenda". Com essa frase, o juiz Mario Carroza sintetizou a tarefa de investigar a morte do ex-presidente do Chile Salvador Allende, ocorrida no dia 11 de setembro de 1973, quando as Forças Armadas, comandadas por Augusto Pinochet, perpetraram um golpe de Estado, bombardeando o Palácio La Moneda, entre outras atrocidades. Historicamente, a morte do ex-presidente foi atribuída a um suicídio; no entanto, a apresentação por parte da procuradora, Beatriz Pedrals, de 726 causas por casos de violação dos direitos humanos cometidos desde setembro de 1973 até 11 de março de 1990 – entre os quais se encontra a morte de Allende – reabriu a investigação que busca determinar se houve suicídio – como assinala o relatório tanatológico oficial – ou se morreu em decorrência dos tiros contra La Moneda, naquele dia que partiu em duas a história do Chile.

"Penso que é um trabalho mais que importante, é uma responsabilidade tremenda. Faço parte do Poder Judiciário, que é aquele que tem a responsabilidade nestes casos, e espero fazer o meu trabalho", sustentou Carroza.

No marco das investigações, o magistrado advertiu que solicitará ao Serviço Médico Legal os resultados da autópsia realizada no ex-presidente falecido logo depois do atentado ao La Moneda.

"Todo elemento, testemunha, documento ou antecedente ao qual seja necessário recorrer obviamente o farei. Portanto, se há alguma pessoa que possa declarar será importante".

Também pedirá antecedentes ao Vicariato da Solidariedade (entidade da Igreja católica chilena cuja função era prestar assistência às vítimas da ditadura militar) e o processo daqueles que foram presos em La Moneda.

A próxima tarefa de Carroza será dar ordens correspondentes para indagar a Polícia de Investigações (PDI) para começar com as diligências dos mais de 700 processos que serão reabertos com a apresentação em massa das mencionadas querelas. O magistrado Carroza já tem em seu poder mais de 1.500 causas apresentadas pela Agrupação de Familiares de Executados Políticos (AFEP).

Da Espanha, a senadora socialista Isabel Allende, filha do ex-presidente, recordou que no 11 de setembro de 1973 "houve um ataque premeditado das Forças Armadas. Eles conspiraram para derrubar o presidente constitucionalmente eleito, ao bombardear a casa de governo, no instante em que se encontravam ali numerosas pessoas, incluindo o presidente Allende, sua família e vários de seus assessores. Este ato buscava, além disso, dobrar a vontade do presidente, humilhá-lo e finalmente eliminá-lo fisicamente. Isso ficou claro nos registros das conversas de Pinochet com o resto dos conspiradores".

A parlamentar acrescentou que "esse atroz atentado constitui uma dívida pendente da Justiça que é reconhecer os numerosos crimes cometidos e identificando aqueles que participaram, estabelecendo suas responsabilidades penais e conhecer toda a verdade desse dia".

Para Isabel Allende, "a família não tem dúvidas sobre a decisão do presidente de defender com sua vida a democracia, mas é importante estabelecer a verdade. Apoiarei a Justiça com todos os antecedentes que sejam requeridos para facilitar seu trabalho efetivo", disse e pediu ao Estado chileno para que colaborasse ao máximo com a Justiça.

Alicia Lira, presidente da AFEP, por sua vez, reiterou à noite que a morte do ex-presidente Salvador Allende foi "um assassinato". "No momento do golpe de Estado, Allende não tinha nenhuma saída e nenhuma segurança, portanto, aqui também (os responsáveis) têm que responder por seu crime".

Entretanto, o timoneiro do Partido Socialista, o deputado Osvaldo Andrade, garantiu que "ainda há um déficit de justiça e verdade no Chile".

A ministra porta-voz, Ena von Baer, garantiu que a administração de centro-direita, liderada por Sebastián Piñera, respeitará o que a Justiça determinar.

"Respeitamos todas as decisões dos tribunais e como governo acreditamos que todas as situações que tenham que ser investigadas serão investigadas", manifestou.

Finalmente, Beatriz Pedrals precisou que "queremos judicializar tudo o que aconteceu, de modo que em 10 anos não se diga que ficou esta causa pendente e agora vamos investigá-la. Tudo será investigado".

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