Maior universidade islâmica do Egito corta relações com o Vaticano

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23 Janeiro 2011

A Universidade Al-Azhar, no Cairo, uma prestigiosa instituição chamada às vezes de "o Vaticano do mundo islâmico", anunciou na quinta-feira que vai suspender seu antigo diálogo com o Vaticano em protesto contra o recente pedido do Papa Bento XVI de proteção aos cristãos coptas do Egito.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 20-01-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A decisão da Academia de Pesquisa Islâmica da universidade foi divulgada pela agência de notícias católica Asia News.

A medida da Al-Azhar, instituição patrocinada pelo Estado, amplamente vista como próxima do governo egípcio, surge depois de o Egito também ter destituído seu embaixador junto à Santa Sé em protesto contra o que chamou de "interferência" de Bento XVI nos assuntos internos do país.

O gelo nas relações entre o Egito eo Vaticano poderia ter amplas implicações para as relações católico-muçulmanas. Recentemente, no final de novembro, por exemplo, Grão-Mufti Sheikh Ali Gomaa, nomeado pelo Estado, foi um orador de destaque no lançamento de um grande projeto de pesquisa na Universidade de Notre Dame, em Nova York, intitulado "Contending Modernities".

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, o padre jesuíta Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse que a atitude do Vaticano "continua a mesma de sempre, isto é, uma atitude de abertura e de disponibilidade para o diálogo".

Lombardi disse que Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso do Vaticano está estudando a decisão de Al-Azhar.

Os comentários de Bento XVI sobre as ameaças aos cristãos coptas no Egito foram feito em um discurso no início de janeiro para o corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé. Eles surgiram depois do ataque terrorista no Ano Novo contra uma igreja copta em Alexandria, que deixou 21 mortos.

A explosão também feriu 79 pessoas, logo após a meia noite de sábado, quando os fiéis estavam deixando a Igreja dos Santos, no leste de Alexandria. O ataque provocou confrontos de rua entre a polícia e coptas irritados, que atiraram pedras, invadiram uma mesquita próxima e jogaram alguns dos seus livros na rua.

"Essa sucessão de ataques é mais um sinal da necessidade urgente de que os governos da região adotem, apesar das dificuldades e perigos, medidas eficazes para a proteção das minorias religiosas", disse Bento no dia 10 de janeiro. Essa frase foi amplamente interpretada como um apelo para que o governo egípcio, sob o presidente Hosni Mubarak, faça um trabalho melhor para proteger a minoria cristã do país.

Os oito milhões de coptas do Egito representam cerca de 10% da população nacional. Os coptas há muito se queixam de perseguição e de uma perceptível cidadania de segunda classe, como as regras do governo que dificultam a construção de novas igrejas e a discriminação social informal na habitação e no emprego.

Recentemente, no entanto, os crescentes ataques a igrejas, casas e comércios de cristãos no Egito provocaram temores de um conflito sectário mais amplo.

Ao explicar a decisão de suspender o diálogo, na manhã desta quinta-feira, um membro da Academia de Pesquisa Islâmica, da Al-Azhar, citou não apenas os comentários recentes de Bento XVI sobre os coptas, mas também seu discurso de setembro de 2006 em Regensburg, no qual o pontífice pareceu relacionar Maomé, o fundador do Islã, com a violência.

"Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas por essas duas questões", disse o membro Abdel Muti Al-Bayoumi, citado pela Asia News.

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