Confusão em Nazaré por causa do filho de José

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28 Janeiro 2013

"Jesus, esse jovenzinho recém-chegado, se deu o direito de reinterpretar as Escrituras. Acusou Isaías de pregar um Deus castigador e, ao citá-lo, pulou uma linha: a que anuncia 'o dia da ira de Deus'. Esse Jesus progressista presume ser hermeneuta, pula o castigo e só fala de graça e perdão. Não obedece o ensinamento da sinagoga", escreve o teólogo moral jesuíta espanhol Juan Masiá, em uma Midrash do Evangelho-ficção para a homilia de 27 de janeiro. A leitura do Evanelho proposta, neste domingo, pela Igreja Católica é Lucas 4, 14-30. A narração do texto pode ser ouvida aqui.

O texto foi publicado por Religión Digital, 25-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O rabino hierosolimitano Ananias Buscamante escreveu no portal InfoGalilea um post contra Jesus intitulado: "O Nazareno insulta Isaías". "Jesus, esse jovenzinho recém-chegado, se deu o direito de reinterpretar as Escrituras. Acusou Isaías de pregar um Deus castigador e, ao citá-lo, pulou uma linha: a que anuncia 'o dia da ira de Deus'. Esse Jesus progressista presume ser hermeneuta, pula o castigo e só fala de graça e perdão. Não obedece o ensinamento da sinagoga", bramava o infogalileu em seu blog.

O fariseu Emetério comentou em seu blog: "Se Jesus pensa assim, deveria sair da sinagoga. O que é intolerável é que ele continua dentro, e os nossos sumos sacerdotes não o excomungam".

Yusef Vidal, cronista do site Bíblia Digital, cavalgou desde Jericó para gravar a homilia. E o conta assim no YouTube: "Jesus comentou Isaías: 'Deus do lado dos pobres. Deus conosco quando trabalhamos pela libertação".

O clã saduceu, espiões do Yunke fenício, protestou violentamente. Os companheiros de Simão Cirineu (popularmente chamados de cirenaicos ou cirene-quicos) armaram uma confusão desde as linhas de frente. Mas o recorde de indignação foram os escribas de Cafarnaum.

"Parece mentira. O filho de José não saiu igual ao pai, contagiou-se com os exaltados do Batista e os radicais zelotas. É preciso acabar com ele", diziam e corriam gritando atrás de Jesus para derrubá-lo do barranco.

Tiago e João se interpuseram aos golpes, e deram tempo para que Jesus escapasse na garupa de Malena, que havia pedido emprestado uma égua a um cliente legionário.

O médico escritor Lucas, na edição palestina do El País Semanal, descreve os fatos com a sua costumeira sublimação para a posteridade:

"Com a rapidez de se deixar levar pelos ares pelo poder do Espírito (em grego, en te dynámei), Jesus deu meia volta e regressou (hypéstrepsen) para a sua cidade natal. O boato correu imediatamente por todos os cantos da Galileia. O filho de Maria e José falava nas redes sociais da região, e todo mundo o elogiava.

Ele chegou em Nazaré, onde havia se criado e onde continuavam vivendo a sua mãe viúva, ameaçada de despejo por falta de pagamento da hipoteca, com os seus irmãos e irmãs mais novos, que estavam em greve por causa dos cortes de Herodesjoy. No sábado, ele entrou na sinagoga, como de costume, e se ofereceu para ler. Entregaram-lhe o tomo de Isaías. Ele o desenrolou, fingindo parar aleatoriamente em uma passagem, que coincide justamente com o programa reformador do Galileu.

Assim diz o profeta:

O espírito do Senhor nunca deixa de me levar a caminhar e a falar.

Ele me envia para dar uma boa notícia para as vítimas empobrecidas

para proclamar a libertação para o povo aprisionado, para abrir portas de claridade para quem que não vê a saída das trevas,

para desfazer as amarras do povo acorrentado, para proclamar que chegou a hora favorável para receber a graça (Is 61, 1-2).

Ele enrolou o livro, devolveu-o ao escrivão e se sentou. Toda a sinagoga tinha os olhos cravados nele, e ele começou a comentar reinterpretando para hoje: "Hoje se cumpriu (peplérotai) a proclamação do profeta, ela deve se tornar realidade aqui e agora para vocês (en tois osín hymón).

Todo mundo se surpreendeu e se colocou contra. Não entrava na cabeça delas essa forma de ler as Escrituras, citando o discurso sobre a graça e pulando palavras sobre a ira. 'Ele não é o filho de José? Pois ele não saiu igual ao seu pai. Que vergonha! Ele passou para o socialismo'.

Ele lhes respondeu: Não aceitam nenhum profeta em sua terra...

Todo mundo ficou furioso e, levantando-se, empurraram-no para fora do povoado e o conduziram para um barranco, para despejá-lo.

Mas ele abriu espaço aos cotovelaços, passou pelo meio da multidão e, com ajuda amiga, conseguiu escapar na garupa de uma égua".

Veja também:

Comentário do Evangelho do domingo, 27-01-2013 (com a narração do texto)

O hoje da Palavra!

 

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