Eleições chave na Nicarágua. Sérgio Ramírez, ex-vice-presidente da Nicarágua

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18 Outubro 2006

Aproxima-se o dia das eleições nacionais na Nicarágua. Aqueles que ao longo dos últimos anos temos procurado que os espaços eleitorais se abram para que o monopólio criado pelo pacto entre Daniel Ortega e Arnoldo Alemán se torne coisa do passado, podemos sentir-nos recompensados. Foram frustradas todas as tentativas de inibir candidatos ou de jogar na ilegalidade partidos, e os eleitores nicaragüenses têm desta vez a oportunidade de escolher entre cinco opções, duas delas contestatórias do velho sistema excludente do pacto, que baseou sua vantagem na polarização.
As conquistas ou avanços da democracia nicaragüense podem desaparecer de um só golpe se os votos não forem contados de maneira transparente no próximo dia 05 de novembro. É necessário dizê-lo com todas as letras. A possibilidade de fraude eleitoral é certa, e é preciso tentar evitá-la.
Sempre se tende a dizer que as eleições num país são as mais transcendentais da sua história. Na Nicarágua esta afirmação não é gratuita. Portanto, não se esqueçam da Nicarágua, digo àqueles que perguntam pelas eleições. Estamos jogando o futuro.

(cfr. notícia do dia 18-10-06, desta página).