Bolívia e a saída para o mar. “Os papas se equivocam”. Artigo de Jorge Costadoat

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Por: André | 03 Agosto 2015

“O Papa disse que não é injusto que a Bolívia reclame. Hoje, não se pode insistir tão facilmente em que as guerras produzam títulos de domínio justos. Pode ser que a apelação do Papa seja profética, como muitas outras suas. O profeta incomoda. Nunca tem toda a razão. É insuportável. Ninguém o cala. Reclama justiça, mas sem entrar em detalhes. (...) O profeta acerta no fundamental e se equivoca em todo o resto. E se os chilenos estivessem equivocados e o Papa tivesse razão? Os profetas apelam à imaginação.”

A análise é de Jorge Costadoat, teólogo, jesuíta chileno, em artigo publicado por Religión Digital, 02-08-2015. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

O Concílio de Constantinopla III (681) condenou o Papa Honório por negar uma vontade humana a Cristo. Recortava sua humanidade. Um Cristo concebido dessa maneira não teria sido um ser humano capaz de discernir seu caminho para Deus como deve fazê-lo qualquer cristão.

O Papa Bonifácio VIII “serrou” o chão ao Papa Celestino. Obrigou-o a renunciar. O Papa Júlio II empreendeu a guerra contra a França. O que faz um Papa com tala firme disposição!

O Papa Pio IX condenou aqueles que postulavam a liberdade de culto. O Estado, segundo ele, só devia admitir uma única religião, a católica. O Vaticano II o teria condenado. Este Concílio inovou na doutrina. Admitiu a liberdade religiosa. Mas seria, talvez, um anacronismo condenar Pio IX a posteriori. Os tempos mudam. O pior erro é que a Igreja não mude com o passar dos tempos.

Todos os Papas tiveram que se confessar. Duvido que algum deles não se tenha considerado pecador. Paulo VI se equivocou. João Paulo II declarou Marcial Maciel como líder das juventudes. Foi mal. Enganaram-no. Fizeram com que se equivocasse.

Bento XVI corrigiu o erro anterior. Reduziu Maciel. Mas se equivocou em Aparecida (2007): enalteceu a chegada do cristianismo com a Conquista da América. Dez dias depois teve que dar explicações.

O Papa Francisco, de acordo com os chilenos, não devia ter falado sobre a saída para o mar na Bolívia. Esperava-se que não o fizesse. Seus próprios conselheiros diplomáticos tiveram que dizer a ele que era melhor não falar sobre esse assunto. Mas este Papa é muito livre. Dribla os protocolos. Não se deixa pressionar. Falou do mar justamente quando se estuda um tema em Haia. Não sabe que o Chile quis estabelecer relações diplomáticas com a Bolívia e que a Bolívia não quis? Alguém lhe disse que se insinuava uma solução justamente a favor dos nossos vizinhos, fechava as portas para converter-se, futuramente, em um mediador entre os dois países, como o foi João Paulo II no diferendo com a Argentina? Perdeu-se esta possibilidade. Um erro. Um ou vários erros?

Mas também cabe a possibilidade de que Francisco não se tenha equivocado. Talvez, os chilenos não prestaram suficiente atenção na opinião que os outros países têm sobre nós. Diz-se que não se toca nos tratados: pacta sunt servanda! Este é o quício do direito internacional. Tocá-los poderia levar o planeta ao caos. Sim, mas o direito muda. Outras fontes alimentam a ideia atual de justiça. Dizem.

O Papa disse que não é injusto que a Bolívia reclame. Hoje, não se pode insistir tão facilmente em que as guerras produzam títulos de domínio justos. Pode ser que a apelação do Papa seja profética, como muitas outras suas. O profeta incomoda. Nunca tem toda a razão. É insuportável. Ninguém o cala. Reclama justiça, mas sem entrar em detalhes. Se lhe pedem contas de como fazer as coisas, seguramente não saberá o que dizer. O profeta acerta no fundamental e se equivoca em todo o resto.

E se os chilenos estivessem equivocados e o Papa tivesse razão? Os profetas apelam à imaginação. Como não nos ocorreu algo para acabar com uma guerra que, segundo parece, não terminou sob todos os respeitos e que nunca deveria ter existido?

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