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Espiritualidade » Comentário do Evangelho

DOMINGO 22 DE JANEIRO Evangelho segundo Marcos 1,14-20

Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galiléia, pregando a Boa Notícia de Deus: «O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia».
Ao passar pela beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse para eles: «Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens».
Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus.
Caminhando mais um pouco, Jesus viu Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes. Jesus logo os chamou. E eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partiram, seguindo Jesus.

(Correspondente ao 3º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico).

 

O Reino de Deus está aqui

O evangelho deste domingo nos apresenta primeiro a pessoa de Jesus como itinerante, depois de estar no deserto Ele volta para Galileia. Esta característica marcará a vida de Jesus e seus seguidores/as.

O motivo de estar sempre a caminho é sua paixão por comunicar a Boa Noticia de Deus: "O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo".

Suas palavras causaram, sem dúvida, impacto nos judeus que as escutavam. Não continuava Israel dominado pelos romanos? Não seguiam os camponeses oprimidos? Não continuava o mundo cheio de corrupção e injustiça?

Mas Jesus afirma com convicção que Deus já está aqui, atuando silenciosamente no meio do povo, e assim seu reinado vai se expandindo pelas regiões de Galileia.

Jesus partilha, comunica sua própria experiência de um Deus vivo, presente e atuante, por isso, apesar da dureza da realidade, ousa proclamar sua fé e convidar a crer nesta Boa Notícia.

Os contemporâneos de Jesus, assim como nós agora, poderiam perguntar-se: Como pode dizer que o Reino de Deus já está presente? Onde pode ser visto e experimentado? Como pode Jesus estar tão seguro da presença de Deus?

Em mais de uma oportunidade, os evangelhos nos mostram que estas perguntas foram feitas a Jesus. E Ele respondeu de forma ainda mais desconcertante para a mentalidade da época.

O Reino de Deus não vem de forma espetacular, nem tem que se escutar os céus buscando sinais especiais e não entra em cálculos nem prognósticos.

É necessário aprender a captar sua presença e ação de outra maneira, porque o Reino de Deus já está entre nós!

Os simples e pobres são os primeiros em acolher a Boa Noticia de um Deus que os ama e não os esqueceu. Ao contrário, sua preocupação é libertar seus/suas filhos/as de tudo quanto os/as desumaniza e os/as faz sofrer.

Por isso os evangelhos narram de diferentes formas a infatigável vida itinerante de Jesus, que, movido pela compaixão, cura aos doentes, consola os abatidos, liberta os oprimidos social ou religiosamente, manifestando, assim, a bondade de Deus.

Unido a esta proclamação da chegada do Reino de Deus, Jesus exorta seus ouvintes a converter-se e acreditar na Boa Notícia.

A nova presença de Deus pede uma mudança profunda. Para participar do Reino de Deus é preciso deixar-se transformar pela sua dinâmica de amor que leva a modificar a forma de pensar e agir.

A palavra conversão, metanoein, significa mudar a forma de pensar e agir, ou seja, não viver de acordo com os critérios do "império" reinante, mas assumir um estilo de vida que irradie o reinado de Deus.

O que implica viver relações de cuidado e respeito com todo o criado, exercitar a capacidade de diálogo e crescimento junto com o diferente, promover a justiça e a reconciliação e fazer os pequenos estarem sempre em primeiro lugar.

A chegada do Reino pede uma mudança pessoal e comunitária, o povo tem que tomar outro rumo para alcança a Vida para todos/as.

E esta tarefa não pode ser exclusiva de uma pessoa. Por isso Jesus, desde o início, rodeia-se de amigos/as e colaboradores/as. Ele sabe que é necessário criar um movimento de homens e mulheres, do próprio povo, que ajudem os outros a tomar consciência da proximidade salvadora de Deus.

A segunda parte do evangelho de hoje nos narra o chamado de Jesus aos seus primeiros amigos: «Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens».

Chama a atenção que o convite é austero. A proposta consiste em segui-lo em sua vida itinerante pelos caminhos de Galileia e Judeia, partilharem sua experiência de Deus, aprenderem a reconhecer Sua ação, e acolhê-la e guiados por Ele participarem na tarefa de anunciar a todos a vinda do Reino.

Os primeiros homens e mulheres que acolheram o chamado de Jesus, fazendo-se seus discípulos/as e seguidores/as formaram um grupo plural do qual se iniciará o movimento que deu origem ao cristianismo.

Neste grupo inicial, podemos incluir Paulo de Tarso, hoje celebramos a memória de seu martírio. Embora não tenha convivido com Jesus, sua vida e missão abriram as portas da fé cristã ao diálogo com culturas e religiões diferentes.

Segundo Hermann Häring,  ninguém como Paulo inculcou tão profundamente no cristianismo o pensamento do universalismo. Ele iniciou sistematicamente e fundamentou explicitamente o primeiro processo histórico de universalização.

Para este teólogo alemão, o universalismo paulino pode, sem esforço e de modo preciso, ser inserido na fundamentação de um ethos mundial, o que abre espaço para o diálogo entre culturas e religiões.

A fé cristã transmitida deste grupo inicial de homens e mulheres apaixonados/as como seu Mestre pela proposta do Reino de Deus, de geração em geração chegou a nós hoje, para ser acolhida, vivida e comunicada.

Por isso para quem está lendo estas palavras, é dirigido o convite de acolher as mais importantes: "O Reino de Deus já chegou, convertam-se e acreditem na Boa Noticia".

 

Oração

Propomos-te escutar esta música que canta a confianza no Amor de Deus e também ler o texto de apóstolo Paulo (1 Cor 13, 1-13).

Referências

PAGOLA, José Antonio. Jesús. Aproximación histórica. agola

HÄRING, Hermann. Paulo, o universalismo e a Ética Mundial. In Revista IHU ON –LINE. Paulo de Tarso: a sua relevância atual. Nº 286, 22.12.2008. Ano VIII.

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Comentários  

 
0 #2 Sonia moreira 22-01-2012 22:43
Para mim e maravilhosa a carta de Paulo que fala sobre o amor ...maravilhosa
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0 #1 Leuter Inez de Carva 20-01-2012 10:07
Achei -otimo o texto e a ref. do Pagola é iluminada,contudo teria sido oportuno acrescentar a reflexâo de Sadro Gallazzi em seu livro: Por uma terra "Sem Mar, Sem Templo, Sem Lágrimas" sobre o significado do mar e o convite de Jesus para os pescadores.
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