''O Chile pede a Francisco um choque de transcendência.'' Entrevista com Antonio Skármeta

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18 Janeiro 2018

Antonio Skármeta, autor de “O carteiro e o poeta” (ou “O carteiro de Pablo Neruda”), afirma: “O meu carteiro tomaria o papa pela mão e o levaria imediatamente à taberna de Isla Negra, o vilarejo à beira-mar onde Pablo Neruda adorava residir. Lá, ele lhe apresentaria a sua amada Beatriz. E, como o meu carteiro é um homem espontâneo, eu não ficaria surpreso se ele lhe perguntasse: ‘Quer ser você a se casar com ela?’.”

A reportagem é de Lucia Capuzzi, publicada por Avvenire, 17-01-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O carteiro Mario – protagonista de um dos romances mais emblemáticos de Antonio Skármeta, Ardiente paciencia. El cartero de Neruda – está associada de modo indelével na memória dos italianos ao magistral filme de Massimo Troisi. O último do ator-diretor napolitano, que, já doente, jogou corpo e alma no personagem, presenteando ao público uma tocante interpretação.

A versão cinematográfica, porém, “italianiza” os lugares, narrando ao exílio na península do poeta e futuro Nobel, Pablo Neruda. A versão original, ao contrário, ocorre no Chile. Naquela Isla Negra que – na imaginação do seu criador – o carteiro gostaria de mostrar ao Papa Francisco.

A “licença literária” – pela qual Skármeta é conhecido e para a qual ele frequentemente usa o seu Carteiro Mario – revela a profunda comoção do escritor, considerado um dos mais emblemáticos da América Latina atual, pela chegada do pontífice. Um sentimento, considera ele, compartilhado pelos compatriotas, porque “aqui até os ateus são cristãos”.

“O fato de Bergoglio vir ao Chile, país separado dos outros pela sua afiada geografia, é uma bênção que tornará mais vigorosas a fé e as esperanças do nosso povo”, diz o autor que, em recente carta aberta, designou Jesus como a figura mais representativa dos últimos dois milênios.

Eis a entrevista.

Por que essa escolha?

Nada é mais comovente e convincente do que um Deus que se faz homem e sofre junto com ele.

Voltemos ao papa. O que tanto toca você no pontífice?

O Papa Francisco é uma pessoa que emana calor, proximidade. Eu gosto do nome que ele escolheu, inspirado em São Francisco de Assis, que disse: “Me contento com pouco e com muito pouco desse pouco”. Sinto uma profunda sintonia com o pontífice quando ele exorta a viver a alegria nas coisas “mínimas” da cotidianidade. Deus é tão intenso no infinitamente grande quanto no infinitamente pequeno.

Como você definiria, em uma frase, o Chile atual?

Um país em que as pessoas não devem mais ir embora. Ao contrário, chegam.

Quais são os desafios da nação?

A última vez que um papa veio nos encontrar, havia uma ditadura militar no país. Na época, a Igreja fez muito para defender e ajudar as vítimas e os perseguidos pelo regime. Agora, felizmente, vivemos em uma democracia: às vezes, governa a centro-direita, em outras, a centro-esquerda. A desigualdade entre ricos e pobres, porém, é grande ainda, e a “justiça social”, lenta.

Você acredita que a mensagem de Bergoglio é importante para os chilenos?

Muito. Precisamos de um “choque de transcendência”. Às vezes, presos pelas banalidades, perdemos a dimensão do infinito.

Muitas vezes, o pontífice, durante as viagens, gosta de citar alguns autores emblemáticos da terra em que se encontra. Existe algum, em particular, ao qual você gostaria que ele se referisse?

Quando o Carteiro diz a Neruda que quer ser um poeta, este último lhe responde: “Bem, no Chile todos são poetas. É melhor que você continue sendo carteiro: pelo menos, você caminha muito e não engorda”. O papa, portanto, tem o embaraço da escolha. E, independentemente de quem ele escolher, irá bem.

O que gostaria de dizer a Francisco?

Agora que o senhor veio, por favor, não vá embora!

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