Martin Adolf Bormann, o afilhado de Hitler que se tornou sacerdote

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31 Agosto 2017

Gudrun, Edda, Martin Adolf, Niklas, Matthias... Filhos de Himmler, Göring, Hess, Frank, Bormann, Höss, Speer e Mengele, os responsáveis pelos maiores crimes da História da Humanidade. Seus pais e tios fizeram o mal absoluto, e seus descendentes levarão para sempre o estigma do Holocausto.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 29-08-2017. A tradução é do Cepat.

São os Hijos de nazis (Filhos do nazismo), um brutal relato de Tania Grasnianski, publicado por La Esfera de los Libros. Entre os relatos, destacam-se dois: o de um sacerdote e o de um convertido ao Judaísmo. Os filhos do horror, que encontraram na fé uma saída restaurativa.

Adolf Hitler foi o padrinho de Martin Adolf, o primogênito de Martin Bormann, o secretário particular do Führer e considerado seu herdeiro. Seu nome marcou para sempre a vida do jovem afilhado do maior criminoso da História.

O jovem Martin Adolf foi enviado a um internato onde cresceu no marco disciplinar rigoroso de uma educação nacional-socialista, marcando o definitivo distanciamento com o restante da família. No final da guerra estava com 15 anos e se refugiou no anonimato, acolhido por uma família católica e rural. Não se sabe com segurança se Bormann morreu perto do bunker de Hitler em Berlim, em 1945, como apontariam algumas provas de DNA.

Martin Adolf soube do Holocausto e da decisiva participação de seu pai na Solução Final, ao término da guerra. “No momento em que o Tribunal de Nuremberg condenava seu pai a morte in absentia, Martin Adolf encontrou sua salvação em Deus. Abraçou plenamente o cristianismo, ao qual seu pai havia combatido inflamadamente.

O jovem tentou compreender a aversão de seu pai pela Igreja católica. Porque foi Martin Bormann quem instituiu medidas para restringir o poder da Igreja”, destaca Tania Crasnianski.

Em 1947, o filho de Bormann se batizava, e em 1958, após estudar com os jesuítas, era ordenado sacerdote. “Não odeio meu pai”, confessou em seu momento. Durante muitos anos, aprendi a diferenciar entre meu pai como indivíduo e meu pai como político e oficial nazista”. Em 1961, Martin Adolf partiu como missionário católico ao Congo. “Permaneceu ali muitos anos e viveu alguns fatos traumáticos. Foi torturado e submetido a simulações de execução. Não tinha medo da morte, mas a tortura o feriu para sempre”, destaca a autora.

Martin Adolf Bormann (Fonte: Religión Digital)

Em 1971, sofreu um grave acidente de carro. “Quando voltou a si, junto a sua cama havia uma mulher, uma religiosa que cuidava dele (...). Apaixonaram-se à primeira vista”. Ambos abandonaram os hábitos e se casaram. Ele continuou seu trabalho teológico, que foi reconhecido em toda a Alemanha, durante o pós-concílio. Perguntado nos anos 1980 pelo “muro de silêncio” que os descendentes dos responsáveis do massacre nazista precisaram levantar, Martin Adolf Bormann revelou que “eu tive que guardar silêncio, calar-me, por medo justificado ou injustificado de ser descoberto e perseguido como filho de meu pai, e de que me acusassem de todos os crimes cometidos pelo regime nazista: crimes que conheci depois. Com meus pais, nunca tive a oportunidade de falar do passado e da responsabilidade que eles tiveram nesse passado”.

Matthias Göring, sobrinho-neto de Herman Göring, o chefe da Lufwaffe e suplente de Hitler, se converteu ao judaísmo. Aos quarenta anos - destaca a autora -, decidiu usar uma kipá e uma estrela de Davi, comer kosner e celebrar o Sabbat. “Em inícios do século XXI, após a falência de seu gabinete de fisioterapia, sua esposa o abandonou. Desesperado, esteve a ponto de se suicidar (como seu tio avô, condenado em Nuremberg pelo Holocausto). Rezou para que Deus viesse em seu auxílio e acreditou ter recebido sinais que o levavam a Terra Santa. Decidiu ir a Israel e integrar a comunidade das vítimas”.

“Não me sinto culpado”, afirma Matthias. “Existe uma culpa espiritual em nossa família, na nação alemã, e é nossa responsabilidade a declarar abertamente. Acredito que Deus adotou esta oportunidade de usar meu nome para mudar algumas coisas no coração dos outros”.

Matthias Göring (Fonte: Religión Digital)

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