"O maior "cabeça-de-planilha" hoje é o Lula". Entrevista especial com Luís Nassif

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26 Abril 2007

Os cabeças-de-planilha: como o pensamento econômico da era FHC repetiu os equívocos de Rui Barbosa (Ed. Ediouro, 2007) é o título do novo livro do jornalista Luís Nassif. Na obra, Nassif narra as chances que o Brasil teve de se tornar uma nação de primeiro mundo. Essas chances não foram aproveitadas em razão do travamento da economia  por parte daqueles que ele chama de “cabeças-de- planilha”, ou seja, os criados das falsidades financeiras e das problemáticas leis de mercado. Para fazer essa análise, Nassif aproveita-se da história econômica do país e a alia ao seu conhecimento sobre o tema na contemporaneidade.

A fim de analisar a trajetória narrada no livro com o contexto político e econômico atual, a IHU On-Line entrevistou Luís Nassif, por telefone. Durante a entrevista, Nassif fala dos erros intencionais dos governos a fim de beneficiar aliados e como essa “jogada” bloqueou e denegriu a economia brasileira. “O principal erro do Rui Barbosa foi a remonetização (...). Com o Plano Real foi a mesma coisa”, relata Nassif ao descrever o grande erro de Barbosa e FHC ao injetar dinheiro pela demanda da moeda.

Segundo o próprio Nassif, ele foi introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Jornalista Econômico formado pela Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo, Luís Nassif é hoje diretor Superintendente da Agência Dinheiro Vivo. Além disso, Nassif desempenha as funções de comentarista econômico da TV Cultura, membro do Conselho do Instituto de Estudos Avançados da USP, do Conselho de Economia da FIESP e do Conselho da Escola Livre de Música Tom Jobim. Possui um dos blogs mais acessados e respeitados do país, o luisnassif.blig.ig.com.br

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Quanto tempo o senhor ficou pesquisando até chegar a “Os cabeças-de-planilha”?

Luís Nassif – Em 1995, 1996, eu fiz uma campanha cerrada contra os erros do câmbio. E naquela época alguns amigos, Bresser Pereira (1), Delfim Netto (2), Serra (3), sugeriram que eu fizesse um livro para contar a experiência daquele período. Eu não cheguei a escrever na época, mas quando o Fernando Henrique (4) saiu do governo eu comecei a tentar indagar qual foi a lógica que levou aos erros do Plano Real. Minha metodologia foi fazer uma analogia entre a República Contemporânea e o início da República com Rui Barbosa. Então, eu fiz um conjunto de colunas para a Folha há uns três anos, mais ou menos, tentando levantar todas as razões que poderiam ter conduzido os autores do Plano aos erros que foram cometidos principalmente na apreciação da moeda. E, depois, quando estavam em processo de formulação de posse, eu formulei um conjunto de hipóteses comparando a gestão Rui Barbosa e o Plano Real. Comecei a juntar material há uns três anos, mas de forma esporádica. Só entrei realmente de cabeça no livro nos três últimos meses do ano passado.

IHU On-Line - E como você chegou à conclusão de que o Brasil perdeu tantas oportunidades de impulso econômico, fazendo então a comparação do Governo Fernando Henrique com o Governo Rui Barbosa?

Luís Nassif - Quando o Fernando Henrique saiu, a minha dúvida era a seguinte: se eu quero fazer uma analogia com o início da República, quem foi o Fernando Henrique? Fernando Henrique, quando assumiu, queria ser muito o Campos Salles, que montou a política dos governadores e garantiu governabilidade, montou uma abertura financeira para o exterior responsável pela estagnação da economia. Campos Salles pegou uma situação caótica e criou um modelo financeiro e econômico responsável por três décadas de estagnação. Eu achava que quando o Fernando Henrique dizia que queria ser como Campos Salles, ele estava pensando mais na tecnologia política, mas não. O desastre já começou no primeiro ano de governo dele, então eu voltei um pouco mais no tempo para tentar buscar em outros capítulos da história uma relação com o seu governo e fui bater no Encilhamento (5), que foi aquele movimento especulativo do final do século XIX.

Li, então, um grande especialista sobre o Encilhamento, o Gustavo Franco (6). Daí quando você pega o livro dele e vai juntando o que ocorreu lá atrás e o que ocorreu aqui, nesta época, começa a se dar conta de que o que leva ao desastre é a “tacada”. Quando se tem mudança de moeda há muitas chances de enriquecimento. Então, primeiro dá a tacada para resolver a vida de amigos e aliados e depois se começa a governar. Só que a primeira tacada condiciona demais o sujeito, que não consegue recuperar mais o controle da situação. Daí se sabia que desde aquela época muitos economistas saíam ganhando com essas crises financeiras no país, tanto quanto os bancos aliados.

Então, começa-se a se perceber, vendo o que foi feito, que não é coincidência o fato de ter havido erros no Real e ter existido economistas que enriqueceram com o Plano. No início do Real, eu tinha feito algumas colunas desconfiando disso. É muito erro crasso para ter uma explicação técnica. É então quando você fecha as contas e pega indícios da época que se dá conta disso. Para mim, o ponto central foi quando eu peguei o histórico das minhas colunas desde o início dos anos 1990, percebendo, com isso, que em 1994 tinha um maior conjunto de fatores, de diagnósticos que poderia permitir um grande salto do país naquele momento. Tudo foi perdido por conta desse erro de partida do Real.

IHU On-Line - Quais foram os principais erros desses dois governos, de Rui Barbosa e de FHC?

Luís Nassif
- O principal erro do Rui Barbosa foi a remonetização (7). Rui Barbosa precisava injetar dinheiro porque se tinha um aumento da demanda por moeda com a degradação, com a abolição da escravatura e tudo o mais. Entretanto, na hora de injetar o dinheiro, ele vê que há uma grande chance de riqueza e beneficia um banqueiro aliado dele. Só que Rui Barbosa o beneficia demais. Depois, na medida em que o banqueiro vai enfrentando dificuldades, porque pegava o dinheiro para jogadas especulativas na bolsa, Rui Barbosa começa a fazer um conjunto de concessões que no fim compromete toda a política econômica dele. No Plano Real aconteceu mesma coisa. Aquela apreciação do câmbio foi um grande erro dele. O câmbio foi para R$ 0,80 em três meses, ou seja, criou-se um déficit nas contas corrente, e, em março do ano seguinte, a economia praticamente foi proibida de crescer. Não há explicação técnica que justifique isso. Eu tentei checar todos os argumentos que eles utilizaram e não havia nenhuma guia. Foi um erro crasso, mas intencional, pois beneficiou banqueiros, principalmente o André Lara Rezende (8). E depois quando eles tentaram, mais adiante, corrigir o câmbio, não houve nenhum apoio do Fernando Henrique. Então, o grande erro foi esse, aquela grande apreciação do câmbio e a plena liberalização do fluxo de capitais.

IHU On-Line - E qual é o papel da indústria para o desenvolvimento do Brasil durante os dois governo que você analisou?

Luís Nassif - Dizem que o mundo caminha para uma sociedade de serviços, mas quando você tem um país com esse exército de mão-de-obra desempregado como o Brasil, isso passa a ser questionado. Uma coisa é certa: a indústria é a grande empregadora, e o comércio não multiplica empregos. Ele tem fornecedores que são indústrias. Uma indústria, quando é montada, tem uma cadeia de fornecedores, e por isso tem um efeito multiplicador muito grande. O ponto central é que esses economistas do Real e do Fernando Henrique, assim como Rui Barbosa no passado, achavam que seria possível modernizar o país criando um modelo em que se sufocava a indústria existente, fortalecia esses bancos de investimento e esses bancos entrariam renovando a economia, investindo em indústrias aqui e ali.

Agora, isso foi um erro do Rui Barbosa, porque tiveram outros interesses no meio e ele enfrentou um ambiente que não era favorável à atividade produtiva. Então, os fundos desses bancos de investimentos ganhavam dinheiro e aplicavam para ganhar mais. É muito diferente do agricultor ou do industrial que, quando tem um lucro grande, reinveste no próprio negócio. Então, a indústria nesse período foi esmagada, principalmente a pequena indústria que não tinha poder de mercado. É só ver no Sul o que aconteceu duas vezes com a indústria do calçado em função do câmbio. É um absurdo que, em dez anos, tenha se destruído duas vezes o setor, ou seja, há todo o trabalho de reconstruir para vir o câmbio novamente levar tudo à estaca zero.

IHU On-Line - Como o Brasil não se preocupou com o câmbio cada vez que que foi criada uma nova moeda?

Luís Nassif - Naqueles seis meses de URV, a idéia era que se alinhassem os preços e ao dólar, de tal maneira que no final do processo você teria um URV transformado na nova moeda e teria uma paridade de um por um com o dólar, quando a lógica do Real é que não teria choque, ou seja, você teria um por um; essa era a lógica. Na partida, o dólar passa a valer R$ 0,90 e logo depois R$ 0,80, com muita gente ganhando dinheiro no mercado de câmbio. Então, esse foi o erro fundamental, porque quando se usa uma âncora cambial como no real, o câmbio pára. Se a inflação não é transferida, não se faz um reajuste do câmbio, ou seja, toda a inflação interna torna o produto brasileiro mais caro. E daí fica mais difícil exportar, fica mais fácil importar e é criado um desequilíbrio. Em todo início de Plano, a tendência é dar uma desvalorização cambial antes para ter uma gordura para queimar. No caso do Real, a idéia era um por um, uma idéia arriscada, mas em que se apostou. De repente, o dólar vai para R$ 0,80 e é como se todos os produtos brasileiros, da noite para o dia, ficassem 20% mais caros do que os produtos externos, o que acabou com alguns setores, arrebentou com a agricultura na época, provocou um desemprego e impediu o Brasil de aproveitar aquela grande chance que veio no começo dos anos 1990 e que a China e a Índia aproveitaram.

IHU On-Line - Você afirmou que o Palocci foi uma continuação do Malan. Como você vê o trabalho do Lula para a reconstrução da economia brasileira? É uma continuação do governo FHC?

Luís Nassif - Uma apreciação cambial é uma armadilha muito complicada de se sair, porque se criam muitos interesses, havendo um livro de fluxo de capitais. Há um mercado inteiro que ganha em cima disso. O Lula teve um grande presente, que foi quando o dólar teve uma grande desvalorização, em 2002. Nesse período, o dólar saiu do controle do Banco Central, por conta da crise internacional e por conta das eleições internas. E o Palocci jogou isso fora. Se ele tivesse segurado o dólar quando ele estava a R$ 3, e segurasse a inflação durante uns três meses, ele teria o melhor dos mundos, porque ele teve um câmbio competitivo, um aumento das exportações, dos investimentos. No entanto, ele pegou o câmbio e foi jogando até chegar nessa situação maluca de hoje, quando o Real está valendo R$ 2, e vai descer mais ainda.

IHU On-Line - Quais são os interesses que você vê por trás desses constantes fracassos da economia brasileira?

Luís Nassif - O grande problema é que você não tem instituições e conhecimento da opinião pública para defender o país contra jogadas, tacadas financeiras. Por exemplo, quando vem um plano como o Real, por que eles tomam todas as decisões de depreciação do câmbio etc? Ora, porque tinha uma imprensa que não podia criticar. O Governo repetia que era uma “questão de salvação nacional”, e quem criticava era chamado adepto da “fracassomania”. O FHC estimulou muito a desmoralização da crítica. No final do livro, eu faço uma entrevista com ele e digo: “Peraí, mas haviam pessoas que te alertavam em relação à crise”, e ele responde: “mas eram críticos sistemáticos e, portanto, ficavam desmoralizados”. Olha, a desmoralização da crítica foi ele quem fez, pois quando você vê um presidente popular, no início, por conta do Plano, dizer que os críticos são adeptos da “fracassomania”, a imprensa inteira é subestimada.

Por isso afirmava-se que “quem é a favor da mudança do câmbio é defensor do atraso”. Isso foi o Fernando Henrique quem falou em 1996 e, sobretudo, em 1997. Em 1995, o Brasil sofre um tiroteio tão grande com o negócio dos juros que o pessoal do Malan alimentava um colega despreparado, que soltava artigos periódicos tentando rebater os meus. Só que, em certo momento, o Sergio Motta, que era Ministro do Governo FHC, dá uma entrevista em que ele diz: “O Nassif está certo: este câmbio e esses juros estão malucos”. Agora, você vê que o Fernando Henrique, depois de todo esse processo de desqualificação, me dá uma entrevista e diz que realmente o câmbio estava errado, que realmente os argumentos que o Gustavo Franco utilizava eram argumentos meramente para justificar o errado e que não mudou porque não havia muita crítica. Como assim?

IHU On-Line - Em “Os cabeças-de-planilha”, você acaba desmistificando o Brasil como “país do futuro”. Você vê, de alguma forma, um futuro para a economia brasileira?

Luís Nassif - Sempre dá tempo de melhorar um pouco. Agora a questão é que cada chance que se perde não é recuperada. O Brasil perdeu grandes chances de desenvolvimento. Tínhamos um movimento de criação de grandes indústrias, um campo competitivo e se tivesse seriedade por parte de Rui Barbosa, aquele movimento poderia ter provocado uma mudança na estrutura industrial brasileira. E por que não provocou? Porque na hora "h" tomou medidas de interesse pessoal. Em 1994, tínhamos um processo das multinacionais espalhadas pelo mundo, concentrando a produção. Um dos países era a China e o outro era o Brasil. Um erro desses é cometido para beneficiar aliados e economistas, perdendo, então, uma chance. Assim, depois dessa chance teremos que esperar por outra. O problema é que entre o desperdício dessa chance e a espera da próxima, o país vai ficando para trás. Então, se o Brasil tivesse uma elite esclarecida, que impedisse esses absurdos, hoje ele seria uma potência de primeiro nível.

IHU On-Line - E o que você acha que seria um bom motor hoje para alavancar a economia brasileira?

Luís Nassif - O Brasil tem um conjunto de fatores de modernização que surgiu nos anos 1980 e 1990 e precisam ser recuperados. Um é a questão da gestão, quem nem Fernando Henrique nem Lula levam muito a sério. Outro é a questão da inclusão social, elemento fundamental. Esse pessoal que está dizendo que o Brasil será salvo se reduzirem benefícios de Previdência, ou tirarem o Bolsa Família, são pessoas sem nenhuma visão histórica. O que falta é um partido político que encampe isso. Os partidos políticos daqui não têm bandeira, só tem slogan. É preciso ter desenvolvimento, com inclusão social, e inserir o Brasil no mundo competitivamente, com câmbio competitivo, com inovação, com tecnologia, com as reformas rurais...

IHU On-Line - Quem são os “cabeças-de-planilha” no governo atual?

Luís Nassif - O Palocci foi o campeão. O Banco Central inteiro também é formado por “cabeças-de-planilha”. O planejamento é um apêndice, mas o Banco Central é um horror! Agora melhorou um pouco, com algumas mudanças, mas é terrível: são pessoas sem visão de futuro. Mas, sem dúvida, o maior "cabeça-de-planilha" hoje é o Lula, que garante isso tudo, que calou as críticas internas, que acertou um acordo com a Anfavea para acabar com essa história de criticar o câmbio e que está levando parte do país aos cemitérios.

Notas:

(1) Luis Carlos Bresser Pereira: foi Ministro de Ciência e Tecnologia no Governo FHC, em 1999. Também foi Ministro da Administração Federal e Reforma do Estado, de 1995 a 1998, quando o país também estava sob o comando de FHC. Em 1987, foi Ministro da Fazenda, no governo de Sarney. Atualmente, é Professor titular do Departamento de Análise e Planejamento Econômico da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, onde entrou por concurso em abril de 1959.

(2) Delfim Netto: é professor emérito da FEA-USP e ex-ministro da Fazenda, durante o governo Médici. É economista.

(3) José Serra: é, atualmente, governador de São Paulo. Durante a ditadura militar, estudou economia em Princeton, nos Estados Unidos. Foi Ministro da Saúde, durante o governo FHC. Concorreu à presidência do Brasil em 2002.

(4) Fernando Henrique Cardoso: ex-chanceler e ex-ministro da Fazenda do governo Itamar. Formado em Sociologia pela Universidade de São Paulo, foi o idealizador do Plano Real e presidente do Brasil de 1995 a 2001.

(5) Encilhamento: ocorreu durante o governo provisório de Deodoro da Fonseca (1889-1891). O Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, na tentativa de estimular a industrialização do Brasil, adotou uma política emissionista baseada em créditos livres aos investimentos industriais garantidos pelas emissões monetárias. A especulação financeira desencadeada, a inflação e os boicotes através de empresas-fantasmas e ações sem lastro desencadearam, em 1890, a Crise do Encilhamento. Os problemas trazidos pelo encilhamento foram parcialmente resolvidos no governo Campos Sales.

(6) Gustavo Franco: economista pela PUCRio. Doutor pela Universidade de Harvard, foi presidente do Banco Central do Brasil de agosto de 1997 a março de 1999.

(7) Remonetização: emissão de moeda.

(8) André Lara Rezende: um dos "pais" do Plano Real. Foi consultor do Presidente Fernando Henrique. É economista.

 

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