Da dívida ecológica ao débito do sistema financeiro com os pobres. Entrevista especial com Gaël Giraud

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02 Agosto 2015

"A racionalidade que a Encíclica propõe é aquela do amor, da ternura. A que a economia neoclássica promove é uma racionalidade mortífera, de uma humanidade que não crê mais em seu futuro e cujas elites tentam se apropriar do máximo de riquezas possíveis para salvar sua pele quando o Titanic afundar", alerta o economista francês. 

Foto: Galizacig

Pensar as complexidades da crise global em que vivemos, chamada na Laudato Si’ de Crise Ecológica, exige ampliar as sensibilidades e perceber o mundo para além do racionalismo técnico financeirista. Em linhas gerais, é isso o que o economista francês Gaël Giraud argumenta em sua entrevista por e-mail à IHU On-Line.

“Em sua Encíclica, o Papa denuncia a ‘dívida ecológica’, ou seja, o fato de que, extraindo hoje da natureza mais do que ela é capaz de nos dar sem pôr em perigo sua própria renovação, acumulamos uma dívida muito maior do que os bilhões que a dívida da Grécia representa”, aponta Gaël.

“O ser humano é, antes de tudo, relação. Com Deus, com outrem, com a natureza. E quando danifica uma dessas três relações, ele danifica automaticamente as duas outras. O progresso é a cura do que está ferido nessas relações, é a regeneração de uma maneira santa de nos relacionarmos uns com os outros, com Deus e com a natureza”, complementa o pesquisador. De acordo com o economista, a finança é o principal empecilho para o progresso da humanidade. “De fato, os financistas têm a maior fatia de responsabilidade no desastre atual. Este foi um tema denunciado muitas vezes pelo Papa Francisco: muitos financistas são os grandes sacerdotes de uma religião pagã que erigiu o dinheiro em bezerro de ouro”, critica.

Frente a tal cenário, Gaël reforça o discurso de Francisco e argumenta que as alternativas para o momento de crise estão com a potência criadora dos pobres. “São eles (os pobres) que inventarão formas humanas e dignas de vida. A economia solidária, a partilha, as cooperativas, a economia circular são exemplos dessas invenções”, reitera.

Gaël Giraud é diretor de pesquisa do Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS, membro do Centro de Economia da Sorbonne e da Escola de Economia de Paris e professor associado na ESCP-Europe. Jesuíta, faz parte do conselho científico do Laboratório sobre Regulação Financeira e do Observatório Europeu Finance Watch. Além disso, leciona no Centre Sèvre de Paris e é membro do conselho científico da Fundação Nicolas Hulot para a Natureza e o Homem.

O trabalho de Gaël Giraud pode ser visto em seu sítio na internet www.gaelgiraud.net. É autor de vários livros, dos quais destacamos Illusion financière (Paris: Les Éditions de l'Atelier, 2014), Le facteur 12. Pourquoi il faut plafonner les revenus (Paris: Carnets Nord-Montparnasse éditions, 2012) e Vingt propositions pour réformer le capitalisme (Paris: Ed. Flammarion, 2009).

Confira a entrevista.

Foto: La-Croix.com

IHU On-Line – Que novidade a Laudato Si’ traz ao debate relacionado às questões ambientais em perspectiva com a racionalidade economicista?

Gaël Giraud - A Encíclica do Papa Francisco privilegia a manutenção das condições de vida decente para todos no planeta. Ela constata que somente a acumulação do lucro não possibilita reunir essas condições, e dá prioridade às condições de vida para todos. Ora, a racionalidade econômica dominante, essa que se expressa através da dita economia neoclássica, parte da hipótese de que a maximização do lucro pelas empresas e a concorrência são o segredo da prosperidade. O Papa Francisco diz simplesmente que isso é uma mentira.

Foi o que ele repetiu, com muita pertinência, em seu grande discurso em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, em 09 de julho de 2015. Alegar que o lucro privado e a concorrência vão garantir a prosperidade e, em particular, garantir condições de vida digna para todos num planeta que é finito é uma mentira.

Aliás, como a própria economia neoclássica reconhece, na realidade, a teoria do equilíbrio geral (elaborada nos anos 1950 por Arrow [1] e Debreu [2], que receberam por isso o Prêmio dito “Nobel” de economia) considera que os mercados financeiros são muito ineficazes na alocação do capital e do risco. Considera também que os mercados não podem internalizar corretamente as “externalidades” provocadas pela poluição, pela destruição da biodiversidade e pelo desajuste climático. Nessas condições, aqueles que pretendem solucionar esses imensos problemas unicamente com o apoio do mercado são ignorantes em economia ou usurpadores.

IHU On-Line – Como o senhor compreende o paradigma tecnoeconômico discutido na Encíclica?

Gaël Giraud - Esse paradigma foi fartamente denunciado pelo teólogo protestante Jacques Ellul [3]. Em certo sentido, a Encíclica retoma temas bem conhecidos do pensamento de Ellul. Trata-se de denunciar a ilusão de que a técnica nos salvará do desastre climático e ecológico. Alguns recusam, de fato, considerar a mudança radical de modo de vida a que precisamos consentir, explicando que conseguiremos, mais cedo ou mais tarde, encontrar um aparato técnico para o desafio ecológico.

Muitos defensores da geoengenharia, especialmente nos Estados Unidos, mantêm esse estado de espírito. Ora, tais soluções não existem hoje, e não estamos prestes a encontrá-las sem riscos consideráveis para a humanidade. É isso que Clive Hamilton [4], por exemplo, denuncia veementemente. Então, cessemos de sonhar que uma alga patenteada pelo Massachusetts Institute of Technology - MIT vá conseguir digerir o carbono que lançamos na atmosfera. Reconheçamos que precisamos mudar de estilo de vida. Eis o apelo que nos lança a Encíclica.

"A Encíclica retoma temas bem conhecidos do pensamento de Jacques Ellul"

 

IHU On-Line – De que forma as crises ambiental e social estão relacionadas à questão econômica? Como isso fica evidenciado na Encíclica?

Gaël Giraud - O desajuste climático é a injustiça em mais alto grau. De fato, ele afetará muito mais rápido e de forma muito mais duradoura os mais pobres. Tanto os países do Sul mais pobres como, em cada país, as populações mais pobres. Aliás, essa é uma das razões pelas quais as elites econômicas de um grande número de países não levam a sério o desajuste climático e a destruição da biodiversidade. Elas estão convencidas de que terão riqueza suficiente para se salvarem disso, enquanto os pobres morrerão.

Ora, a economia neoclássica dominante alega que as questões de justiça não contam: a divisão da riqueza não é ditada, nesse pensamento econômico, por uma lógica política, tampouco, portanto, por considerações éticas, sendo puramente ditada por uma lógica interna ao mercado. Pelo menos, é o que alega a economia neoclássica. Porém, isso não é verdadeiro: a economia neoclássica fracassou completamente em seu programa epistemológico que consiste em excluir a justiça social do campo da economia.

Na realidade, tornou-se um puro instrumento ideológico de defesa dos interesses dos mais ricos. Da mesma maneira que o marxismo-leninismo se tornou, na União Soviética, um puro instrumento ideológico de defesa dos interesses dos caciques do Partido. Assim, a adoção da economia neoclássica como paradigma dominante na formação das elites, dos economistas, dos funcionários públicos, etc., gerou aquilo a que essa economia visa: a apropriação, por uma minoria cada vez menor, da riqueza produzida; a explosão das desigualdades, à custa dos mais pobres. Isso é também denunciado pela Encíclica.

Além disso, essa ideologia neoclássica está alicerçada na ideia de que o crescimento da produção é uma coisa boa em si. É neste aspecto que ela adere à quimera de uma salvação pela técnica. Existe uma conivência muito forte entre o produtivismo, o culto da técnica, a concorrência como modo de relação universal e a ideologia neoclássica.

Observem como erigimos o crescimento do Produto Interno Bruto - PIB em bezerro de ouro! Ora, o crescimento do PIB é acompanhado por um crescimento proporcional das devastações ecológicas e do consumo de energia (fóssil na maioria das vezes). Enquanto nossas economias não conseguirem desvincular a prosperidade do consumo de energia fóssil, continuaremos destruindo o planeta, fazendo de conta que estamos trabalhando pelo bem de todos, ao passo que essa destruição beneficia tão somente um pequeno grupo.

IHU On-Line – Qual a relação da crise ecológica apresentada pelo Papa Francisco e os altos níveis globais de desigualdade?

Gaël Giraud - De forma pertinente, a Encíclica estabelece uma ponte entre a explosão das desigualdades e a crise ambiental. Como expliquei em meu livro Le facteur 12. Pourquoi il faut plafonner les revenus (Paris: Carnets Nord-Montparnasse éditions, 2012) está constatado, hoje, que são os ricos que poluem mais. O modo de vida deles os leva a emitir consideravelmente mais gases de efeito estufa do que os mais pobres. Isto é verdadeiro tanto em nível nacional (cada canadense emite, em média, mais de dez vezes mais carbono que um habitante do Zâmbia), quanto dentro de um mesmo país. Ora, como acabamos de ver, o enriquecimento dos mais ricos não traz nenhuma garantia de prosperidade aos mais pobres. Assim, as desigualdades significam simplesmente que os mais ricos conseguem captar uma parte crescente da riqueza produzida (por todos) para o seu benefício pessoal. E essa acumulação de riqueza os leva a adotar modos de vida predadores em relação ao planeta, logo, em relação às gerações vindouras. É por essa razão que se faz necessário reduzir as desigualdades para salvar o clima.

IHU On-Line – A dívida externa é um dos temas mais discutidos em nível global, como, por exemplo, a questão contemporânea da Grécia. No entanto, a dívida ecológica não entra na pauta das relações internacionais. De que forma isso evidencia uma espécie de degradação ética e ambiental?

Gaël Giraud - A dívida pública da Grécia é um pretexto, encontrado pelas autoridades europeias, para provocar a saída da Grécia da zona do euro. Martin Schulz [5] afirmou isto explicitamente, e Wolfgang Schäuble [6] também: a intenção do governo alemão e do eurogrupo não é ajudar a Grécia a se salvar. É excluir a Grécia a qualquer preço ou derrubar o governo Tsipras. No segundo caso, isso levaria a Grécia a seguir a trajetória da Itália, depois da substituição de Berlusconi [7] por Monti [8] (um técnico neoclássico sem nenhuma legitimidade democrática, que foi afastado da vida política italiana assim que os italianos puderam votar!).

O equivalente grego de Monti instauraria maior austeridade orçamentária, continuaria reduzindo os salários e rebaixaria a Grécia, no plano econômico, ao nível de um povoado chinês rural. Dessa maneira, os industriais alemães poderiam investir na Grécia, colocando os gregos a trabalhar com níveis salariais chineses.

A prosperidade industrial alemã tem se baseado, nos últimos vinte anos, em suas “colônias do interior”, isto é, pagando salários de miséria para aqueles que trabalham arduamente no lugar dos alemães. Mas o governo de Angela Merkel [9], sem dúvida, entendeu que essa estratégia, aplicada com êxito no leste europeu, não funcionará com a Grécia. O comunismo não é comparável à Igreja ortodoxa: ao contrário dos antigos países do bloco soviético, a Grécia não dispõe de uma administração pública suficientemente forte para impor um regime econômico de ferro a assalariados subpagos.

Portanto, o governo alemão tomou a primeira opção, a do Grexit [10]. Aliás, nem todos os alemães concordam com essa estratégia. É o caso, notadamente, de Sven Giegold [11]. Por que o governo Merkel-Schäuble-Schulz fez essa opção? Por temor de que as regras da zona do euro sejam questionadas.

De fato, a zona do euro é uma zona sem projeto político, que funciona somente por regras, as quais, por sua vez, foram inspiradas em uma economia neoclássica (que, como vimos, é mentirosa). Essa zona está construída com base na ideia (falsa) de que o equilíbrio orçamentário é desejável a priori, de que as dívidas privadas não têm nenhuma importância e de que, quando as finanças públicas de um país se descontrolam, convém adotar a austeridade a qualquer preço.

Nem todas essas receitas funcionam, como temos visto fartamente nos últimos cinco anos pelo menos. É por temer uma contestação dessas regras (que não têm nenhum fundamento sério) que o governo alemão quer provocar a saída da Grécia, para fazer dela um exemplo capaz de insuflar medo nos outros países: Portugal, Espanha, Itália e, sobretudo, França.

"A economia neoclássica fracassou completamente em seu programa epistemológico que consiste em excluir a justiça social do campo da economia"

O Papa Francisco já denunciou o absurdo dos credores europeus que exigem o pagamento de uma dívida que os gregos nunca conseguirão pagar. Em sua Encíclica, ele denuncia a “dívida ecológica”, ou seja, o fato de que, extraindo hoje da natureza mais do que ela é capaz de nos dar sem pôr em perigo sua própria renovação, acumulamos uma dívida muito maior do que os bilhões que a dívida da Grécia representa. Se avaliarmos, por exemplo, as degradações que infligimos ao planeta pela nossa pegada ecológica, esta é, hoje, equivalente a cerca de um planeta e meio. Em outras palavras, os ricos (pois são eles que, em sua maioria, degradam o planeta, como já disse acima) vivem como se tivessem à sua disposição planeta e meio. A quem eles devem essa dívida ecológica? A toda a humanidade que vive hoje no planeta e que já sofre com o desajuste climático (como, por exemplo, os habitantes das ilhas do Pacífico, principalmente em Vanuatu, que em breve será engolida pela subida do nível das águas), bem como à humanidade que habitará esse planeta nos próximos anos e que sofrerá ainda mais com o desajuste climático.

O pagamento dessa dívida é uma questão elementar de justiça. O Papa não está fazendo nada mais que lembrar a justiça. E a tradição bíblica, desde sempre, fez da justiça a marca distintiva da santidade, da amizade com Deus. Em outras palavras, aos olhos de Francisco, a recusa pelos mais ricos de pagar sua dívida ecológica é um imenso pecado. Talvez o pecado mais grave hoje.

IHU On-Line - Que tipo de “progresso” Bergoglio propõe quando sustenta que devemos redefinir tal conceito?

Gaël Giraud - É preciso entender que o progresso humano não pode ser medido pela técnica, tampouco pelo lucro. Mede-se, sobretudo, pela qualidade das relações sociais que tecemos entre nós. Assim, a Encíclica insiste muito na vertente relacional da antropologia. O ser humano é, antes de tudo, relação. Com Deus, com outrem, com a natureza. E quando danifica uma dessas três relações, ele danifica automaticamente as duas outras. O progresso é a cura do que está ferido nessas relações, é a regeneração de uma maneira santa de nos relacionarmos uns com os outros, com Deus e com a natureza. Desenvolvi, juntamente com Cécile Renouard [12], um índice que batizamos de Relational Capability Index, que mede a qualidade do tecido social. É uma maneira de medir o progresso.

IHU On-Line – De que forma a ideia da “mão invisível do mercado” e, consequentemente, a racionalidade moderna fracassaram no projeto de desenvolvimento humano? De que forma esta matriz de pensamento nos levou ao paradigma tecnocrático contemporâneo?

Gaël Giraud - Como eu disse, o mercado é muito ineficiente. A pobreza está longe de ter desaparecido no mundo. Em realidade, as estatísticas que mostram que a proporção do número de pobres diminuiu se esquecem de explicar que isso se deve essencialmente à política voluntarista da China. E isso nada tem a ver com o Consenso de Washington [13] ou o livre-comércio, uma vez que a China é um dos raros países do planeta que não adotaram a economia neoclássica como paradigma.

 

"De fato, os financistas têm a maior fatia de responsabilidade no desastre atual"

IHU On-Line – Quais saídas a Encíclica aponta? De que forma o texto aborda as complexidades de nosso tempo?

Gaël Giraud - A Encíclica diz muito claramente que a finança é o principal obstáculo ao progresso. De fato, os financistas têm a maior fatia de responsabilidade no desastre atual. Este foi um tema denunciado muitas vezes pelo Papa Francisco: muitos financistas são os grandes sacerdotes de uma religião pagã que erigiu o dinheiro em bezerro de ouro.

Portanto, primeiro ponto muito concreto: a Encíclica recomenda neutralizar o poder dos banqueiros. Já era o que dizia o Papa Pio XI, [14] em 1931, em sua encíclica Quadragesimo Anno [15].

Segundo ponto: a Encíclica evoca também muito claramente a necessidade de os países do Norte aceitarem “certo decrescimento”. É preciso romper com o produtivismo, a loucura da concorrência de todos contra todos, do crescimento do PIB a qualquer custo.

Em seguida, em seu grande discurso de Santa Cruz de la Sierra, Francisco diz, de forma ainda mais clara do que na Encíclica, que a “chave” são os pobres. São eles que inventarão formas humanas e dignas de vida. A economia solidária, a partilha, as cooperativas, a economia circular são exemplos dessas invenções.

IHU On-Line – Bergoglio diz na Encíclica: “Às vezes, para que haja uma liberdade econômica da qual todos realmente se beneficiem, pode ser necessário pôr limites àqueles que detêm maiores recursos e poder financeiro” (LS 129). É possível fazer uma relação desta perspectiva com propostas que defendem a taxação às grandes fortunas? Como?

Gaël Giraud - É claro. Aumentar o imposto sobre a fortuna é uma maneira entre muitas outras de estabelecer limites para aqueles que dispõem de mais meios de destruir o planeta e, portanto, de ferir a Deus e aos homens. Mas existem muitas outras maneiras. O problema do imposto é que ele sempre intervém tarde demais. Ele supõe que a relação de forças já esteja estabelecida, para tentar corrigir desigualdades ex post. Então, ele não contesta radicalmente o modo de produção e as desigualdades que o acompanham. É isso que meu colega Piketty [16] não entende. Ao propor um imposto sobre o capital, Piketty quer apenas manter o sistema. O Papa Francisco, ao contrário, pede que se implemente “outro sistema”. Como fazer isso? Em meu livro Vingt propositions pour réformer le capitalisme (Paris: Ed. Flammarion, 2009), apresento várias propostas nesse sentido. O mais urgente e importante é reformar a finança. Cindir os bancos entre bancos de depósitos e bancos de mercado, principalmente.

IHU On-Line – De que maneira a Encíclica coloca em pauta outro tipo de racionalidade e como isso pode impactar e tensionar a compreensão hegemônica da economia?

Gaël Giraud - A racionalidade que a Encíclica propõe é aquela do amor, da ternura. A que a economia neoclássica promove é uma racionalidade mortífera, de uma humanidade que não crê mais em seu futuro e cujas elites tentam se apropriar do máximo de riquezas possíveis para salvar sua pele quando o Titanic afundar.

IHU On-Line – O senhor deseja acrescentar algo?

Gaël Giraud - Leiam a Encíclica! É provavelmente o texto magisterial mais importante que a Igreja católica escreveu desde o Concílio Vaticano II [17].

Por Ricardo Machado | Tradução Vanise Dresch

Notas:

[1] Kenneth Joseph Arrow (1921): é um economista estadunidense. Recebeu o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1972. É considerado um dos fundadores da moderna (pós Segunda Guerra Mundial) economia neoclássica. (Nota da IHU On-Line)

[2] Gérard Debreu (1921-2004): foi um economista estadunidense (naturalizado em 1974) de origem francesa. Foi laureado com o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1983. (Nota da IHU On-Line)

[3] Jacques Ellul: nascido em Bordeaux, na França, o teólogo foi um dos líderes da resistência francesa durante a 2ª Guerra Mundial. Trabalha com tecnologia, fazendo uma aproximação determinista e fatalista. Entre os livros publicados está Anarchy and Christianity (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co 1991), em que argumenta que o anarquismo e o cristianismo têm as mesmas perspectivas sociais. (Nota da IHU On-Line)

[4] Clive Charles Hamilton (1953): é um australiano intelectual público e professor de Ética Pública do Centro de Filosofia Aplicada e Ética Pública, e vice-chanceler em Ética Pública da Charles Sturt University. É membro do Conselho de Administração da Autoridade de Mudanças Climáticas do governo australiano, além de fundador e ex-diretor executivo do The Institute Australia. (Nota da IHU On-Line)

[5] Martin Schulz (1955): é um político alemão pertencente ao Partido Social-Democrata da Alemanha (filiado à Internacional Socialista). Schulz é deputado do Parlamento Europeu desde 1994, foi desde 2004 o coordenador da bancada socialista e foi eleito Presidente do Parlamento Europeu em 17 de Janeiro de 2012. (Nota da IHU On-Line)

[6] Wolfgang Schäuble (1942): é um político alemão do partido União Democrata-Cristã. É desde 22 de novembro de 2005 o Ministro das Finanças da Alemanha de Merkel. (Nota da IHU On-Line)

[7] Silvio Berlusconi (1936): líder político do partido Força Itália, que criou especificamente para sua entrada na vida política. É o proprietário do império midiático italiano Mediaset, além de empresário de comunicações, bancos e entretenimento. É a pessoa mais rica da Itália, segundo a revistas Forbes, e o 37º mais rico do mundo. Foi acusado inúmeras vezes de corrupção e ligações com a Máfia. Gerou polêmica na Europa ao apoiar a Guerra dos EUA contra o Iraque, em 2003. (Nota da IHU On-Line)

[8] Mario Monti (1943): é um economista e político italiano, Primeiro-ministro de seu país, de 2011 a 2013. Foi comissário europeu durante dois mandatos consecutivos e reitor e presidente da Universidade Luigi Bocconi. Em 2011, em meio à Crise do Euro, foi eleito Presidente do Conselho de Ministros, tendo sido nomeado, antes disso, senador vitalício no Senado italiano. (Nota da IHU On-Line)

[9] Angela Merkel (1954): cientista e política alemã, é chanceler de seu país desde 2005 e líder do partido União Democrata-Cristã - CDU desde 2000. Em setembro de 2013 sua coligação venceu por ampla maioria as eleições legislativas, sem, contudo, obter a maioria absoluta que lhe permitiria formar um terceiro mandato sem outras coligações. É, na atualidade, uma das principais líderes da União Europeia. (Nota da IHU On-Line)

[10] Termo para designar a expulsão da Grécia da zona do euro. (Nota do Tradutor)

[11] Sven Giegold (1969): é um político alemão pela Aliança 90/Verdes e um dos membros fundadores da Attac Alemanha. Ele se tornou um membro dos Verdes apenas em 2008, e foi eleito para o Parlamento Europeu nas eleições de 2009. (Nota da IHU On-Line)

[12] Cecile Renouard: desde 2006 ensina ética social e filosofia moral e política no Centro Sèvres, em Paris. De formação inicial econômica e comercial, estudos de teologia e filosofia a levaram a escrever uma tese de filosofia política sobre a responsabilidade ética das empresas multinacionais nos países em desenvolvimento. (Nota da IHU On-Line)

[13] Consenso de Washington: conjunto de medidas composto por dez regras básicas, formulado em novembro de 1989 por economistas de instituições financeiras baseadas em Washington D.C., como o FMI, o Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, fundamentadas num texto do economista John Williamson, do International Institute for Economy, e que se tornou a política oficial do Fundo Monetário Internacional em 1990, quando passou a ser "receitado" para promover o "ajustamento macroeconômico" dos países em desenvolvimento que passavam por dificuldades. (Nota da IHU On-Line)

[14] Papa Pio XI (1857-1939): nascido Ambrogio Damiano Achille Ratti, foi Papa de 6 de fevereiro de 1922 até a data da sua morte. (Nota da IHU On-Line)

[15] Quadragesimo Anno: Encíclica "sobre a restauração e aperfeiçoamento da ordem social em conformidade com a Lei Evangélica no XL aniversário da Encíclica de Leão XIII 'Rerum Novarum'", de autoria do Papa Pio XI, publicada em 15 de maio de 1931, disponível em http://migre.me/4mXxa. (Nota da IHU On-Line)

[16] Thomas Piketty (1971): economista francês, concentra seus estudos no acúmulo e desigualdade de renda. É diretor de pesquisas da École des hautes études en sciences sociales (EHESS) e professor da Escola de Economia de Paris. Seu livro best-seller, O Capital no Século XXI, enfatiza as questões do acúmulo de renda nos últimos 250 anos, e argumenta que o acúmulo de capital cresce mais rápido que a economia, o que gera desigualdade. A edição 449 da IHU On-Line, intitulada A desigualdade no século XXI. A desconstrução do mito da meritocracia, inspira-se na obra O Capital no Século XXI e foi publicada meses antes de a obra ser publicada traduzida no Brasil. (Nota da IHU On-Line) 

[17] Concílio Vaticano II: convocado no dia 11-11-1962 pelo Papa João XXIII. Ocorreram quatro sessões, uma em cada ano. Seu encerramento deu-se a 8-12-1965, pelo Papa Paulo VI. A revisão proposta por este Concílio estava centrada na visão da Igreja como uma congregação de fé, substituindo a concepção hierárquica do Concílio anterior, que declarara a infalibilidade papal. As transformações que introduziu foram no sentido da democratização dos ritos, como a missa rezada em vernáculo, aproximando a Igreja dos fiéis dos diferentes países. Este Concílio encontrou resistência dos setores conservadores da Igreja, defensores da hierarquia e do dogma estrito, e seus frutos foram, aos poucos, esvaziados, retornando a Igreja à estrutura rígida preconizada pelo Concílio Vaticano I. O Instituto Humanitas Unisinos - IHU produziu a edição 297, Karl Rahner e a ruptura do Vaticano II, de 15-6-2009, disponível em http://bit.ly/o2e8cX, bem como a edição 401, de 03-09-2012, intitulada Concílio Vaticano II. 50 anos depois, disponível em http://bit.ly/REokjn, e a edição 425, de 01-07-2013, intitulada O Concílio Vaticano II como evento dialógico. Um olhar a partir de Mikhail Bakhtin e seu Círculo, disponível em http://bit.ly/1cUUZfC.(Nota da IHU On-Line).

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