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Entrevistas

Rio Grande do Sul terá baixo crescimento populacional nas próximas décadas. Entrevista especial com Pedro Tonon Zuanazzi

“Podemos projetar com razoável precisão que a população gaúcha deve atingir seu ápice em torno de 2030 e depois deve começar a diminuir”, afirma pesquisador da Fundação de Economia e Estatística – FEE.

Confira a entrevista.


A perspectiva de baixo crescimento da população gaúcha nas próximas décadas requer um planejamento estratégico para atender a uma população mais idosa e menos ativa economicamente em 2050. Segundo o pesquisador da Fundação de Economia e Estatística FEE, Pedro Tonon Zuanazzi, responsável pelo estudo Cenários demográficos para o Rio Grande do Sul, as modificações demográficas impactarão “fortemente áreas como previdência, educação e saúde”. Afirma, em sua entrevista concedida por e-mail, que as mudanças previstas com antecedência contribuem para reavaliar o planejamento estatal futuro. “Há décadas falávamos muito, e com razão, em abrir escolas. Porém, com o decréscimo do número de jovens, talvez essa necessidade não seja mais tão importante no futuro quanto foi no passado”.

Como em 2050 um quarto (1/4) da população gaúcha será formada por idosos em função da baixa fecundidade e migração, Zuanazzi destaca que poderão surgir problemas com a previdência social, “pois quem sustenta a aposentadoria dos idosos hoje é a população que está trabalhando atualmente. Conforme a proporção do número de trabalhadores perante o número de idosos diminui, podemos ter problemas”.

 

 

 

Pedro Tonon Zuanazzi é estatístico da Fundação de Economia e Estatística – FEE e mestrando na Universidade do Rio Grande do Sul – UFRGS.

 

 

 

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são as principais conclusões do seu estudo intitulado "Cenários demográficos para o Rio Grande do Sul"?

Pedro Tonon Zuanazzi –
Uma das conclusões é o fato de que o Rio Grande do Sul foi o estado que menos cresceu em população nos últimos 10 anos. Enquanto o Brasil teve um aumento de 12,5% no período, o estado cresceu 5%. Esses dados já foram amplamente divulgados pela imprensa quando foram divulgados os dados do Universo do Censo 2010.

Com base na estrutura etária e por sexo da população gaúcha no censo 2010, a FEE projetou o número de nascimentos e óbitos através de técnicas de projeção populacional, e criou cenários futuros para a população total do Rio Grande do Sul nas próximas décadas. Esse estudo que realizamos ainda é preliminar; estudos definitivos serão recalculados quando forem divulgados os dados da amostra do Censo.

Primeiramente, a menos que tenhamos uma mudança significativa no saldo migratório do Rio Grande do Sul nas próximas décadas, podemos projetar com razoável precisão que a população do gaúcha deve atingir seu ápice em torno de 2030 (trabalhamos com um cenário mais próximo em 2025 e um cenário mais distante em 2035) e depois deve começar a diminuir.

Além de trabalhar com cenários para a população total, também projetamos a população por faixa de idade: o número de jovens (até 14 anos) deve diminuir continuamente nas próximas décadas; o número de pessoas na idade potencialmente ativa (15 a 65 anos) deve crescer aproximadamente até 2020 e depois passar a diminuir; e o número de idosos (65 anos ou mais) deve aumentar continuamente.

O impacto dessas transições demográficas reflete-se na razão de dependência do estado, indicador que representa a razão do número de pessoas em idade inativa (jovens e idosos) pelo número de pessoas em idade potencialmente ativa. Ou seja, quanto menor a razão de dependência, melhor. Ela diz respeito à contribuição oferecida pela demografia ao desenvolvimento econômico do estado. Quando essa razão está diminuindo (processo que se iniciou no Rio Grande do Sul na década de 1960), tem-se a primeira etapa do bônus demográfico. Com boa precisão, em torno de 2015, essa etapa deve terminar, com a razão de dependência atingindo um mínimo em torno de 41,8%. A segunda etapa do bônus (quando a razão de dependência está abaixo de 50%) teve início em 2000, e essa deve se prolongar por mais tempo, terminando entre 2030 e 2040.

IHU On-Line – Na última década, em que regiões do estado houve maior e menor crescimento populacional?

Pedro Tonon Zuanazzi –
Quando avaliamos os últimos 10 anos, em percentual, o maior crescimento foi no litoral norte do estado. Dos 10 municípios com maior aumento, sete são dessa região. Destaca-se também Caxias do Sul, que teve o maior crescimento absoluto (75,1 mil habitantes), o que significou um aumento de 21% da população. Quanto aos que mais decresceram, destacam-se os municípios juntos ao rio Uruguai e a fronteira oeste.

IHU On-Line – Quais regiões e municípios gaúchos devem crescer mais nos próximos anos?

Pedro Tonon Zuanazzi –
Infelizmente essa é uma questão mais difícil de ser respondida. Quando projetamos os cenários futuros para o total do estado, consideramos o saldo migratório (número de imigrantes menos emigrantes) nulo. Para o total do estado essa hipótese é relativamente aceitável, tendo em vista o baixo saldo migratório histórico. Contudo, se abrirmos as projeções por município, não podemos adotar a mesma hipótese, pois os fluxos migratórios dentro do Rio Grande do Sul são historicamente altos e podem variar muito dependendo do desempenho econômico das regiões nas próximas décadas.

IHU On-Line – Qual é a perspectiva para o Rio Grande do Sul nos próximos anos, considerando este cenário de baixo crescimento populacional e a inversão da razão de dependência?

Pedro Tonon Zuanazzi –
O Rio Grande do Sul deve estar pronto para essas modificações demográficas, pois elas podem impactar fortemente áreas como previdência, educação, saúde, etc. Há décadas falávamos muito, e com razão, em abrir escolas. Porém, com o decréscimo do número de jovens, talvez essa necessidade não seja mais tão importante no futuro quanto foi no passado. Quanto à saúde, será que estamos preparados para o aumento do número de idosos que ocorrerá? Em 2050 eles deverão ser quase 1/4 da população. O caso da previdência, então, é ainda mais discutido, pois quem sustenta a aposentadoria dos idosos hoje é a população que está trabalhando atualmente. Conforme a proporção do número de trabalhadores perante o número de idosos diminui, podemos ter problemas. Enfim, esses cenários podem ser frutos de diversos debates.

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