''As finanças solidárias democratizam o sistema financeiro''. Entrevista especial com Nicolás Meyer

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20 Dezembro 2011

A crise ética por que passa o sistema financeiro internacional após sucessivas crises tem posto em risco as economias ocidentais e reacende o debate de pensar formas alternativas ao atual modelo econômico.  Entre as opções para um sistema mais justo e menos desigual, Nicolás Meyer propõe a expansão de bancos comunitários, os quais "permitem que as comunidades gerenciem e administrem sua própria riqueza". Na avaliação dele, essas instituições "produzem um processo de apoderamento muito forte na vida das pessoas. (...) A autoestima e confiança crescem ao sentirem-se capazes de decidir, de trabalhar juntas, de ver que seus esforços melhoram a comunidade".

Em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line, Meyer diz que o projeto da economia solidária é ameaçado constantemente pelo capitalismo, o que põe em xeque a manutenção de um sistema alternativo. "A principal disputa é simbólica, ou seja, na confiança que as pessoas outorgam a um ou outro sistema. O capitalismo se crê invencível e poderoso, desacreditando e intentando destruir todas as experiências alternativas de economia solidária", avalia.

Nicolás Meyer é atualmente diretor da Nuestras Huellas, uma associação civil sem fins lucrativos impulsionada por um grupo de argentinos desde junho de 2002 e que tem o ânimo e o compromisso de contribuir para melhorar as condições de vida dos setores mais carentes da Grande Buenos Aires.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que diferencia os bancos comunitários de microcrédito dos bancos privados tradicionais?

Nicolás Meyer – Os bancos comunitários são organizações financeiras de bairro e permitem que as comunidades gerenciem e administrem sua própria riqueza, expressa em suas poupanças. Favorece que o dinheiro fique na comunidade. Os vizinhos conhecem as necessidades de sua comunidade e podem desenhar sistemas de financiamento segundo a realidade em que vivem.

IHU On-Line – O que diferencia os bancos de microcrédito a partir da perspectiva da economia solidária? Eles dão conta dos princípios dessa forma de economia?

Nicolás Meyer – A economia solidária propõe outro sistema econômico em todos os seus âmbitos e processos. Por isso as finanças solidárias são transversais a todos os processos de produção, comercialização e consumo; assim, por exemplo, nos âmbitos da cultura, o habitat, etc. Por isso o microcrédito é uma das ferramentas das finanças solidárias e, talvez, uma das pontes mais concretas para se passar das finanças convencionais capitalistas às finanças solidárias. O microcrédito deve ser acompanhado por outras ações e estratégias que o complementem; caso contrário facilmente iria se transformar num financiamento para pobres e somente de subsistência.

IHU On-Line – Pode-se dizer que existem bancos de/para pobre e bancos de/para rico? Como as cooperativas de crédito atuam nesse contexto?

Nicolás Meyer – Creio que mais do que bancos para pobres e ricos, existem sistemas de financiamento para uns e outros. Os bancos são somente um elo na cadeia. As finanças solidárias não devem ser somente para pobres: devem propor uma alternativa para que todos e todas administremos e utilizemos nosso dinheiro. Não conheço muito a realidade das cooperativas de crédito, pois na Argentina estão muito pouco desenvolvidas; temos uma normativa muito dura.

IHU On-Line – O cooperativismo das grandes empresas e cooperativas pode engolir, e até destruir, o cooperativismo popular? O projeto da economia solidária como sistema social e econômico alternativo ao capitalismo pode estar ameaçado?

Nicolás Meyer – Seguramente está ameaçado e essa é uma disputa constante. A principal disputa é simbólica, ou seja, na confiança que as pessoas outorgam a um ou outro sistema. O capitalismo se crê invencível e poderoso, desacreditando e intentando destruir todas as experiências alternativas de economia solidária.

IHU On-Line – O que falta para que a economia solidária possa substituir ou ser, de fato, uma alternativa à economia tradicional? Qual é o impasse para a construção de novas ações dentro da economia solidária?

Nicolás Meyer – Creio que faltam políticas públicas que promovam e facilitem o desenvolvimento das fianças solidárias. Para isso necessitamos uma administração política que entenda e creia na economia solidária. Também faltam organizações, grupos e pessoas que se animem a trabalhar nessa área e a inovar com novas propostas. Por último, para mencionar somente algumas, creio que também falta articulação entre todos os atores que estão envolvidos na economia solidária; com isso ter-se-iam mais força e representatividade na hora de lutar por diferentes temas.

IHU On-Line – Como funciona o banco Nuestras Huellas? Qual é objetivo central da instituição e como ela promove a economia solidária?

Nicolás Meyer – O objetivo central de Nuestras Huellas é criar nos bairros populares sistemas de finanças solidárias, principalmente mediante os bancos comunitários, para que as pessoas possam crescer na autonomia financeira e decidir como querem administrar e utilizar seu dinheiro. Nesse processo escolhemos atuar com mulheres que trabalham independentemente.

IHU On-Line – De que modo os bancos de microcréditos têm modificado a vida das pessoas? Em que sentido as finanças solidárias democratizam o sistema financeiro?

Nicolás Meyer – Os bancos comunitários produzem um processo de apoderamento muito forte na vida das pessoas. Isso é um pouco o que trato de mostrar em um artigo recente que escrevi. A autoestima e confiança crescem ao sentirem-se capazes de decidir, de trabalhar juntas, de ver que seus esforços melhoram a comunidade. As finanças solidárias democratizam o sistema financeiro porque voltam a pôr em mãos dos atores centrais os recursos e as decisões. As finanças saem de seu lugar de complexidade e descem à realidade cotidiana das pessoas, com sua linguagem, seus códigos e suas modalidades.

IHU On-Line – Até que ponto se pode falar de ética nas finanças e na economia regulada, considerando o modelo econômico atual?

Nicolás Meyer – É um grande desafio, é um debate que é preciso enfrentar. Poucas pessoas se metem nas finanças, e até pareceria que é preciso ser doutor em economia para poder opinar. É necessário que as finanças se humanizem, se socializem para que todos as sigamos e entendamos. Constantemente decisões no mundo das finanças estão sendo tomadas, algumas éticas e outras não. De todo modo, é importante que não seja tudo do mesmo e que os que tomam decisões não éticas possam prestar contas, deixando claras as razões pelas quais estão fazendo, caso queiramos que eles administrem nosso dinheiro.

 

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