Entre o riso e a melancolia: uma análise sobre Proust. Entrevista especial com Leda Tenório da Motta

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28 Janeiro 2008

Em seu livro Proust: a violência sutil do riso (São Paulo: Perspectiva, 2007), a professora e crítica literária Leda Tenório da Motta faz uma retomada da obra do escritor francês sob o viés do humor, uma raridade em sua bibliografia. Ela aponta que a principal influência para seu estudo crítico foi a leitura de Os chistes e sua relação com o inconsciente, de Sigmund Freud. Desse modo, Leda afirma que o argumento freudiano é que o cômico, “sendo sempre um repúdio das coisas impostas, a começar pela própria linguagem, que sai arranhada das tiradas espirituosas, principalmente das que enveredam pelos disparates (...), é associável ao trabalho do inconsciente, que também arruína a lógica e a coerência do discurso para fazer passar seus conteúdos proibidos”.

Resultado de uma tese de doutorado em Semiologia Literária, feita na Université de Paris VII e orientada por Julia Kristeva, o estudo de Leda Tenório é uma peça-chave, no universo brasileiro, para se entrar em contato com Proust. Ele é acessível mesmo a quem não domina sua obra, que apresenta livros como Em busca de Swann e Em busca do tempo perdido. Um estudo que, antes de tudo, destaca a relação entre o texto proustiano e o contexto que o cercava - que não se sobrepunha à literatura, mas a alimentava.

Nesta entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line, Leda faz uma retomada dos principais aspectos de seu livro, abordando, por exemplo, a relação entre riso e melancolia (com detalhes a respeito da visão proustiana sobre o judeu e o homossexualismo) e entre Proust e Baudelaire. Ao mesmo tempo, analisa alguns apontamentos feitos a respeito do escritor francês por Barthes, de quem Leda foi aluna, em seu curso A preparação do romance (editado no Brasil como A preparação do romance II, pela Martins Fontes, em tradução de Leyla Perrone-Moisés).

Leda Tenório da Motta possui graduação em Letras Modernas, pela Universidade de São Paulo (1972), e mestrado em Semiologia Literária, pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales (1978). Fez pós-doutorados na Université de Paris VII (1986-1988) e no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1995-1997). É hoje professora no Programa de Estudos Pós-Graduados da PUC-SP, onde vem se dedicando aos objetos da comunicação, entendidos como fatos de linguagem, e à psicanálise dos discursos midiáticos. Realiza pesquisa sobre as relações entre as literaturas de vanguarda e as infopoéticas e hipertextos contemporâneos, sobre as dívidas do pensamento de Lacan para com a literatura francesa e sobre os muitos lugares ocupados hoje pela crítica, com ênfase na obra de Haroldo de Campos, sobre quem organizou o livro Céu acima: para um tombeau de Haroldo de Campos (São Paulo: Perspectiva, 2005).

É autora, além disso, de Catedral em obras (São Paulo: Iluminuras, 1995), Lições de literatura francesa (São Paulo: Imago, 1997), Francis Ponge – O objeto em jogo (São Paulo: Iluminuras, 1999), Sobre a crítica literária brasileira (São Paulo: Imago, 2002) e de Literatura e contracomunicação (São Paulo: Marco, 2003).

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Qual é a violência sutil do riso que encontramos em Proust (1) e o que a caracteriza, especialmente porque essa não é a imagem mais comum que temos dele? Pode nos contar, também, como a idéia para esse estudo?

Leda Tenório da Motta - O Freud (2) tem toda uma discussão sobre o riso em Os chistes e sua relação com o inconsciente. Foi essa obra freudiana, em que ninguém presta muita atenção, nem mesmo os psicanalistas, mas que está ligada à própria implantação da psicanálise, pois ela é de 1905, que me abriu os olhos para a importância do tema. Nesse livro magistral, lemos que há correlação entre o inconsciente e as muitas formas do cômico. O argumento de Freud é que, sendo sempre um repúdio das coisas impostas, a começar pela própria linguagem, que sai arranhada das tiradas espirituosas, principalmente das que enveredam pelos disparates, o cômico é associável ao trabalho do inconsciente, que também arruína a lógica e a coerência do discurso para fazer passar seus conteúdos proibidos. Trata-se de uma trapaça ou de um drible sutil que é comum às duas operações e que mostra, portanto, que são da mesma família. Bom... daí para Proust foi um passo porque, munida dessa revalorização freudiana da comédia, que a psicanálise reencontra no fundo da nossa vida psíquica, eu ousei perceber que havia um arsenal de anedotadas na obra-prima proustiana, Em busca do tempo perdido, esperando para ser reconhecido e comentado, inclusive à luz da ciência do inconsciente.

IHU On-Line - Como é possível traçar uma inter-relação entre esse humor e o traço da melancolia, abordado no capítulo “A comédia proustiana da consciência dividida”? Em que romances proustianos isso fica transparecido?

Leda Tenório da Motta - Se o riso é uma maneira de driblar as imposições ou as agruras da vida que se abatem sobre nós, acho que a sua relação com a melancolia fica clara. No fundo, o sujeito que parte para fazer humor com seus problemas nada mais está fazendo que afugentar a realidade que o machuca. Isso tem tudo a ver com a realidade vivida por Proust, em seu tempo, de resto. Trata-se de um escritor judeu, que, como judeu, enfrentou a primeira onda de anti-semitismo moderno, aquela deflagrada na França do final do século XIX que passou para a história com o nome de Caso Dreyfus (3). Isso diz respeito a uma enorme perseguição deflagrada contra um oficial judeu-francês do exército alemão, injustamente acusado de passar informações secretas aos alemães, por ocasião das guerras prussianas ou bismarkainas. Nesse contexto, todas as muitas anedotas sobre judeus que encontramos em Em busca do tempo perdido podem ser vistas como manifestações típicas do humor judaico. O humor judaico tem esse traço melancólico da auto-ironia. Alguns o definem como uma espécie de curativo de uma ferida narcísica. O que acontece é que o sujeito ri de si mesmo e de seus problemas, adiantando-se ao mundo externo que dele escarnece e criando assim barreiras psíquicas contra essa dor.

IHU On-Line - Com quais escritores Proust está mais entrelaçado? A senhora, em sua obra, trata, sobretudo, dos franceses. Proust deixou-se influenciar por autores de outros países que não o seu?

Leda Tenório da Motta - No primeiro capítulo do meu livro, eu tento fazer toda essa genealogia de que fala a sua pergunta. Como eu mostro ali, há diferentes gerações de escritores franceses, em diferentes nichos literários, com que Proust disputa um lugar ao sol, numa corrida para se fazer respeitar, em sua época, que é tão mais dramática  quanto o que ele faz é completamente inaudito. Entram aí os romancistas de uma velha guarda francesa, entre os quais se destaca Anatole France (4), que é à época um monstro sagrado; os realistas-naturalistas, cujo expoente é Émile Zola (5), outra glória das letras nacionais; e o grupo do André Gide (6) e do Paul Valéry (7), que é o mais instigante, nesse momento, porque já é de vanguarda. Trata-se de um embate que é edípico – desafiar a autoridade dos melhores – e que é principalmente francês. Mas o fato é que o gênio inquieto de Proust busca de tudo e que ele vive também sob a influência dos estrangeiros. Há muita citação do Dostoiévski (8) e do Tolstoi (9), por exemplo, no romance proustiano, Proust é um leitor da grande literatura russa de seu período. Mas, neste campo das influências externas, acho que o maior destaque estrangeiro a apontar é o inglês John Ruskin (10), que ele traduziu para o francês e que é um misto de pensador da arte e fino escritor. Foi lendo Ruskin que ele descobriu o tema das catedrais góticas, que elege como uma metáfora da sua obra, ao dizer que queria escrever um romance como uma catedral. Isso não teria sido possível sem Ruskin.

IHU On-Line - Por que Proust está mais ligado a Baudelaire (11)? Ele está para a prosa como Baudelaire para a poesia francesa em razão, principalmente, de uma comicidade, “excessiva e desequilibrada”,  e, ao mesmo tempo, por uma “memória afetiva”?

Leda Tenório da Motta - Junto com Balzac (12) e Flaubert (13), Baudelaire está entre as influências mais remotas a que o romance proustiano nos remete. Esse é todo um outro campo de influências clássicas. Todos os bons comentadores de Proust concordam em dizer que é principalmente dos poemas baudelairianos que Proust vai retirar a sugestão da memória afetiva, aquela onda de recordações que vem, de repente, com os sabores, os perfumes, as sonoridades, e de que o epísódio da “madeleine” é a mais conhecida ilustração. Que é esse episódio? No primeiro tomo de Em busca do tempo perdido, o jovem narrador proustiano leva à boca um pedacinho de bolo (a “Madeleine”)  molhado no chá... e nesse exato momento toda uma parte de seu passado se desenterra. Todo mundo cita esse trecho. Isso é a quintessência de Proust. O que se sabe menos é que esse tipo de procedimento lhe vem de Baudelaire. Mas as coisas não param aí. Se sairmos do campo batido da memória proustiana e seus momentos mágicos, o que Proust também tira de Baudelaire é justamente a “violência sutil do riso”. A expressão é do poeta. Ela evoca a a risada arrasadora, o absurdo estarrecedor, a caricatura insolente cujo interesse para a literatura e para as artes em geral  Baudelaire defende num texto em prosa bastante desconhecido entre nós, que se intitula “Da essência do riso”. Num certo sentido, todo o meu livro é uma apresentação desse Baudelaire.

IHU On-Line - A senhora escreve que Proust evolui para uma “poética do expatriamento”, que abarca a ferida não do judeu, mas a da homossexualidade, que também estigmatiza e exclui. De que forma isso transcorre em sua obra, sob o aspecto, inclusive, do humor?

Leda Tenório da Motta - O que eu tento mostrar é que ser homossexual na França da virada do século XIX para o XX, que é a França convulsionada pelo  episódio anti-semita do Caso Dreyfus, é tão maldito quanto ser judeu. As duas coisas estão relacionadas em Proust. E aqui também a psicanálise pode nos ajudar a entender essa correlação. Em psicanálise, diz-se que toda fobia tem, no limite, um fundo sexual, é um enfrentamento das proibições sexuais. Assim, o horror ao judeu e o horror aos invertidos sexuais se encontram. Proust sabe tão bem disso que faz o tempo todo piadas com judeus e com homossexuais. Há uma infinidade delas no romance proustiano. Eu coleciono essas piadas no meu terceiro capítulo.

IHU On-Line – Barthes (14), em A preparação do romance, observa que Proust escreve como biografólogo, compondo uma obra que está tecida “com elementos dele mesmo, de lugares, de seus amigos, de sua família”. Por outro lado, em Infância e história (Ed. UFMG), Agamben (15) escreve que em Proust “não existe mais propriamente sujeito algum, mas somente, com singular materialismo, um infinito derivar e um casual encontrar-se de objetos e sensações”. Trata-se, para Agamben, de um “sujeito expropriado da experiência que se apresenta aqui fazendo valer aquilo que, do ponto de vista da ciência, não se pode manifestar senão como a mais radical negação da experiência: uma experiência sem sujeito nem objeto, absoluta”. Como é possível entender essas duas reflexões a partir do mesmo autor?

Leda Tenório da Motta - Eu não conheço as reflexões de Agamben sobre Proust! Mas, ainda assim, acredito que a sua maneira de ver não se choca tanto com a de Barthes, que eu conheço bem. Pois embora, de fato, Barthes sublinhe, o tempo todo, o caráter milimetricamente autobiográfico da escritura proustiana, e até mesmo se impressione com o fato de que tudo o que está na vida do escritor está também em suas páginas, ele sabe muito bem que, quando retomada pela literatura, a vida real se desrealiza. Mais que isso, ele sabe que a grafomania, essa inclinação de índole melancólica a anotar tudo sobre si, é uma opção pela arte, uma forma de viver através da arte e longe da própria vida. Nesse sentido, trata-se, sim, de expatriamento. O único lugar vivível para um escritor desses é a literatura! É mais um expatriamento nesta história de gays e judeus expatriados.

IHU On-Line - Barthes afirma que a doença que impedia Proust de trabalhar era a mesma que o fazia escrever. Estaria aí uma das razões do “ser” ou do “não ser” em sua obra? A mistura entre uma certa imobilidade e a qualidade de sua prosa poética, procurando sempre incorporar detalhes referenciais, em suas subtramas, como as que vemos em Em busca do tempo perdido?

Leda Tenório da Motta - Barthes tem razão. É por ser um asmático crônico que Proust fica fora de combate para trabalhar. Paradoxalmente, é por esse mesmo motivo que seu trabalho de escritor, realizado da maneira mais penosa, mais arrastada, geralmente na cama, se torna um trabalho interessante. Alguns notaram, por exemplo, como a longura das orações proustianas, o vaivém das razões dentro dos mesmo longuíssimos períodos, são retomadas escriturais do complicado processo respiratório. É assim que as condições físicas se projetam nas intelectuais, rendendo uma arte sui generis.

IHU On-Line - Podemos falar, em se tratando das camadas psicológicas encontradas na obra de Proust, das categorias empregadas por Lacan (16): imaginário, real e simbólico?

Leda Tenório da Motta - Eu diria que sim, completamente. O RSI lacaniano diz respeito à relação inextricável entre o que experimentamos, o que dizemos e o que imaginamos. A experiência de Proust é essa coisa inextricável. É disso, aliás, que estão falando aqueles críticos refinados que tomam a memória proustiana como um “imaginário da memória”. É estranho e belo: uma coisa que se recorda pode ser, ao mesmo tempo, a coisa vivenciada e a coisa ficcionada!

Notas

(1) Marcel Proust é filho de Adrien Proust, um célebre professor de medicina, e Jeanne Weil, alsaciana de origem judaica, Marcel Proust nasceu numa família rica que lhe assegurou uma vida tranqüila e lhe permitiu freqüentar os salões da alta sociedade da época. Após estudos no liceu Condorcet, prestou serviço militar em 1889. Devolvido à vida civil, assistiu na École Libre des Sciences Politiques aos cursos de Albert Sorel e Anatole Leroy-Beaulieu; e na Sorbonne os de Henri Bergson, cuja influência sobre a sua obra será essencial. Em 1900, efectuou uma viagem a Veneza e se dedica às questões de estética. Em 1904, publicou várias traduções do crítico de arte inglesa John Ruskin (1904). Paralelamente a artigos que relatam a vida mundana publicados nos grandes jornais (entre os quais Le Figaro), escreveu Jean Santeuil, uma grande novela deixada incompleta e que continuará a ser inédito, e publicou Os prazeres e os dias (Les plaisirs et les jours), uma reunião de contos e poemas. Após a morte dos seus pais, a sua saúde já frágil deteriorou-se mais. Ele passou a viver recluso e a esgotar-se no trabalho. A sua obra principal, Em busca do tempo perdido (À la recherche du temps perdu), foi publicada entre 1913 e 1927, o primeiro volume editado à custa do autor na pequena editora Grasset ainda que muito rapidamente as edições Gallimard recuaram na sua recusa e aceitaram o segundo volume À sombra das raparigas em flor pela qual recebeu em 1919 o prêmio Goncourt. A homossexualidade é latente na sua obra principalmente em Sodoma e Gomorra e nos volumes subseqüentes. Trabalhou sem repouso à escrita dos seis livros seguintes de Em busca do tempo perdido, até 1922. Morreu esgotado, atingido por uma bronquite mal cuidada.

(2) Sigmund Freud foi um médico neurologista e psiquiatra judeu-austríaco, fundador da Psicanálise. Interessou-se inicialmente pela histeria e, tendo como método a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, com interesses pelo inconsciente e pulsões, entre outros, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre. Estes elementos tornaram-se bases da Psicanálise. Seus conceitos de inconsciente, desejos inconscientes e repressão foram revolucionários; propõem uma mente dividida em camadas ou níveis, dominada em certa medida por vontades primitivas que estão escondidas sob a consciência e que se manifestam nos lapsos e nos sonhos. Em sua obra mais conhecida, A interpretação dos sonhos, Freud explica o argumento para postular o novo modelo do inconsciente e desenvolve um método para conseguir o acesso ao mesmo, tomando elementos de suas experiências prévias com as técnicas de hipnose. O número 16 dos Cadernos IHU em formação, intitulado Quer entender a modernidade? - Freud explica, é dedicado a uma análise sobre sua obra. A edição 207 da IHU On-Line teve como tema Freud e a religião.

(3) O Caso Dreyfus foi um escândalo político que dividiu a França por muitos anos, durante o final do século XIX. Centrava-se na condenação por traição de Alfred Dreyfus em 1894, um oficial de artilharia do exército francês, de religião judia. O crime foi enquadrado como alta traição e o acusado sofreu um processo fraudulento conduzido as portas fechadas. Dreyfus era, em verdade, inocente: a condenação baseava-se em documentos falsos, e quando oficiais de alta-patente franceses se aperceberam disto tentaram ocultar o erro. A farsa foi acobertada por uma onda de nacionalismo e xenofobia que invadiu a Europa no final do século XIX. Dreyfus foi condenado à prisão perpétua na ilha do Diabo, na Costa da Guiana Francesa. Em 1898, evidências da inocência de Dreyfus possibilitaram um segundo julgamento. A permanência da sentença anterior provocou a indignação de Émile Zola. Nas palavras da historiadora Barbara W. Tuchman, foi "uma das grandes comoções da história". Enquanto que Bernard Lazare e Scheurer tinham até então defendido Dreyfus, Herzl tinha ficado impressionado pelo caso Dreyfus, um notório caso de anti-semitismo na França; ele tinha coberto o caso do julgamento de Dreyfus para o jornal austro-húngaro. Theodor Herzl também foi testemunha de manifestações em Paris após o julgamento em que muitos cantaram pelas ruas "Morte aos Judeus"; isto convenceu-o da ameaça do anti-semitismo.Theodor Herzl e Émile Zola partiram para o ataque, denunciando os culpados.

(4) Anatole France tem livros que apresentam um tom céptico. Publicou romances e contos que obtiveram grande sucesso, onde se revela possuidor de uma arte requintada e sutil. Seu primeiro grande êxito foi 0 crime de Silvestre Bonnard, premiado pela Academia francesa. Outras obras suas são Thais, 0 lírio vermelho, O poço de Santa Clara, A rebelião dos anjos etc.

 

 

(5) Émile Zola foi um escritor francês. Criou o movimento literário chamado Naturalismo, segundo oqual se aplicava à descrição dos fatos humanos e sociais o rigor científico. Além de romancista, foi também jornalista. Escreveu O ventre de Paris (1873), A taberna (1877), Naná (1880) e Germinal (1885).

 

 

(6) André Paul Guillaume Gide foi um escritor francês e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1947. Oriundo de uma família da alta burguesia, foi o fundador da Editora Gallimard e da revista Nouvelle Revue Française. Entre as suas obras mais importantes, estão Os frutos da terraA sinfonia pastoral, O imoralista e Os moedeiros falsos.

 

 

 

(7) Paul Valéry é um poeta e crítico literário francês, autor de livros como Charmes e Variedades (São Paulo: Iluminuras, 1990).

 

(8) Fiódor Mikhailovich Dostoiévski foi um dos maiores escritores russos e tido como um dos fundadores do existencialismo. De sua vasta obra, destacamos Crime e castigo, O Idiota, Os demônios e Os irmãos Karamázov. A esse autor a IHU On-Line edição 195, de 11-9-2006, dedicou a matéria de capa, intitulada Dostoiévski. Pelos subterrâneos do ser humano.

 

(9) Liev Tolstoi foi um escritor russo de grande influência na literatura e na política do seu país. Teve uma importante influência no desenvolvimento do pensamento anarquista e, concretamente, considera-se que era um cristão libertário. Suas obras mais famosas são Guerra e paz, de 1865, onde ele descreve dezenas de diferentes personagens durante a invasão napoleônica de 1812, e Anna Karenina, de 1875, que traz a hitória de uma mulher presa nas convenções sociais e um proprietário de terras (reflexo do próprio Tolstoi), que tenta melhorar a vida de seus servos.

 

 

 

(10) John Ruskin tem o pensamento vinculado ao Romantismo, movimento literário e ideológico (final do século XVIII até meadodo século XIX), e que dá ênfase a sensibilidade subjetiva e emotiva em contraponto com a razão. Esteticamente, Ruskin apresenta-se como reação ao Classicismo e com admiração ao medievalismo.

 

 

 

(11) Charles-Pierre Baudelaire foi um poeta e teórico da arte francês. É considerado um dos precursores do Simbolismo, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.

 

 

(12) Honoré de Balzac foi um dramaturgo francês, autor do conjunto de romances Comédia humana. Representante da transição na passagem do romantismo para o realismo, ele mistura aspectos das duas tendências.

 

 

(13) Gustave Flaubert foi um escritor francês, autor de Madame Bovary, escrito em 1844, romance realista no qual critica os valores românticos e burgueses da época.

 

 

 

(14) Roland Barthes foi um escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês. Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões.

 

 

(15) Giorgio Agamben nasceu em Roma, em 1942. Formado em Direito, com uma tese sobre o pensamento político de Simone Weil, é responsável pela edição italiana da obra de Walter Benjamin . Foi professor da Universitá Di Verona e da New York University, cargo ao qual renunciou em protesto à política de segurança do governo norte-americano. Atualmente leciona Estética na Facoltà Di Design e Arti della IUAV (Veneza). Sua produção centra-se nas relações entre filosofia, literatura, poesia e, fundamentalmente, política. Entre suas principais obras, estão Infância e história, Estâncias, A linguagem e a morte e Homo sacer I: o poder soberano e a vida nua I (todos lançados pela editora UFMG) e Estado de exceção e Profanações (lançados pela Boitempo).  Leia também a edição 81 da Revista IHU On-Line sobre Estado de exceção e vida nua, baseada nas teorias de Agamben.

 

(16) Jacques Lacan foi um psicanalista francês. Lacan fez uma releitura do trabalho de Freud, mas acabou por eliminar vários elementos deste autor (descartando os impulsos sexuais e de agressividade, por exemplo). Para Lacan, o inconsciente determina a consciência, mas este é apenas uma estrutura vazia e sem conteúdo.

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