Francisco irá a Ciudad Juarez, a Lampedusa da América

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14 Janeiro 2016

Se o tema das migrações com particular referência à situação europeia, esteve no centro do discurso pronunciado segunda-feira passada pelo Papa ante o corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, Francisco, na mesma ocasião, citou também outro lugar crítico do mundo, onde o fenômeno está dramaticamente presente: a fronteira entre o México e os Estados Unidos. De 12 a 18 de fevereiro, de fato, o Papa se dirigirá ao grande País do continente americano e no dia 17 – última etapa da viagem – visitará Ciudad Juarez (estado de Chihuahua). De resto, num primeiro tempo, como contou o próprio Bergoglio em setembro passado, havia pensado em entrar nos Estados Unidos precisamente pela cidadezinha mexicana que se encontra na divisa com o Texas, e constitui quase uma única concentração urbana com El Paso, em território americano; a dividi-los existe somente o Rio Grande. Depois, em razão do degelo entre Washington e La Havana, Francisco decidiu desembarcar na América passando por Cuba. Mas, a visita a Ciudad Juarez, uma espécie de Lampedusa de além-mar, foi somente transferida por alguns meses e ocorrerá, portanto, no próximo mês de fevereiro.

A reportagem é de Francesco Peloso, publicada por Vatican Insider, 12-01-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

O horror dos feminicídios

Ciudad Juarez foi, aliás, o teatro de uma das mais violentas e trágicas sequências de homicídios que ensanguentou o México nas últimas décadas, e a cidade sofreu, de fato, nos anos 90 e nos anos 2000 o fenômeno, em larga escala, dos feminicídios, a matança com frequência acompanhada por violência, de jovens ou muitíssimo jovens mulheres, não raro empregadas nas empresas da região (as maquiladoras, frequentemente de propriedade estrangeira, onde são realizados produtos subsequentemente exportados; um sistema hoje em crise e que em parte se transferiu ao sudeste asiático, onde a mão-de-obra custa ainda menos). Longos anos de indagações em todo caso jamais levaram a identificar de modo certo os culpados ou uma possível organização por trás da cadeia de centenas de homicídios (muitíssimas são depois as garotas desaparecidas das quais não se teve mais notícia); fala-se de narcose, de tráfico de órgãos, de abuso sexual, de estratégia do pavor para resgatar as trabalhadoras da zona e assim por diante. Mas, de fato não existe uma versão definitiva sobre a inteira ocorrência. No final dos anos 2000, ademais, Ciudad Juarez era considerada em base do número dos homicídios e dos tiroteios, a cidade mais perigosa do mundo; não é esquecido, de resto que daqui, zona de divisa, transita uma parte significativa da droga destinada ao mercado norte-americano, e a presença dos cartéis do narcotráfico é, por conseguinte, imponente.

Ciudad Juarez é, além disso, o teatro de uma das mais violentas e trágicas sequências de homicídios que ensanguentou o México nas últimas décadas, a cidade de fato sofreu, entre os anos 90 e os anos 2000 o fenômeno, em larga escala, dos feminicídios, a matança frequentemente acompanhada por violência, de jovens ou muitíssimo jovens mulheres, não raro empregadas nas empresas da região (as maquiladoras, frequentemente de propriedade estrangeira, onde são realizados produtos subsequentemente exportados; um sistema hoje em crise e que em parte se transferiu para o sudeste asiático, onde a mão-de-obra custa ainda menos). Longos anos de indagações, em todo caso, jamais levaram a identificar de modo certo os culpados ou uma possível organização por trás da cadeia de centenas de homicídios (muitíssimas são depois as garotas desaparecidas das quais não se teve mais notícia); fala-se de narcose, de tráfico de órgãos, de desfrutamento sexual, de estratégia do medo para resgatar as trabalhadoras da região e assim por diante. Mas, de fato não há uma versão definitiva sobre toda a ocorrência. No final dos anos 2000, ademais, Ciudad Juarez era considerada com base no número dos homicídios e dos tiroteios, a cidade mais perigosa do mundo; não se esqueça, de resto, que daqui, zona de divisa, transita uma parte significativa da droga destinada ao mercado norte-americano, e a presença dos cartéis do narcotráfico é, por conseguinte, imponente.

O muro entre o México e os Estados Unidos

Ao mesmo tempo, nos arredores, procuram atravessar a divisa frequentemente permanecendo vítimas de organizações criminosas, perdendo a vida na tentativa ou acabando por ser expulsos novamente dos Estados Unidos. De fato, desde 2006 foi construída, do lado estadunidense, uma barreira-muro, abastecida de telecâmara e sistemas eletrônicos para indicar qualquer movimento, de aproximadamente 700 milhas, um trabalho que de fato completava e unificava os tantos “pedaços” de muro já surgidos nos anos 90. Ao mesmo tempo, foi incrementada a presença de forças de segurança, encarregadas de frear a imigração irregular aos USA. Tudo isto naturalmente não freou o fluxo de centenas de milhares de latinos que todo ano procuram “perfurar” a fronteira com qualquer meio; todavia, cresceram as rejeições como, de outro lado, aumentou a imigração irregular nos Estados Unidos.

O empenho da Igreja e do Papa

Em dezembro passado, os bispos de El Paso e de Ciudad Juarez, junto ao cônsul geral do México e dos Estados Unidos, se encontraram precisamente na linha de fronteira entre os dois Países, na “Ponte Internacional Santa Fé”. Aqui – como foi referido pela agência Fides – celebraram juntos “as pousadas”, vale dizer, uma prece e um momento de festa para as crianças, típicos da tradição latino-americana do período natalício, para fazer crescer a comunhão na região de divisa. O evento foi definido histórico pela imprensa local e foi tornado possível também pela notícia da próxima chegada do Papa Francisco à cidade. Ao mesmo tempo, o episcopado americano (e no seu interior o cardeal Sean O’ Malley, arcebispo de Boston e componente do “C9” que coadjuva Francisco no governo da Igreja) se enfileirou a favor dos direitos dos migrantes que, ademais, constituem atualmente uma componente estável e sempre mais importante do catolicismo norte-americano.

Do tema, que dividiu a opinião pública dos Estados Unidos, onde se discute há tempo sobre uma reforma migratória, enquanto persistem impulsos contrários a toda abertura em favor dos migrantes, interveio também o Papa em setembro passado ante o Congresso de Washington. “Também neste continente – disse o Papa Francisco – milhares de pessoas são impelidas a viajar para o Norte em busca de melhores oportunidades. Não é isto que queríamos para os nossos filhos? Não devemos deixar-nos espanar pelo seu número, mas antes vê-los como pessoas, olhando para suas fisionomias e escutando as suas histórias, tentando responder o melhor que podemos às suas situações. Responder de um modo que seja sempre humano, justo e fraterno. Devemos evitar uma tentação hoje comum: descartar quem quer que se demonstre problemático”. Entrementes, a Ciudad Juarez é prevista, para metade de janeiro, a chegada das relíquias de madre Teresa, a beata que será canonizada pelo Papa Francisco aos quatro de setembro.

[Traduziu do italiano Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.]

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