Um czar das finanças à prova de balas

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10 Dezembro 2014

Pouco depois que o cardeal George Pell foi nomeado como o novo Secretário do papa para a Economia, em fevereiro passado, eu me encontrei com ele para uma entrevista e, de cara, perguntei se no prazo de um ano, ele seria capaz de dizer exatamente quanto dinheiro o Vaticano tinha.

Sua resposta: "Eu não sou muito confiante sobre o futuro, mas as coisas já são muito mais claras do que estavam seis ou sete meses atrás, e eu tenho certeza que elas vão estar mais claras dentro de 12 meses".

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio Crux, 06-12-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Parece que Pell está começando a cumprir essa promessa, com base em um artigo que escreveu para o Catholic Herald da Grã-Bretanha, publicado na sexta-feira.

A essência do artigo fala que Pell e sua equipe descobriram "centenas de milhões" de euros em contas específicas de vários departamentos do Vaticano que nunca tinham estado no balanço geral, o que significa que o Vaticano está, na verdade, em melhores condições financeiras do que se pensava inicialmente.

Pell não estava sugerindo qualquer atividade criminal, mas simplesmente que muitos departamentos tinham sua própria maneira de rastrear fundos e na ausência de um sistema de contabilidade centralizada, alguns fundos nunca tinham sido contabilizados em qualquer outro lugar.

Os departamentos tiveram por muito tempo "carta branca" no que se refere às finanças, escreveu Pell, e "poucos foram tentados a dizer ao mundo exterior o que estava acontecendo, exceto quando eles precisavam de ajuda extra".

E quando Pell diz "mundo exterior", ele também quer dizer claramente outras agências do Vaticano.

"Era impossível para qualquer um saber com precisão o que estava acontecendo de uma forma geral", escreveu ele, insistindo que isso está mudando agora sob o novo regime financeiro decretado pelo Papa Francisco.

Do ponto de vista de alguém de dentro, o que é mais interessante sobre o artigo de Pell é que ele especificamente apontou a Secretaria de Estado por manter os seus problemas de dinheiro "em casa".

Não há muito tempo, o chefe de qualquer outro departamento do Vaticano teria sido relutante em apontar o dedo para a Secretaria de Estado seja para o que for, porque ela era o gorila de 800 quilos da selva do Vaticano, e as pessoas teriam temido uma retaliação.

O fato de que Pell sentiu-se livre para falar da Secretaria de Estado sugere uma de duas coisas, e muito possivelmente ambas.

Em primeiro lugar, que Pell é destemido, disposto a chamar cada coisa pelo seu nome, independentemente das consequências.

Em segundo lugar, dado o apoio incondicional que Francisco depositou em Pell, ele agora se sente à prova de balas, e ele não tem que se preocupar com a reação em outros círculos.

Qualquer um que tenha conhecido Pell ao longo dos anos não terá nenhum problema de acreditar no primeiro ponto, e qualquer um que acompanhou a política interna do Vaticano ao longo dos últimos 12 meses, provavelmente vai achar o segundo ponto plausível também.

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