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Por: André | 23 Abril 2013

“No início do século XXI não apenas nos encontramos com as dificuldades apresentadas pela relação Educação e Comunicação e Escola-Meios Massivos. Também aparece uma situação inédita quanto ao volume de informações a que alunos e professores têm acesso, com a ameaça de uma possível renovação da verticalidade no processo de ensino, desta vez de baixo para cima, onde as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) transgridem tanto o metodológico como a “aquisição” de conhecimentos.”

Mario Morant e Gerardo Alzmora refletem sobre a atualidade do Pensamento de Paulo Freire a propósito do Seminário Latino-Americano “Educação Popular e Integração Regional: Vigência e Perspectiva do Pensamento de Paulo Freire”, que acontecerá entre os dias 24 e 25 de abril, em artigo publicado no jornal argentino Página/12, 17-04-2013. A tradução é do Cepat.

Mario Morant é secretário de Relações Internacionais do Sadop [Sindicato Argentino de Docentes Privados] e Gerardo Alzamora é secretário de Comunicação e Imprensa do Sadop.

Eis o artigo.

A metodologia de Paulo Freire foi inédita: o ensino partia da própria situação de marginalidade e opressão dos educandos, supondo – acertadamente – que se se tomava consciência da situação de exploração em que viviam, se alfabetizariam mais rapidamente e, sobretudo, isso os ajudaria a enfrentar a opressão de maneira mais efetiva. Uma metodologia de ensino útil para a alfabetização, e uma pedagogia que, como tal, compreenderia também uma filosofia sobre o ser humano e a sociedade.

Freire foi desenvolvendo a ideia de que o oprimido devia deixar de sê-lo sem tornar-se opressor, embora devesse que recuperar sua palavra e deixar de lado a palavra alheia, a que o condenava a um ensino tradicional vertical de cima para baixo, que supunha que o mestre era o único que sabia e seu saber devia ser transmitido ou transplantado para o aluno. Chamou esse ensino tradicional de “bancário”, e gerou a ideia de um ensino horizontal, no qual mestre e aluno empreendem a busca dos conhecimentos a partir daqueles que já possuem, de forma dialógica, isto é, através de um diálogo onde se cruzam as experiências de vida de ambos.

No início do século XXI não apenas nos encontramos com as dificuldades apresentadas pela relação Educação e Comunicação e Escola-Meios Massivos. Também aparece uma situação inédita quanto ao volume de informações a que alunos e professores têm acesso, com a ameaça de uma possível renovação da verticalidade no processo de ensino, desta vez de baixo para cima, onde as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) transgridem tanto o metodológico como a “aquisição” de conhecimentos.

No entanto, temos claro que essa torrente informativa carece de uma bússola que aponte para o crescimento sensorial-cognitivo das crianças. Então, torna-se fundamental compreender o espaço midiático e a gestão simbólica que implica, já não como um obstáculo ou antagonismo no trabalho educacional, mas para fomentar o espírito crítico dos alunos. Crítico quanto aos conteúdos. Crítico quanto às ideias e conhecimentos. Crítico quanto à massificação, ao consumo e ao mercado. Uma renovação da pedagogia de Freire, que se definiu como “crítica”, porque estabelecia o fato de não aceitar mansamente os ensinamentos supostos, mas analisá-los e direcioná-los até encontrar o verdadeiro sentido e o fim a que estavam destinados. Para Freire era essencial para o método que a práxis acompanhe a reflexão. Uma sem a outra faz com que as duas percam sentido. Trata-se de construir um mundo, não apenas de pensá-lo ou colocá-lo em prática espontaneamente e sem reflexão. Em tempos de hipertextos, de internet e redes sociais, as ideias de Freire continuam vigentes.

Nesse sentido, no Conacai – Conselho do qual o Sadop [Sindicato Argentino de Docentes Privados] participa como membro – se estabeleceram os Critérios de Qualidade para Serviços de Comunicação Audiovisual destinados à Infância e Adolescência. Estes apontam para saber o que se entende por “qualidade audiovisual” e quais são aqueles direitos que devem ser respeitados e potenciados pelos meios para o desenvolvimento cultural dos mais jovens. Com a escola tratando de competir – em desigualdade de condições – com a televisão e a internet, entre outros dispositivos midiáticos, é vital que nos encarreguemos de suas influências na aprendizagem e na sociedade. Temos que participar e enfrentar um modelo de dependência cultural, e influir em nossa sociedade e comunidade educativa, com vistas a construir espaços alternativos de comunicação, canais de distribuição e mensagens que nos expressem com identidade própria, em uma sociedade mais justa. Assim, a Pedagogia da Esperança de Freire se situa, mais que no sentido da espera, no sentido do Projeto, e serve para que os Povos Oprimidos gerem criticamente uma resposta libertadora e construtora de outra sociedade sem opressores nem oprimidos.

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