20 anos depois dos atentados de 11 de setembro. Relembrando o legado do padre Mychal Judge

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10 Setembro 2021

 

“As torres norte e sul do antigo World Trade Center se tornaram uma catedral in absentia para os americanos que viveram em um cenário pós-11 de setembro, um fantasma palpável do que já foi. Enquanto o One World Trade Center agora brilha em seu lugar, uma reconstrução de notável tamanho, o reparo ainda não está completo. A suspeita e a divisão, enraizadas nas diferenças religiosas, culturais e políticas, ainda permanecem. Infelizmente, sim”, escreve Anne Gardner, escritora e agente pastoral em Cambridge, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 08-09-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Eis o artigo.

 

Como o destino teria de ser, Richard Drew, de apenas 21 anos à época, seria um dos quatro fotógrafos da imprensa presentes quando Robert F. Kennedy foi baleado no Ambassador Hotel, em 05 de junho de 1968. Tão próximo que o sangue de Kennedy respingou na lapela de seu paletó, Drew levantou sua câmera a tempo de tirar uma das mais icônicas fotos da história dos Estados Unidos: Kennedy caído por uma bala de revólver calibre 22.

Na manhã de 11 setembro de 2001, Drew estava, mais uma vez, fotografando corpos.

Como parte de um desfile de moda de maternidade, Drew estava fotografando mulheres grávidas no Bryant Park de Nova York. Enquanto ainda estava no local, ele recebeu uma ligação do seu escritório contando-lhe que um avião havia batido no World Trade Center. Rapidamente juntou suas coisas, ele pulou para dentro de um metrô que ia para o centro, o único ocupante do trem. Saindo da Chambers Street, ele virou para o oeste. E então ambas torres do World Trade Center estavam exalando fumaça. Parou entre um policial e um enfermeiro, levantou sua câmera e pressionou o btão.

Drew, um fotógrafo da Associated Press, reviu a foto depois no seu computador quando voltou ao escritório, como disse recentemente a CBS News. Na manhã seguinte, ela apareceria na página 07 do The New York Times, e subsequentemente, em centenas de jornais de todo o mundo. O homem dentro do quadro, “The Falling Man”, “o homem que cai”, como foi chamado, não foi identificado.

 

A decisão de pular de um prédio incendiando garante a morte dessas vítimas anônimas. Mas a silhueta do “Falling Man” provocou um nível adicional de angústia. Sua queda aerodinâmica, de ponta-cabeça, cortou o ar com uma eficiência preocupante. Ele havia se conformado com seu destino, sem se debater ou lutar. Caindo em direção ao solo como um míssil, ele passou de uma queda para outra.

Anexar a esta imagem outra foto inesquecível daquele dia surreal: o corpo sem vida do padre Mychal Judge.

Mychal serviu como capelão do Corpo de Bombeiros da cidade de Nova York, além de pertencer a uma comunidade de franciscanos que passei a conhecer e amar. Irrequieto e gregário, ele deixava poucos imunes ao seu carisma magnético. Com o jeito irlandês por excelência, sua mera presença preenchia todas as salas em que entrou. Ele era a própria definição de maior que a vida.

Naquela manhã, quando a notícia das explosões se espalhou, ele correu para o local, nervoso para apoiar os Bombeiros de Nova York. Depois de saber que as pessoas estavam presas nos destroços, Mychal foi direto para a torre norte. Mychal foi morto durante o colapso da torre sul e posteriormente classificado como “Vítima 0001”, a primeira em um dia atolado em tragédia.

A fotografia da recuperação do corpo de Mychal também apareceu no The New York Times. Realizada pelos próprios homens a quem serviu, esta imagem é semelhante a uma Pietà moderna. Um cadáver embalado ternamente nos braços de quem o amava.

 

Já se passaram 20 anos desde que as torres caíram. Vinte anos desde que as paredes do Pentágono tremeram. Vinte anos desde que um punhado de almas corajosas derrubou um avião nos campos da Pensilvânia.

Mas, apesar do passar do tempo, o 11 de setembro vive em nossa memória coletiva. É como se os relógios parassem naquele dia, mantendo-nos eternamente cativos daquele momento de horror. E, no entanto, o tempo avança. Não importa o que façamos, não podemos impedir. O metrônomo da vida continua.

Mesmo corações partidos continuam batendo.

Então, vamos lamentar os mortos. Vamos chorar nossas perdas. Mas lembremos também, naquele mesmo dia, os heróis nasceram. Homens e mulheres comuns, assim como aqueles que correram freneticamente para as torres para tentar salvar Mychal, surgiram como exemplos brilhantes de bravura e graça. Eles se colocam em risco por um motivo e apenas um motivo – outra pessoa. Uma bênção inesquecível.

 

(Foto: Octavio Duran - CNS)

 

As torres norte e sul do antigo World Trade Center se tornaram uma catedral in absentia para os americanos que viveram em um cenário pós-11 de setembro, um fantasma palpável do que já foi. Enquanto o One World Trade Center agora brilha em seu lugar, uma reconstrução de notável tamanho, o reparo ainda não está completo. A suspeita e a divisão, enraizadas nas diferenças religiosas, culturais e políticas, ainda permanecem. Infelizmente, sim.

No entanto, esse trabalho pode ser deixado para outro dia. Esta semana é para lembrar.

Quando penso em Mychal agora, lembro-me de que seu sacrifício estava enraizado em sua vocação cristã. Ele permanece um farol para todos nós, não apenas por seu heroísmo, não apenas por sua resposta instintiva, mas pela fé que o inspirou. Ele foi padre até o fim.

Assim, à medida que nos aproximamos do 20º aniversário, guardamos em nossos corações as memórias de todos aqueles cujas vidas foram perdidas, cuja inocência foi tirada ou cuja existência foi mudada para sempre às 7h59, quando o voo 11 da American Airlines, com destino a Los Angeles, decolou da pista do Aeroporto Internacional Logan de Boston.

 

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