“A Nicarágua está sangrando” por causa da repressão, da emigração, da pandemia, da fome, denunciam os bispos

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07 Julho 2021

 

O cardeal nicaraguense Leopoldo Brenes, arcebispo de Manágua, afirmou no domingo, 4 de julho, que há pessoas no país que “querem afastar à força a Igreja”, em meio à crise sócio-política local, agravada por uma onda de detenções de líderes da oposição (ver Fides 17/06/2021). “Hoje ouvimos, em muitos momentos, pessoas que nos atacam, que atacam o Papa Francisco, que de uma forma ou de outra querem diminuir a força da Igreja, nos insultam, somos perseguidos, caluniados, mas tudo isso cai no vazio, pois é forte a nossa esperança e a confiança no Senhor", disse o Cardeal Brenes durante a missa.

A reportagem é publicada por Agência Fides, 06-07-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

No domingo, a Nicarágua celebrou a festa do "Sangue de Cristo", uma das festas mais fortes da devoção popular. O cardeal Brenes celebrou duas missas: na Catedral de Manágua e nos estúdios da estação de televisão da arquidiocese. Na introdução à celebração eucarística afirmou que “todo o povo da Nicarágua se orgulha de ter a imagem do Sangue de Cristo e nunca será destruída, porque está dentro do nosso coração”.

No ano passado, um incêndio criminoso devastou uma capela da Catedral de Manágua em 31 de julho de 2020, danificando seriamente o chamado "Sangue de Cristo", um precioso crucifixo de madeira, datado de 382 anos. O ato sacrílego foi seguido de outros atos de vandalismo perpetrados nos dias anteriores contra igrejas católicas em outras cidades do país. Estes fatos - foi sublinhado no texto da Arquidiocese de Manágua - “representam uma grave perseguição contra a Igreja Católica, os seus Pastores e todos os fiéis, em contradição com liberdade religião garantida por nossa Constituição".

Conforme relatado pela imprensa internacional, a Nicarágua vive atualmente uma onda de prisões por motivos políticos, que até agora atingiu apenas os líderes da oposição. Aqueles que se identificam como partidários do presidente Daniel Ortega têm insistido publicamente que até os bispos podem ser presos.

"Vivemos em meio a dificuldades, insultos, privações, perseguições, calúnias", reiterou o Cardeal Arcebispo de Manágua. “Temos dificuldades, temos grandes problemas, temos os problemas da pandemia que nos angustiam, temos os nossos problemas políticos, sociais, econômicos, famílias que sofrem porque muitos dos seus parentes estão privados da liberdade”, acrescentou, referindo-se aos presos políticos.

Também o Bispo de Matagalpa, Dom Rolando Álvarez, durante a homilia do último domingo destacou o sofrimento que os nicaraguenses vivem pela repressão operada pelo Estado, assim como as migrações forçadas, as prisões arbitrárias, a pandemia, o desemprego, a falta de alimentos e a injustiça, conforme informa a nota enviada à Fides.

“A nossa mente e o nosso coração pensam e rezam pelos milhares de migrantes forçados, que sobretudo nas últimas semanas procuram um horizonte melhor e deixam as suas terras arriscando a vida para encontrar o que o nosso belo país não lhes ofereceu”, afirmou o Bispo, acrescentando que “famílias inteiras cruzam o deserto da migração em caravanas de dor que cortam o coração”. O prelado advertiu também que “a Nicarágua sangra pelo sofrimento de todos que estão sendo privados da liberdade, pelas famílias desagregadas pelas migrações forçadas, pela dor dos doentes por causa da pandemia, pela extrema pobreza”.

No entanto, monsenhor Álvarez exortou os nicaraguenses a não cair no desespero e no pessimismo: “Devemos continuar a desejar e a trabalhar por uma nova Nicarágua, uma nova nação, por um Estado moderno, funcional e pluralista, um país onde nós todos possamos viver, sem desprezo ou exclusões, onde haja respeito e possamos trabalhar em condições de igualdade social e política. Condições que esperamos e que precisamos resultem das próximas eleições, condições iguais que deem validade às eleições” concluiu Álvarez.

As relações entre a Igreja Católica e o Presidente Ortega, que nunca foram próximas, foram interrompidas em julho de 2018, quando o presidente nicaraguense acusou os bispos de planejarem um suposto "golpe", como definiu as manifestações antigovernamentais daquele ano, que foram reprimidas com ataques armados que resultaram em centenas de mortos, presos ou desaparecidos. As recentes detenções dos líderes da oposição ocorrem pouco mais de quatro meses antes das eleições de 7 de novembro, nas quais Ortega tenta prorrogar o mandato iniciado em 2007.

 

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