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07 Julho 2021

 

A Igreja precisa se perguntar se a atual abordagem à formação é um modelo adequado para preparar os diáconos e os padres para ministrarem em uma Igreja ministerial, afirma o professor Thomas O’Loughlin, da Universidade de Nottingham, na Inglaterra.

A reportagem é de Sarah Mac Donald, publicada por The Tablet, 05-07-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Falando em um webinar organizado pela revista The Tablet sobre o tema “Rumo a uma visão renovada do ministério”, sobre os esforços do Papa Francisco para fortalecer a liderança leiga e renovar a Igreja, o professor O’Loughlin disse que cada diocese do mundo pode agora enriquecer a sua experiência ministerial introduzindo homens e mulheres acólitos, leitores e catequistas, mas a Igreja deve olhar para a oferta de programas de formação para que esses ministérios sejam estabelecidos.

“Se vamos ter uma formação para o ministério, teremos que superar a ideia de que apenas o clero é formado, porque não poderemos usar o mesmo modelo de formação para os homens e mulheres leitores, acólitos e catequistas. Precisamos voltar ao antigo modelo teológico do aprendiz, que tem uma longa história que remonta aos rabis e seus discípulos”, disse ele.

Ele descreveu as reformas do papa voltadas a levar a uma visão renovada do ministério leigo e ordenado como um deslocamento de placas tectônicas que quase ninguém pareceu perceber.

“Desde o início do século IV, o ministério sempre esteve vinculado ao clero, aos ministros clérigos. Esse pequeno mundo foi sacudido. De repente, nós nos dissociamos da ideia do clero como exclusivo da noção de ministério e temos ministros e ministras que não são clérigos. Isso realmente assusta as pessoas que vivem em um mundo canônico.”

Ele disse que os bispos muitas vezes hesitam em permitir que a formação dos leigos e leigas ocorra nos seminários, e os seminaristas muitas vezes se opõem a serem preparados ao presbiterado com estudantes leigos e leigas ao lado deles. “Esse é um fenômeno que se encontra em todo o mundo nos seminários. Os seminaristas gostam de estar com seminaristas, e os bispos tendem a gostar que seus seminaristas fiquem separados.”

Ele disse que abrir esses ministérios aos membros do laicato é uma “maneira completamente nova de pensar”, na qual o acólito ou acólita não está servindo ao padre, mas está “servindo uns aos outros na comunidade”.

O professor O’Loughlin disse não saber quando esses novos ministérios passariam a ocorrer, mas alertou que isso exigiria “muito trabalho” e seria “muito caro”, mas também “mudaria a Igreja”.

Outro palestrante do webinar foi Mauricio López, secretário-executivo da Ceama (Conferência Eclesial da Amazônia) que está trabalhando para implementar as propostas do Sínodo Amazônico de 2019, do qual ele participou. Em 2021, ele foi nomeado pelo Papa Francisco como membro do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano.

Ele explicou que a realidade na Amazônia é de que 95% da presença da Igreja é por meio de lideranças leigas, das quais 70% são mulheres, embora elas assumam apenas 30% da responsabilidade.

“O futuro da Igreja na Amazônia não é possível sem as mulheres”, destacou ele. A mudança em curso foi um “belo sinal das margens ajudando o centro”, e “o Sínodo Amazônico foi realmente experimentar o dom de ser ouvido”, disse ele.

Sobre o Sínodo da Amazônia, ele reconheceu que alguns esperavam que ele “resolvesse as grandes discussões em termos de ministérios para toda a Igreja, quando, na verdade, ele estava realmente focado na realidade concreta [da Amazônia] e ao modo como responder a isso”.

Ele se referiu à experiência de Chiapas, no sul do México, onde há décadas se vive um modelo dinâmico de Igreja ministerial. “É uma rede de ministérios, que são criados em torno das necessidades concretas da comunidade, do discernimento de todos os anos, e os ministérios são oferecidos às pessoas pela própria comunidade.”

Ele disse que o desafio da formação destacado pelo professor O’Loughlin era “uma grande questão” e que os povos da Amazônia “não precisam de um tipo de formação ocidental”.

A professora Phyllis Zagano, da Hofstra University, em Nova York, cujo último livro é Women: Icons of Christ[Mulheres: ícones de Cristo, em tradução livre], fez parte de uma comissão criada pelo Papa Francisco para estudar as diáconas entre 2016-2018.

Ela disse no webinar que, ao mudar uma única palavra no cânone 230, parágrafo 1, que agora se refere a “pessoas leigas”, “o papa declarou à Igreja e ao mundo em geral que as mulheres leigas são iguais aos homens leigos. É um avanço surpreendente”.

A especialista em diáconas disse que, até 1983, o Código de Direito Canônico proibia que as mulheres passassem pelo gradil do altar das igrejas e dizia que o servidor da missa não poderia ser mulher, a menos que não houvesse nenhum homem, e que as mulheres deviam ficar a distância e de forma alguma podiam se aproximar do altar.

As novas mudanças permitem que as mulheres “se aproximem do sagrado”. Em seu motu proprio Spiritus Domini, o papa permite que as mulheres assumam ministérios leigos, um dos quais substitui um importante ministério ordenado.

“Quanto à possível restauração das mulheres ao diaconato, descobrimos que há um movimento real aqui no sentido de reconhecer que as mulheres leigas são iguais em status aos homens leigos. Acho que esse é o resultado final. Então, podemos avançar para ver se as mulheres podem ser restauradas a um ofício ao qual elas foram ordenadas por nada menos do que 1.000 anos, que é a ordem do diaconato.”

A professora Zagano disse ainda: “Acho que a Igreja não vai negar a si mesma aquilo de que precisa. E, se a Igreja precisa de diáconas, isso vai acontecer”.

 

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