“Nós gays rezamos ao mesmo Deus. Ao Papa, digo que somos todos iguais”

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17 Março 2021

 

Gianni Reinetti. O primeiro a inscrever-se, na Itália, no registro das uniões civis junto com o marido Franco, falecido em 2017. "Nada de bênção para os casais homossexuais? Sinto raiva: amei um homem por 52 anos, não sou um pecador".

Giannino, escute alguns conselhos. Nunca confunda religião com Igreja. Meu professor sempre dizia isso. E como ele tinha razão”.

Para Gianni Reinetti, 83, a primeira união civil de Turim em 2016 após a aprovação da lei Cirinnà, ontem foi "como receber uma bofetada cinco anos depois". Em 2016, recém-casado, ele escreveu uma carta ao Papa Francisco junto com seu marido Franco Perrello, pedindo para serem acolhidos como uma família católica dentro da Igreja. Agora, a Congregação para a Doutrina da Fé respondeu indiretamente aos dois idosos, mas com um seco "Não": não é lícito dar a bênção aos casais homossexuais.

A entrevista é de Letizia Tortello, publicada por La Stampa, 16-03-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

O sonho de seu marido Franco e de muitos fiéis gays ainda não é possível. Quem sabe se algum dia será. Como você recebeu a decisão do Vaticano?

Com profunda dor e raiva. Nós gays não somos dignos de receber a bênção, porque estamos fora dos desígnios de Deus, inscritos na Criação? Bem, eu não me sinto um pecador sexual. Lamento ter que dizer isso para a Igreja. Amei Franco por 52 anos (faleceu em 2017, seis meses após a união civil com Gianni, quando tinha 84 anos). O amor tem um sexo? O que deve acontecer para que nos aceitem?

 

Vocês foram em lua de mel para Lourdes. Mas depois o padre de sua paróquia se recusou a celebrar o funeral de seu marido. Você perdeu a confiança na Igreja?

Não sei por que um gay do terceiro milênio deva se sentir tratado assim pela Igreja. Acredito que o Papa saiba que merecemos receber os mesmos ‘ritos’ que os heterossexuais, porque somos iguais, temos ossos, sangue, carne. Eu não me sinto diferente. E agora, sabe-se lá quando. Deus, como eu o conheço, olha para o coração. Aquele do Santo Ofício é um ataque à comunidade LGBT, que deve reagir. Acredito que o Santo Padre seja refém de alguns “cardinalacci” (maus cardeais), deixe passar o termo, que exploram a Igreja.

 

Portanto, você ainda reza?

Todas as noites. Se o Vaticano nos considera de segunda categoria, me sinto abençoado sozinho. Para mim, a fé é uma esperança, voltar a reencontrar o meu marido, que de qualquer forma tenho aqui comigo. Não entendo uma mentalidade que ainda está tão fechada. Eu rezo por meus entes queridos, por meu Franco e mais raramente também por mim. Às vezes, às 18h, no canal 28, sigo o Rosário de Lourdes. Não tenho vergonha de dizer isso, quando acabo de rezá-lo sinto-me feliz. E sabe o que acrescentaria?

 

Pode falar.

Que também no Vaticano deve ter homossexuais, mas não se pode dizer. Franco havia entrado no seminário, saiu antes de fazer os votos, quando percebeu que seu projeto era outro. Quantos ainda se tornarão sacerdotes, se a Igreja não tentar dar um passo em direção a algumas conquistas da sociedade?

 

Você e seu marido se tornaram um símbolo dos direitos dos homossexuais há cinco anos. A prefeita Appendino celebrou seu casamento. Estamos voltando atrás em certos temas?

Sim, eu digo isso como homossexual que teve que se esconder quando era jovem, e depois saiu de cara aberta por seu amor. Até sobre os direitos das mulheres, em nossa sociedade, algumas conquistas foram alcançadas, mas a mentalidade machista permanece.

 

O que você pediria ao Papa Francisco?

Para colocar a mão no seu coração e nos considerar todos iguais, filhos de Deus. Quando dá a sua bênção urbi et orbi, por acaso especifica ‘exceto os casais gays’?

 

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