“Covid-19 não é uma pandemia, mas uma sindemia”: o vírus afeta também a psique

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10 Fevereiro 2021

Risco de contágio, crise econômica, luto: é por isso que o Covid-19 não implica apenas o combate ao agente infeccioso.

A reportagem é de Adalgisa Marrocco, publicada por Huffington Post, 02-02-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Covid-19 não é apenas uma pandemia, mas uma sindemia”. Richard Horton, editor-chefe do The Lancet está convencido disso e, a partir das páginas da prestigiosa revista médica, foi um dos primeiros a observar que a disseminação do coronavírus não implica apenas o combate ao agente infeccioso, mas também um conjunto de problemas ambientais, sociais e econômicos capazes de gerar fortes repercussões na população mundial.

Do ponto de vista etimológico, "sindemia" deriva do grego συν (juntos) e δήμος (pessoas), com νόσημα (patologia): a peculiaridade de uma sindemia, de fato, implica a concomitância de duas ou mais patologias, que interagem e se influenciam negativamente. Já na década de noventa do século passado, o médico e antropólogo Merril Singer afirmava que “as sindemias são a concentração e a interação deletéria de duas ou mais doenças ou outras condições de saúde em uma população, principalmente em decorrência da desigualdade social e do exercício injusto de poder".

Por outro lado, os dados e a opinião dos cientistas revelam que o SARS-Cov2 nos expõe a um duplo risco: não se trata apenas da eventualidade de contrair o vírus, mas também de desenvolver mal-estar psicológico devido à contingência. Em particular, distúrbios psiquiátricos, ansiedade, insônia e depressão afetam não apenas aqueles que entraram em contato com a doença, mas também aqueles que, devido ao Covid, experimentaram a perda de entes queridos, perderam seus empregos ou sofreram graves danos econômicos. Os especialistas que se reuniram no recente Congresso Nacional da Sociedade Italiana de NeuroPsicoFarmacologia, presidida pelo Professor Claudio Mencacci, também ressaltaram isso.

"As condições de saúde, econômicas e sociais que surgiram após a pandemia de Covid-19 levaram a uma verdadeira sindemia: à doença ligada à infecção juntou-se um enorme impacto sobre o bem-estar psíquico de toda a população, tanto de aqueles que entraram em contato direto com o vírus, tanto aqueles que não foram infectados, mas vivem na pele as consequências da crise atual”, explicou Mencacci, co-presidente da Sociedade Italiana de NeuroPsicoFarmacologia e diretor do Departamento de Neurociência e Saúde Mental da ASST Fatebenefratelli-Sacco de Milão.

Os dados falam por si. O professor Claudio Mencacci destaca que “naqueles que entraram em contato com o vírus, a probabilidade de sofrimento mental é mais elevada, com uma incidência de sintomas depressivos que aumenta de 6 a 32%; até 10% das pessoas que perderam um ente querido devido ao Covid-19 enfrentarão um luto complicado que durará mais de 12 meses, também devido às regras de contenção de contágio que impediram a muitos de processar a dor, vendo uma última vez o ente querido para a derradeira despedida".

Segundo os especialistas da Sociedade Italiana de NeuroPsicoFarmacologistas, estima-se que nos próximos meses possam surgir até 800 mil novos casos de depressão, aos quais se somarão pelo menos 150 mil relacionados com a crise econômica e o desemprego. Em especial, na Itália, o risco de depressão dobra para aqueles com renda inferior a € 15.000 por ano e triplica para aqueles que estão desempregados.

“Depois de uma fase inicial em que todos os esforços foram feitos para resistir e principalmente se combatia o medo do vírus, agora apareceram o cansaço, o esgotamento e às vezes a raiva. E o que preocupa acima de tudo é a onda de mal-estar mental induzida pela crise econômica: as condições ambientais e socioeconômicas têm de fato um grande peso no bem-estar psíquico da população e a pandemia de Covid-19 está criando as premissas para a propagação do desconforto”, disse Matteo Balestrieri, co-presidente da Sociedade Italiana de NeuroPsicoFarmacologia e professor titular de Psiquiatria da Universidade de Udine.

Balestrieri acrescentou: “Portanto, estamos realmente diante de uma sindemia de proporções sem precedentes, à qual podemos reagir melhorando o atendimento e o tratamento dos pacientes. É necessário visar o fortalecimento dos serviços e é fundamental estar o mais próximo possível dos cidadãos. A começar pelos médicos de família, que podem ser os primeiros a identificar o desconforto, encaminhando depois os pacientes ao especialista”.

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