Papa Francisco, o povo é infalível mais do que as elites da Igreja

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27 Janeiro 2021

Mais do que as elites da Igreja, é o povo de Deus que é infalível. O Papa Francisco, fazendo uma diferença precisa entre a base e o vértice do povo de Deus, parece retornar sobre o conceito de infalibilidade em uma mensagem enviada à primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, que acontecerá de 21 a 28 de novembro próximo no México. Desta vez, o pontífice aborda a debatida questão em uma passagem, apoiando-se na teologia do povo a ele tão cara, destacando o papel do povo de Deus e da oração. “O povo é infalível in credendo”, diz ele.

A reportagem é publicada por Il Messaggero, 25-01-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

“Que esta Assembleia eclesial não seja uma elite separada do santo povo fiel de Deus. Juntamente com o povo: não se esqueçam, todos fazemos parte do povo de Deus, todos somos parte dele, e este povo de Deus que é infalível "in credendo", como nos diz o Concílio, é o que nos dá a pertença. Fora do povo de Deus surgem as elites, as elites iluminadas por uma ideologia ou outra, e esta não é a Igreja. A Igreja se concretiza no partir o pão, a Igreja se concretiza com todos, sem exclusão”.

A Teologia do povo a que o Papa parece referir se desenvolveu na Argentina a partir do Concílio Vaticano II, sobretudo pelo jesuíta Juan Carlos Scannone, falecido há dois anos, a quem Bergoglio era muito ligado.

Ela enfatiza como o povo seja uma expressão visível da Igreja. Scannone escrevia: “É este povo, como um todo, que anuncia o Evangelho. Deus escolheu convocá-los como povo e não como seres isolados [...]; atrai-nos tendo em conta a complexa teia de relações interpessoais que comporta a vida em uma comunidade humana".

Num recente artigo na Civiltà Cattolica foi explicado que a teologia do povo assume uma relevância objetiva na visão do Papa Bergoglio: "As relações entre Scannone e Bergoglio foram constantes - mesmo depois que este último foi eleito papa em 2013 - mais por meio de trocas de ideias do que por laços institucionais. O que os unia era uma sensibilidade igual pela originalidade da Igreja argentina. Ambos conhecem e amam seu povo. A Igreja argentina tem a reputação de desenvolver uma teologia original, a teologia argentina do povo. Não ignora a teologia da libertação, mas lhe dá um tom menos direcionado à dialética socioeconômica do que outros países da América Latina”.

Se o conceito de populismo geralmente corresponde a uma certa desconfiança em relação aos políticos, na teologia argentina o povo está indiretamente ligado ao peronismo. Um fio condutor nada banal: Perón chegou de fato ao poder defendendo os direitos dos pobres, opondo-se às leis da época que não protegiam as massas, inspirando-se - segundo alguns - na doutrina social da Igreja para atrair as classes populares maltratadas.

O papel do povo na teologia do Papa continua a ser um tema chave para a compreensão de sua visão. Há cinco anos, o Papa Francisco, num encontro dedicado ao tema da sinodalidade, explicou bem como o povo de Deus como um todo - dos fiéis aos bispos - poderia ser considerado "infalívelin credendo’" visto que todo batizado, independentemente do grau de instrução, da consciência de sua fé ou da função exercida "continua sendo um sujeito ativo de evangelização". Segundo o pontífice, a evangelização não é, portanto, algo confiado a "atores qualificados", enquanto o resto do povo deveria se limitar a ser passivo, "receptivo às suas ações".

Na prática, evangelizar não é tarefa apenas das elites da Igreja. Segundo o Papa, o povo de Deus, de fato, “possui um próprio faro para distinguir os novos caminhos que o Senhor descortina para a Igreja”.

 

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