A saída da Ford. Nota de Luiz Carlos Bresser-Pereira

Revista ihu on-line

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Clarice Lispector. Uma literatura encravada na mística

Edição: 547

Leia mais

Mais Lidos

  • Refazer os padres, repensando os seminários. Artigo de Erio Castellucci

    LER MAIS
  • Por que os bispos dos EUA não defendem o Papa Francisco dos ataques das mídias estadunidenses?

    LER MAIS
  • PEC 32: ‘terceira via’ e bolsonaristas se unem contra servidores, diz analista

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


18 Janeiro 2021

"O acordo automotivo de 1995 salvou as montadoras. Mas como não se sabia que estavam assim neutralizando a doença holandesa em relação ao mercado interno, quando começou a pressão liberal, a resistência das montadoras foi pequena", constata Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, em nota publicado por Portal Disparada, 17-01-2020.

Eis o texto. 

A Ford está saindo do Brasil. Ao se aproximar a data de demissão dos últimos 5 mil funcionários, os artigos e matérias nos jornais se avolumam.

De um lado, dois economistas desenvolvimentistas, Nelson Barbosa e Nelson Marconi, de outro um economista liberal, Samuel Pessoa, e um editorial de Valor lamentam o fato.

Mas, afinal, o que dizem todos é que a indústria automobilística, embora excessivamente onerada com impostos, é compensada com subsídios, de forma que decisão da Ford decorre de má administração?

Será verdade, ou antes, desde o célebre acordo automotivo de 1995, foram criados incentivos de cerca de 35% que impediram que acontecesse com as montadoras o que aconteceu com o resto da indústria brasileira: fosse liquidada.

A indústria de transformação passou por violenta desindustrialização porque, a partir de 1990, o Brasil deixou de neutralizar a doença holandesa – e a indústria passou a enfrentar uma grande desvantagem competitiva.

A neutralização da doença holandesa era feita intuitivamente através de elevadas tarifas de importação e elevados subsídios à exportação de manufaturados. Em 1990 as tarifas foram radicalmente baixadas e os subsídios, eliminados.

O acordo automotivo de 1995 salvou as montadoras. Mas como não se sabia que estavam assim neutralizando a doença holandesa em relação ao mercado interno, quando começou a pressão liberal, a resistência das montadoras foi pequena.

E assim estamos acabando com a indústria automobilística no Brasil. Há muito perdemos a capacidade de exportar, e à medida que caíram as tarifas, as empresas deixaram de ser competitivas internamente.

Sempre se pode dizer que o problema é a incompetência da Ford, mas é assim que nos auto-enganamos.

Escrevo esta nota para fazer um apelo aos jovens economistas. Façam pesquisa para confirmar ou rejeitar o que estou afirmando. Eu sei que o momento não é bom porque desde 2014 a taxa de câmbio está competitiva.

Mas ninguém se engane. Está competitiva porque os preços das commodities caíram, porque a taxa de juros caiu, e porque os investidores estrangeiros perderam confiança no Brasil.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

A saída da Ford. Nota de Luiz Carlos Bresser-Pereira - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV