Papa Francisco: “Acredito que eticamente todos devam tomar a vacina”

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11 Janeiro 2021

“A violência nunca é aceitável”. E ainda: “Devemos aprender que os grupos para-regulares, que não estão bem integrados na sociedade, mais cedo ou mais tarde farão esses atos de violência”. Três dias após o ataque dos partidários de Trump ao Capitólio, o Papa Francisco faz sua voz ser ouvida. Ele nunca menciona o presidente estadunidense em saída, mas diz que "esse movimento deve ser condenado".

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por Repubblica, 09-01-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Francisco decide dar sua opinião em uma entrevista que será transmitida no domingo à noite no Tg5e na qual também fala sobre a pandemia, vacinas, aborto e como sua vida mudou por causa do vírus. Sobre os episódios do Capitólio ele diz: “Fiquei surpreso ... um povo tão disciplinado ... a democracia... não? ... Mas é uma realidade, e mesmo na realidade mais madura sempre há algo que não vai bem, algo que caminha contra a comunidade, contra a democracia, contra o bem comum. Agradeço a Deus que isso tenha estourado e que pudemos ver bem, porque assim podemos pôr remédio. Esse movimento deve ser condenado, independente das pessoas”. O Papa continua: “Já li algumas coisas sobre isso e a violência é sempre assim ... Ninguém pode se gabar de não ter um dia um caso de violência, isso acontece na história, devemos entender bem para não repetir e aprender com a história. aprender que grupos para-regulares, que não estão bem integrados na sociedade, mais cedo ou mais tarde praticarão esses atos de violência”.

Na entrevista, o Papa explica que acredita que “eticamente todos devam tomar a vacina”. “É uma opção ética, porque você está pondo em risco a sua saúde, a sua vida, mas também a vida dos outros”, diz. E ainda: “Na próxima semana” vamos começar a vacinação aqui e eu já marquei, temos que tomar. Quando eu era criança eu lembro que houve a crise da poliomielite e muitas crianças ficaram paralíticas por causa disso e havia um desespero para tomar logo a vacina. Quando saiu a vacina, era distribuída num torrão de açúcar e tinha tantas mães desesperadas ... aí a gente cresceu à sombra das vacinas, do sarampo, para isto, para aquilo, vacinas que eram tomadas quando a gente era criança ... Não sei porque alguém fala: 'não, a vacina é perigosa', mas se os médicos as apresentam como algo que vai ser bom, que não acarreta perigos especiais, por que não tomar? Há um negacionismo suicida que não saberia explicar, mas hoje é preciso tomar a vacina."

Enquanto isso, o L'Osservatore Romano que anunciou a morte de Fabrizio Soccorsi, o médico do Papa. O jornal de Santa Sé explica que o homem de 78 anos foi hospitalizado no Gemelli por uma patologia oncológica, mas o falecimento ocorreu como resultado de complicações da Covid-19. Bergoglio o havia escolhido como seu médico pessoal em 2015.

Até agora, Francisco nunca havia falado nada sobre as desordens nos EUA. O Vatican News, nos últimos dias, porém, havia retomado as palavras dos bispos dos Estados Unidos. O presidente da Conferência Episcopal americana, monsenhor José Horacio Gómez, havia declarado que “não é isso que somos como americanos, onde a transição pacífica de poder é uma das marcas mais distintivas”. E ele insistiu: "Neste momento preocupante, devemos nos empenhar novamente com os valores e princípios da nossa democracia e nos unir como uma nação sob Deus."

Enquanto no site da Santa Sé havia falado Alessandro Gisotti, vice-diretor editorial da mídia do Vaticano, explicando que depois do Capitólio deve começar o tempo da cura, os EUA devem "se reconciliar, se redescobrir, retomar os valores que os tornaram símbolo da democracia ocidental ".

O L'Osservatore Romano havia condenado o ataque, ao dedicar a primeira página e o título “Democracia ferida” aos eventos no Capitólio. O jornal da Santa Sé apontava precisamente contra Trump: “A política não pode ignorar as responsabilidades individuais, especialmente por parte daqueles que detêm o poder e são capazes, através de uma narrativa polarizadora, de mobilizar milhares de pessoas”.

Nas últimas horas, mais uma vez, foram os jesuítas estadunidenses que pediram aos homens da Igreja que examinassem sua consciência. O padre James Martin tornou-se porta-voz disso: “Este é o momento para os líderes cristãos admitirem sua parte na violência no Capitólio. Quando se define as eleições como ‘o bem contra o mal’, se difamam os candidatos e se transmite que votar em um candidato é um 'pecado mortal', se encoraja as pessoas a pensar que as ações de hoje sejam morais."

A referência do jesuíta era direcionada à ala conservadora que sempre apoiou Trump e da qual é líder o ex-núncio nos EUA, monsenhor Carlo Maria Viganò, que há poucos dias, quase prevendo o que poderia acontecer, dera sua bênção preventiva. Numa entrevista a Steve Bannon, que também está intimamente ligado a Trump, Viganò disse textualmente: “A quem lutar bravamente para defender os direitos de Deus, da pátria e da família, o Senhor garante a sua proteção”.

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