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11 Janeiro 2021

A ilusão de ter nas mãos o destino do mundo se choca na realidade com os desequilíbrios portadores de empobrecimento.

A opinião é de Vinicio Albanesi, padre e professor do Istituto Teologico Marchigiano, presidente da Comunidade de Capodarco desde 1994, fundador da agência jornalística Redattore Sociale e, junto com o Pe. Luigi Ciotti, da Coordenação Nacional das Comunidades de Acolhida (CNCA) da Itália.

O artigo foi publicado em Settimana News, 08-01-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A vacinação contra a Covid-19 requer tempo: seja para a chegada das doses, seja para a organização das vacinações que se prolongarão por meses, tendo que envolver milhões de pessoas.

Já foi levantada a questão das prioridades a serem seguidas. A discussão está se orientando para duas teses: começar a partir de quem mais precisa (pessoal médico e de enfermagem...) e de quem tem mais esperança de vida.

Enquanto para o pessoal médico não há discussão, são perigosas as justificativas de quem sugere dar possibilidade a quem tem maior expectativa de vida. Nesse sentido, já se manifestaram o presidente da Consulta Biomédica, Maurizio Mori, que defende que, entre os primeiros, deveria ser vacinados os parlamentares, depois os alunos do Ensino Médio, que têm uma longa expectativa de vida. Por estes últimos, também se manifestaram o secretário do Snals (Sindicato Nacional Autônomo dos Trabalhadores das Escolas) e o secretário-geral do Cisl Scuola [Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores Escolas].

É uma discussão perigosa, porque esta segunda hipótese está orientada para proteger quem já têm elementos de defesa suficientes, em detrimento de quem é frágil e, portanto, está destinado a morrer rapidamente.

Acredito que é necessário se opor a essa hipótese de forma clara e aberta. A regra a ser seguida na pandemia é a de proteger quem tem mais risco. A história da pandemia demonstrou que as maiores vítimas foram os idosos, especialmente aqueles trancados nos asilos. Não só eles, mas também os dois milhões de idosos e deficientes que, na Itália, foram declarados inválidos em 100%.

Diante da igualdade de todos em termos de saúde, o caminho a ser seguido é o do respeito pela pessoa. Apelar à eficiência significa aceitar a desigualdade. É a orientação sobretudo dos países do Norte da Europa. Uma filosofia que despreza quem não tem recursos para pôr em campo: o célebre “descarte” de que frequentemente fala o Papa Bergoglio.

É uma filosofia sem memória. Se o mundo progrediu, isso se deve àqueles que, ao longo das gerações, contribuíram para os resultados alcançados.

A visão da onipotência do presente é infelizmente sugerida por impulsos eficientistas, onívoros e, em última análise, devastadores.

Não se pode deixar de ampliar o olhar para a economia, para o respeito pela criação, para as desigualdades, para a igualdade de direitos.

Como cristãos, não é possível nos calarmos: com o tempo, houve subestimação das tendências atuais. Encerrados nos pequenos-grandes problemas da vida interna da Igreja, foram subestimadas as raízes do desenvolvimento distorcido do Ocidente.

Em silêncio, foram acolhidas melhorias que não tinham custo zero. Consumo, posses, arranjos trouxeram maiores desequilíbrios: o maior preço foi pago por quem já tinha pouco.

Se a doutrina social da Igreja sempre defendeu o respeito a cada pessoa, o povo dos cristãos não quis ver muito isso, esquecendo que quem salva o pobre salva a si mesmo. De fato, ninguém pode prever que um dia não será forçado – Deus nos livre – a pedir ajuda.

Chegou a hora de não falar mais dos últimos, dos deserdados, dos pobres, porque a globalização e as condições do mundo dizem que é preciso redescobrir, com a contribuição de todos, a harmonia: a condição em que o ambiente, as relações, os recursos contribuem para criar comunidade.

A ilusão de ter nas mãos o destino do mundo se choca na realidade com os desequilíbrios portadores de empobrecimento.

O cristianismo é uma grande religião, porque está orientada para o bem-estar sem exceções, em um projeto que compreende todas as experiências dos seres vivos.

O Deus criador do Éden, testemunhado por Cristo salvador, é uma luz benéfica, porque oferece à limitação da natureza a perspectiva de uma bem-aventurança sem limites, iniciada e levada adiante já na terra.

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