As políticas liberais só beneficiaram o topo da renda. “O capitalismo liberal gera desigualdades e ponto”

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15 Novembro 2020

A pandemia do coronavírus escancarou a desigualdade econômica e social vivida no mundo. No Brasil não foi diferente: a população de classe mais baixa já vinha sofrendo com falta de dinheiro e poucas oportunidades no mercado de trabalho. Tudo isso influenciado por uma crise que já se instalou no Brasil há muitos anos e uma política liberal que só serviu para aumentar a diferença financeira entre os pobres e os ricos.

A reportagem é de André Martins, estagiário do Curso de Jornalismo da Unisinos.

A crise econômica está longe do fim. Assim sentencia o doutor em economia, Róbert Iturriet, que vê com pessimismo o futuro para enfrentar a desigualdade social e os problemas financeiros gerados pela pandemia.

Segundo Iturriet, a crise econômica aumenta a desigualdade naturalmente. “Quando se tem um crescimento econômico, aumenta o emprego e melhora a qualidade de vida e o inverso também é verdadeiro”, explica. Ou seja, estamos vivendo um período crescente de desigualdade vinda de duas crises seguidas. Na análise de Iturriet, para sair da crise, melhorar a renda per capita e voltar aos números que tínhamos entre 2005 e 2013, anos que foram os melhores da história, demorará no mínimo cinco anos.

Para falar sobre os problemas da desigualdade econômica de Porto Alegre, Iturriet participou da palestra “A intensificação da desigualdade na Região Metropolitana de Porto Alegre”, promovida pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, nesta quinta-feira, 12-11-20.

Iturriet frisa que a culpa dessa crise não é apenas da pandemia. Para ele, um dos principais responsáveis por essa situação econômica é o resultado de uma série de ações implementadas pelo governo para a desarticulação de políticas públicas, com cortes na saúde, educação e assistência social. “O contexto macroeconômico influencia nessa situação: foram três reformas trabalhistas nos últimos anos com o objetivo claro de redução de salário e retirada de direitos trabalhistas. Essa precariedade impacta na desigualdade”, afirma.

Havia uma promessa política de que o liberalismo beneficiaria toda a população e geraria mais renda, emprego e qualidade de vida. Porém, Iturriet vem observando que essas políticas liberais só beneficiaram o topo da renda. “O capitalismo liberal gera desigualdades e ponto”, afirma.

A crise na capital

Porto Alegre foi uma das cidades em que a população mais perdeu emprego durante a pandemia. Na criação de empregos, a capital vem em queda desde 2015, com 2020 sendo o pior deles. A taxa de desocupação também aumentou após a crise. Iturriet explica que esses dados são resultados dos cortes públicos no governo da capital e da reforma trabalhista. “Nenhum projeto gerou aumento no trabalho ou na economia. Piorou tudo”, assegura. Porto Alegre é uma das piores capitas nos índices econômicos e de postos de trabalho, perdendo apenas para capitais mais populosas como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Alternativas

Iturriet explica que o auxílio emergencial trouxe um desafogo para a população, mas na medida em que seu valor vai baixando, até chegar ao fim em dezembro, poderá agravar a situação, gerando um grande impacto social. “Com a manutenção do auxílio, a crise pode não ser tão pior”, diz. Mas o professor adverte: “Não há perspectiva de crescimento econômico em médio prazo, nem no aumento de emprego ou da renda per capita”.

A transferência de renda pode ser uma alternativa, segundo ele. A renda universal entrou em discussão no mundo inteiro e se tornou uma alternativa interessante para solucionar, pelo menos um pouco, o problema da desigualdade. “Com as dificuldades de retroagir a pobreza, o capital pode criar um programa de transferência de renda para ajudar a população a não depender somente do auxílio do governo”, entende.

Cenário global

Iturriet analisou o cenário econômico global em entrevista especial para a IHU On-Line. O paradigma financeiro do Brasil passa pela China e Estados Unidos, potências mundiais que sofreram com a crise do coronavírus, mas que irão recuperar gradativamente seus números na economia. No Brasil, ao contrário, demorará mais tempo para voltar a um quadro estável.

Em outro artigo publicado na IHU On-Line, Iturriet destaca a necessidade de taxar os mais ricos. “Estudos recentes demonstram que os mais ricos no Brasil estão entre aqueles que menos pagam impostos no mundo”, afirma. Isso reforça a desigualdade que vem se observando na pandemia, já que o pobre gasta mais com seus impostos e sente mais no bolso. “Tal configuração da carga tributária brasileira significa que os pobres proporcionalmente pagam mais, já que consomem uma parcela maior da sua renda”, conclui.

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