Mariátegui: marxismo herético e dissidente

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26 Setembro 2020

Pensador peruano, morto há 90 anos, não se conformou à ortodoxia socialista, que conheceu a fundo na Europa. Ao voltar, escreveu sobre povos indígenas e o imperialismo, em obra riquíssima e atual. Simpósio internacional debate sua trajetória.

A reportagem é publicada por OutrasPalavras, 25-09-2020.

Noventa anos depois de seu falecimento, José Carlos Mariátegui (1894-1930), o intelectual peruano e um dos pensadores mais originais do século XX, segue sendo reinterpretado à luz dos acontecimentos políticos e culturais presentes, como pode ser verificado no Simpósio Internacional “José Carlos Mariátegui: A 90 años de su paso a la historia” nesta semana, de 22 até 27 de setembro.

José Carlos Mariátegui. (Foto: Divulgação | OutrasPalavras)

Nascido em 1894, Mariátegui trabalhou como jornalista durante toda sua vida. Durante sua estadia na Europa, entre 1919 e 1923, aproximou-se da literatura marxista clássica (Marx, Engels, Lênin, Trotsky etc.), acompanhou o destino da Internacional Comunista (IC) e de seus principais atores políticos bem como dialogou com outras correntes intelectuais europeias do pós-guerra. Após seu retorno ao Peru, Mariátegui começou a desenvolver ampla reflexão teórica ao lado de um projeto de organização cultural e política do país. Foi fundador da revista Amauta (1926-1930), que reuniu a vanguarda cultural e política do Peru, da América Latina e das correntes internacionais.

Em 1928, rompeu com a Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), movimento continental anti-imperialista liderado por Haya de la Torre, e ajudou a fundar o Partido Socialista Peruano (PSP), tornando-se membro da III Internacional. Nesse período, sua atividade política se intensificou: fundou a Confederação Geral dos Trabalhadores Peruanos (CGT) e o jornal Labor (1928-1930); enviou duas teses sobre a questão indígena e o imperialismo para a Primeira Conferência Comunista Latino-americana (Buenos Aires, 1929), que lhe valeram duras críticas dos delegados alinhados à ortodoxia stalinista. Padecendo desde criança de uma saúde muito frágil – lembremos que ele foi obrigado, em 1924, a amputar a perna direita em decorrência de uma grave enfermidade –, Mariátegui morreu em 1930, aos 35 anos.

Podemos verificar um Simpósio Internacional “José Carlos Mariátegui: A 90 años de su paso a la historia”, organizado pelo Museo JCM, o Archivo JCM e a Asociación Amigos de Mariátegui.

Foram organizadas 6 mesas com diversas pesquisadores na América Latina, além 4 debates sobre recentes livros sobre Mariátegui. Temas como a atualidade do socialismo, o problema da modernidade, o marxismo e a circulação das ideias em sua obra e trajetória serão debatidos. Deni Alfaro Rubbo, professor de Ciências Sociais e do mestrado Mestrado Profissional em Ensino de História da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) e colaborador do Outras Palavras, é o único representante brasileiro no evento. Além de participar do debate sobre o livro In the Red Corner. The Marxism of Jose Carlos Mariategui, de Mike Gonzáles (Inglaterra), juntamente com José Carlos Mariátegui Ezeta, neto de Mariátegui, apresenta o trabalho “Mariátegui y los teóricos brasileños de la dependencia: (des)encuentros en el exilio latino-americano”.

A transmissão do evento está sendo realizado através do Facebook do Museo José Carlos Mariátegui. Dali se compartirá com os Facebooks de outras instituições coorganizadoras.

Programação

Foto: Reprodução

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