Francisco: a conversão de um papa

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08 Setembro 2020

Em um encontro com um grupo de especialistas que colaboram com os bispos franceses em temas relacionados com a Laudato si ', o Papa Francisco - falando de improviso – contou sobre sua conversão relativa à questão ecológica. No começo não entendia muito e, portanto, não estava ciente da importância que tinha para o futuro da terra e das implicações teológicas e eclesiais que trazia consigo. Depois veio o estudo, a escuta e a oração. Atitudes centrais para todo processo de discernimento de fé.

O comentário é de M.N., publicado por Settimana News, 06-09-2020. a tradução é de Luisa Rabolini.

E do discernimento se gerou a sua conversão; e desta a encíclica. Aliás, um dos raros documentos da Igreja Católica que você pode ler facilmente em uma universidade com os alunos - percebendo que eles estão muito mais próximos do sentimento geral da encíclica do que você possa ser (embora formalmente com a Igreja Católicos eles têm pouco ou nada a ver).

A conversão gera, com este Papa, uma inesperada e surpreendente proximidade geracional. Uma pérola preciosa – levando em conta que não temos muitas, para guardar e com a qual todos nós na Igreja podemos aprender.

Tem-se falado muito nos últimos tempos sobre a pandemia como o evento que obrigou Francisco a permanecer fechado dentro dos muros para ele sufocantes do Vaticano - um ascetismo para alguém como Francisco, que vive de contatos e encontros não formais com as pessoas. Alguém deduziu que isso marcou o ponto de partida da parábola descendente do papado, que Francisco já teria dado o que tinha para dar nos anos até fevereiro de 2020. Não teríamos, portanto, nada de novo a esperar no futuro.

Pode ser que seja esse o caso, só o tempo que virá nos dará alguma confirmação. Mas poderia haver algo que pode embaralhar as cartas nessa avaliação. Trata-se justamente da capacidade espiritual de Francisco de se converter, de assumir a história como um processo que requer uma recalibragem da própria vivência e das próprias perspectivas. Mas também das próprias responsabilidades, na Igreja e perante o mundo.

O deserto do lockdown e da pandemia ainda é a terra que habitamos; e junto com todos nós Francisco. Talvez, aquele “estamos todos no mesmo barco” de 27 de março deva ser lido também nessa chave. Sabemos o que aconteceu a Pedro naquele barco e qual foi o ponto de apoio que lhe permitiu não se afogar no mar revolto depois de uma primeira onda de confiança.

Embora não esteja naturalmente em seu meio ideal, nos últimos meses Francisco aprendeu a habitar um horizonte fisicamente restrito e espiritualmente universal. E ele deve ter percebido o sinal dessa condição não desejada. A partir disso ele começou a desenhar, nas solitárias catequeses do mês de agosto, a arquitetura do mundo depois da pandemia. Para todos, não apenas para um pequeno grupo de eleitos que se reconhecem sob o nome de "católicos".

Retornando a esse título o universalismo desejado pelo Senhor, que já havia começado a explicitar em várias passagens antes da pandemia. Mas, para fazê-lo nas condições ditadas pelo vírus, Francisco teve que se curvar a uma nova conversão e atravessar pelo discernimento que coagula a forma de vida que quer ser coerente com ela. Geralmente, na fé, é assim que se gera o novo; e é com essa chave de leitura que teremos de percorrer as páginas da nova encíclica anunciada.

Um Papa que se converte mediante coisas que acontecem no exercício de seu ministério é, em todo caso, um bem e uma bênção: para a Igreja e o mundo, juntos.

 

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