EUA. Kamala Harris é uma boa e uma má escolha para vice

Revista ihu on-line

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Mais Lidos

  • "É hora de reaprender a arte de sonhar com os xamãs nativos"

    LER MAIS
  • Uma visão do suicídio no Brasil em resposta à outra visão apresentada

    LER MAIS
  • “É triste ver cristãos acomodados na poltrona”. O alerta do papa Francisco contra a acídia

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


13 Agosto 2020

Primeiro, as más notícias. A escolha de Joe Biden da senadora Kamala Harris como sua companheira de chapa é um revés para os progressistas.

O comentário é de Michael Sean Winters, publicado em National Catholic Reporter, 12-08-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Você toma muitas decisões importantes como presidente”, disse Biden no e-mail anunciando a escolha. “Mas a primeira é quem você escolhe para ser seu vice-presidente.”

Essa escolha totalmente convencional de alguém que nunca desafiou as políticas econômicas neoliberais que roubaram a classe trabalhadora dos EUA durante décadas – e a enviou para os braços acolhedores de Donald Trump – não é um bom presságio para uma presidência Biden. Os tempos exigem uma reestruturação econômica ousada e progressiva, e é difícil ver Harris demandando tal ação em relação a Biden.

Como eu escrevi no ano passado, depois do primeiro debate das primárias:

“O desempenho de Harris no debate mostrou a sua habilidade como contadora de histórias, assim como a sua habilidade de entregar uma linha de ataque bem ensaiada, atacando o histórico de Biden em relação ao transporte escolar e levando a questão para o nível pessoal: ‘Aquela garotinha era eu’. Mas, no fim do debate, alguém poderia responder à pergunta: por que Harris acha que ela deveria ser presidente? Ou a esta: alguém pode descrever com alguma precisão para onde Harris gostaria de liderar o país caso ela se tornasse presidente? Todos os elogios para a sua performance no debate tinham a ver com estilo, não com política.”

Ela nunca respondeu a essas perguntas, e você não pode escapar da conclusão de que ela estava concorrendo à presidência porque era o próximo passo lógico na sua carreira. Combinado com alguns erros estratégicos, essa falta de lógica resultou em uma catástrofe: ela caiu fora da disputa antes que um único voto fosse feito.

Além da anêmica corrida presidencial de Harris – talvez um ponto sobre o qual ela e Biden possam se unir –, há o problema do seu histórico e da sua dependência do dinheiro do Vale do Silício para financiar a sua carreira política. Jesse Mechanic, no HuffPost, examinou a sua falha em processar o então rei da execução hipotecária, o agora secretário do Tesouro, Steve Mnuchin. Joel Kotkin, no City Journal, explicou os lamentáveis laços financeiros dela com o Vale do Silício. O único desenvolvimento mais progressista na política dos EUA nos últimos anos – candidatos que realizaram campanhas com arrecadação de fundos genuinamente a partir da base e sem arrecadação de fundos de alto valor e de pessoas de difícil acesso – é um desenvolvimento do qual Harris não participou.

Os católicos se lembrarão, e os católicos conservadores têm todo o direito de questionar os bizarros comentários de Harris sobre os Cavaleiros de Colombo. Em 2018, ela perguntou a uma pessoa citada judicialmente, Brian Buescher: “Quando você se juntou à organização, você sabia que os Cavaleiros de Colombo se opunham ao direito de escolha de uma mulher?”.

A questão é embaraçosa tanto em sua ignorância quanto em sua intolerância. Michael Gerson, indiscutivelmente o crítico mais combativo e incisivo do presidente Trump, comparou corretamente as perguntas de Harris ao tipo de intolerância anticatólica que pensávamos que havia ficado no passado da nação.

Sejam quais forem as dificuldades que eu tenha com a liderança dos Cavaleiros de Colombo, elas não desculpam o desprezo dela por uma religião da qual milhões de concidadãos fazem parte, incluindo o seu novo companheiro de chapa.

Agora, a boa notícia: a escolha de Harris como companheira de chapa de Biden pode não importar. Politicamente, a escolha de um candidato a vice-presidente quase nunca ajuda, só pode prejudicar.

Na minha vida, a única escolha que realmente ajudou um candidato à presidência foi a escolha de Al Gore como companheiro de chapa de Bill Clinton: em vez de buscar equilíbrio, Clinton reforçou a sua imagem como um novo tipo de democrata – centrista, de fala mansa, jovem – e fez isso precisamente no momento em que a campanha de Ross Perot estava implodindo, e os eleitores voltaram a olhar para Clinton.

A escolha de Tom Eagleton por parte de George McGovern, assim como a escolha de Sarah Palin por parte de John McCain, prejudicou campanhas já destroçadas.

Na maioria dos casos, a escolha domina as notícias em um ciclo lento de notícias de agosto, mas não muda as mentes. Neste ano, será que há alguém que ainda não se decidiu?

Em termos de governo, se a chapa Biden-Harris tiver sucesso, a situação que eles enfrentarão em janeiro pode ser tão sombria que eles precisarão recorrer às ideias mais progressistas defendidas pelo senador Bernie Sanders e pela senadora Elizabeth Warren nas primárias presidenciais deste ano.

Em um momento em que milhões de pessoas perderam seus empregos e, com eles, o seu seguro-saúde, o Medicare for All está parecendo ainda mais obviamente a solução de que o país precisa. Continuar mantendo a economia à tona, enviando dinheiro para os cidadãos mais pobres do país, em vez de para os mais ricos, representa uma derrota da economia laissez-faire à la Reagan, impossível de conceber até alguns meses atrás.

O New Green Deal agora não é apenas uma necessidade ambiental; é uma necessidade econômica, criando milhões de empregos bem remunerados, convertendo a base da economia nos combustíveis fósseis em fontes de energia sustentáveis.

Os leitores regulares saberão que Warren era a pessoa que eu queria que Biden escolhesse. Eu fico feliz por termos uma mulher na cédula, e só gostaria que fosse uma mulher progressista. Após as tensões raciais que o país viveu nesses meses, colocar uma mulher negra na cédula é louvável, um forte sinal de que, no Partido Democrata, o antirracismo é inegociável.

Além disso, como filha de imigrantes, ela encarna as circunstâncias de vida e as esperanças dos imigrantes para os quais o governo Trump tem sido especialmente infernal.

A impressionante história pessoal de Harris e a sua inegável competência irão, dia após dia, desmentir as crenças mais feias do sexismo e do racismo.

O fato de os democratas terem uma mulher negra na chapa significa que a raça estará no centro da eleição deste ano, ainda mais do que deveria. Isso torna ainda mais imperativo para os progressistas se prepararem para denunciar ataques racistas e sexistas contra Harris, e para fazer disso uma parte da derrota de Donald Trump em novembro.

Sejamos claros: o desapontamento com essa escolha não muda a equação moral em novembro. Assim como eu argumentei no mês passado que os democratas deveriam dar as boas-vindas ao apoio dos republicanos enojados com Trump, não deixemos ninguém pensar que ter Harris na cédula é uma quebra de contrato.

Bernie Bros e outros progressistas desapontados devem se unir à chapa Biden-Harris e trabalhar para garantir que haja muita pressão dentro do partido para que políticas econômicas fortemente progressistas sejam implementadas.

Livrar a nação de Trump e do trumpismo é um imperativo moral da mais alta ordem para os progressistas aqui e em todo o mundo.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

EUA. Kamala Harris é uma boa e uma má escolha para vice - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV