EUA, a cruzada do cardeal Burke: “Nada de comunhão a Biden. Seria um sacrilégio”

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12 Agosto 2020

O candidato democrático nas eleições presidenciais de 2020 se manifestou várias vezes a favor do aborto. E o prelado está entre os mais conservadores da Igreja estadunidense, também se posicionando contra o Papa Francisco.

A reportagem é de Massimo Basile, publicada por La Repubblica, 11-08-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Não deem a comunhão a Joe Biden. O apelo foi lançado pelo cardeal Raymond Burke, um dos expoentes mais conservadores da Igreja, em uma entrevista à Fox News. Burke, que nos últimos meses se manifestou contra o uso da máscara, disse que a todos os "chamados políticos católicos", incluindo o candidato presidencial democrata, deve ser negado o sacramento por terem se manifestado a favor do aborto e do reconhecimento de casamento homoafetivo. “Eles não podem se apresentar para receber a sagrada punição - explicou - porque não estão em comunhão com Cristo”. “Não é uma punição”, acrescentou, mas um “favor que lhes fazemos dizendo para que não se apresentem, porque se o fizerem, estarão cometendo um sacrilégio”.

Criado em uma pequena fazenda de Wisconsin, ordenado sacerdote por Paulo VI em 1975, Burke é uma das referências de Donald Trump e líder da frente dos tradicionalistas da Igreja, aquela que desafiou abertamente a linha teológica do Papa Francisco desde o início de seu pontificado. O ataque a Biden marca outro confronto com o pontífice. Em novembro, o candidato democrata revelou que havia recebido a comunhão do Papa depois que um padre da Carolina do Sul a havia negado.

Na visão de Burke, mesmo que ele não diga isso, o Papa teria autorizado um sacrilégio. Já em 2004, o cardeal estadunidense havia alertado o então candidato democrata, John Kerry, a não comparecer para receber o sacramento. Aqueles que apoiam o aborto são vistos como "pecadores obstinados". As últimas declarações de Biden aumentaram a distância com a ala mais conservadora. Em abril, o candidato democrata definiu o aborto como "serviço essencial" e, em julho, reiterou seu apoio ao direito das mulheres de decidirem. A declaração veio depois da decisão da Suprema Corte que rejeitou uma lei da Louisiana que permitia a prática e a terapia pós-intervenção a apenas uma clínica em todo o estado.

O fato de Biden frequentemente lembrar sua fé católica e frequente regularmente a missa não muda a opinião dos tradicionalistas. Quando ele afirma "encontrar conforto na oração" e carregar o rosário com ele, provoca o efeito contrário. Trump, por outro lado, continua a ser muito popular entre os fiéis conservadores, incluindo aqueles da Igreja Protestante dos Evangélicos, 80 por cento dos quais confirmaram apoio em vista das eleições presidenciais de 3 de novembro. Embora quase nunca frequente a igreja, ele é visto como o verdadeiro crente e defensor da fé. Ele alimenta essa narrativa com gestos simbólicos, como a foto na igreja El Rey Jesus em Miami em janeiro, ele de pé no palco, orando e de olhos fechados, enquanto recebe uma bênção em um evento eleitoral, e a Bíblia mostrada na escadaria da Igreja de St. John.

Biden, ao contrário, é o "pecador". Antes de Burke, também o padre Frank Pavone, diretor do Priests for Life, havia pedido que ao candidato democrático fosse negada a comunhão: "Ele não protegeu os pequenos que nunca nasceram, colocando-se em conflito não só com a fé católica, mas com a mensagem cristã, os princípios fundadores da América e da decência humana. Você não pode matar crianças e não pode autorizar ninguém a fazê-lo”. A distância pode ser ampliada pela escolha da vice-presidente. Entre as candidatas está a senadora californiana Kamala Harris, que contestou o juiz distrital Brian Buescher por pertencer à organização católica dos Cavaleiros de Colombo, formada apenas por homens, contrária ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Um currículo que, se fosse escolhida por Biden, convencerá Burke a continuar sua cruzada com ainda mais força, e outros padres espalhados pelos EUA a segui-lo.

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