Amazônia tem 6.803 focos de incêndio em julho, um aumento de 28% em relação a 2019

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07 Agosto 2020

Pantanal também exige atenção: o bioma é o campeão do aumento do fogo em 2020.

A reportagem é publicada por WWF-Brasil, 04-08-2020.

Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Amazônia teve mais um mês com o aumento de incêndios: 6.803 focos foram detectados em julho, um aumento de 28% em relação ao mesmo período de 2019. Esse crescimento ocorre apesar da presença do Exército na região e do decreto federal que proíbe o uso de fogo no bioma por quatro meses. O recorde de queimadas em julho aconteceu em 2017 ao chegar em 7.986 pontos de incêndio.

“Embora o governo brasileiro tenha começado a dizer que está trabalhando para reduzir incêndios, os números mostram que ainda há muito o que fazer para que haja também redução das cobranças de investidores e lideranças empresariais dentro e fora do Brasil”, diz Gabriela Yamaguchi, diretora de Sociedade Engajada do WWF-Brasil. “Os representantes do governo brasileiro ainda estão enviando sinais contraditórios: por um lado, a presença do exército não será suficiente se, por outro, o Governo Federal continuar a agir em favor dos grileiros, mineradores e madeireiros ilegais. As invasões de terras indígenas e ameaças a ativistas ambientais em várias partes da Amazônia, por exemplo, não pararam. ”

Em junho, quando começou a estação seca, foram detectados 2.248 incêndios no bioma Amazônia, a taxa mais alta para o mês desde 2007. E os dados não deram trégua em julho. Pelo contrário. A estação mais seca está apenas começando e a proibição de queima não funcionará sem uma resposta no campo, com mais inspeções.

Desde janeiro de 2020, houve 14.708 incêndios no total. Na comparação com 15.924 incêndios no mesmo período do ano anterior, a queda foi de 7,6%. Apesar da redução em relação ao ano passado, o número de incêndios na Amazônia aumentou em comparação com as médias históricas do mesmo período. A explicação para isso é que 2019 teve um primeiro semestre extraordinariamente incendiário.

É importante lembrar que o contexto geral da Amazônia é preocupante. Entre os principais problemas estão as altas taxas de desmatamento, que aumentam as áreas suscetíveis à queima, o desrespeito aos direitos indígenas, que inclui a questão de invasões em seus territórios que não param, e também a pandemia do novo coronavírus.

Alerta no Pantanal

Entre 1º de janeiro e 30 de julho deste ano, 4.135 focos de incêndio foram detectados no Pantanal, número 285% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando ocorreram 1.475 focos. Isso faz do bioma o campeão do aumento de incêndios em 2020.

Comparado à média dos últimos dez anos, o número de incêndios entre 1º de janeiro e 30 de julho de 2020 aumentou 431% no Pantanal. Apenas em julho, o Pantanal teve 1.684 focos, o que representa um aumento de 241% em relação ao mesmo mês de 2019, quando teve 494 focos de incêndio.

"É preciso mais cuidado com o incêndio no Pantanal em 2020 do que nos anos anteriores, pois as inundações naturais que ocorrem na planície pantaneira atingem os níveis mais baixos nos últimos 30 anos", diz Júlia Boock, analista de conservação do WWF-Brasil no Mato Grosso do Sul.

A ocorrência de incêndios na estação seca não faz parte da dinâmica ecológica do Pantanal, é de origem antropogênica (ou seja, causada pela ação humana) e geralmente está relacionada a um desses dois fatores: desmatamento ou limpeza de pastagens.

Os incêndios naturais geralmente ocorrem no Pantanal após tempestades com raios, fora da estação seca. Práticas inadequadas e o uso do fogo como ferramenta de gestão, sem técnicas de controle e sem autorizações oficiais, são elementos que colocam em risco a conservação do Pantanal, maior área tropical úmida do planeta.

Desde o início de 2020, o Pantanal foi atingido por uma seca severa. De janeiro a maio, o volume de chuvas ficou 50% abaixo do normal. Sem chuva suficiente para encher as áreas úmidas, o bioma era mais suscetível a incêndios descontrolados, causados pelos agricultores. As inundações naturais que ocorrem na planície do Pantanal estão em seus níveis mais baixos nos últimos 30 anos e entre as principais razões pelas quais temos desmatamento e compactação do solo causados pelo plantio de soja e pecuária na região.

Áreas de abastecimento de água do Pantanal -regiões de nível superior que circundam o bioma. O problema piorou ainda mais porque 2019 já havia sido um ano seco no Pantanal e o estresse hídrico foi acumulado. Para piorar a situação, o fenômeno climático La Niña, esperado ainda este ano, tende a reduzir ainda mais as chuvas na região. Isso poderia resultar na maior seca do bioma nos últimos 30 anos, no meio da temporada de intensos focos de incêndio.

O que o WWF-Brasil tem feito na Amazônia

O WWF-Brasil tem fornecido apoio imediato ao combate a incêndios e continuamente contra o desmatamento. O principal objetivo do WWF-Brasil é apoiar os guardiões florestais locais, para que tenham condições e treinamento para monitorar ameaças, como desmatamento e invasões de territórios que levaram a um aumento de incêndios.

Com o apoio da Rede WWF, desde agosto de 2019, o WWF-Brasil vem reforçando suas ações para combater incêndios e fortalecer a vigilância territorial na Amazônia. Nossos projetos já atingiram 55,8 milhões de hectares ou 13,8% da Amazônia brasileira, uma área maior que a soma dos territórios da Espanha e da Suíça.

Vinte e seis organizações da sociedade civil e nove agências governamentais estão se beneficiando dos projetos. A iniciativa também chegou a 77 terras indígenas e unidades de conservação e mais de 117.000 pessoas. Além disso, foram doados mais de 5.300 equipamentos e 45 treinamentos, oficinas e montagens foram realizados com mais de 2.800 participantes.

No contexto específico de Covid-19, mais de 32.000 pessoas -indígenas e agroextrativistas- receberam alimentos, produtos de higiene e equipamentos na Amazônia e no Cerrado.

 

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