A juventude de Edgar Morin. “Deve haver uma regeneração da política para uma proteção do planeta e uma humanização da sociedade”

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10 Julho 2020

Ele completará 99 anos no dia 08 de julho, mas compreendeu perfeitamente bem as lições a serem aprendidas do nosso século passado, mas também os desafios do presente século que estão sendo escritos. Em seu último livro Changeons de Voie. Les leçons du coronavirus (Mudemos de Via. As lições do coronavírus, em tradução livre) (Denoël), o sociólogo e filósofo Edgar Morin debruça-se brilhantemente sobre a crise de saúde que estamos vivendo e que está longe de acabar. Para ele, a Via (que ele escreve com um V maiúsculo) a seguir é clara: “deve haver uma regeneração da política para uma proteção do planeta e uma humanização da sociedade”.

A reportagem é de Olivier Nouaillas, publicada por La Vie, 07-07-2020. A tradução é de André Langer.

As primeiras páginas deste pequeno ensaio em formato de bolso (150 páginas) são particularmente emocionantes. Ele conta como sua mãe, Luna Bessi, foi de alguma forma vítima indireta da gripe espanhola de 1917 e seu nascimento, em 1921, uma espécie de milagre. Em seguida, o jovem Edgar relata sua travessia caótica do século XX: a crise econômica de 1929, a Segunda Guerra Mundial, o Maio de 68 e, finalmente, a crise ecológica da qual ele tomou consciência em 1972 com a publicação do Relatório Meadows sobre os limites do crescimento econômico. Um pensamento intelectual sempre em movimento que deu origem à sua famosa teoria da “complexidade”.

Agora, da pandemia de coronavírus – “um vírus minúsculo apareceu de repente em uma cidade muito distante da China e criou um cataclismo global”, observa ele –, o sociólogo extrai quinze lições e nove desafios, entre os quais o que ele chamou sucessivamente de “ecologia da ação”, “ecopolítica” ou ainda de “política da Terra” ocupa um lugar destacado, para não dizer central. Preocupado ao mesmo tempo com os distúrbios introduzidos por uma política neoliberal, mas também com algumas tentações regressivas (especialmente belicistas), a Via que ele traça é estreita: progride em uma crista entre globalização e desmundialização, crescimento e decrescimento, desenvolvimento e em desenvolvimento. Uma maneira de apostar em “um humanismo regenerado que, ao reconhecer o ‘Homo complexus’, compreende que é necessário combinar constantemente paixão e razão”. Em suma, todo o contrário das controvérsias medíocres que invadem diariamente as redes sociais.

Como o filósofo Bruno Latour e seu texto “Imaginar gestos de barreira contra o retorno à produção anterior à crise”, publicado no início de abril na revista on-line AOC, Edgar Morin foi uma das vozes perspicazes durante o confinamento. Lembramos, portanto, de sua entrevista intitulada “Esta crise deve abrir nossas mentes durante muito tempo confinadas ao imediato”, publicada nas páginas Idées du Monde de 19/20 de abril de 2020.

Intelectualmente brilhante, seu novo ensaio amplia essa reflexão. Talvez alguns o reprovem por seu utopismo. Na conclusão, Edgar Morin responde a isso antecipadamente: “É de fato a boa utopia que aspira a uma reforma da globalização, ao abandono do neoliberalismo: ao controle do hipercapitalismo (...). A utopia do melhor dos mundos deve dar lugar à esperança de um mundo melhor. Como toda grande crise, como todo grande infortúnio coletivo, nossa crise planetária desperta essa esperança”.

Para ler com tranquilidade neste verão, antes da crise econômica que nos espera no início do ano e talvez também dessa famosa “segunda onda” da tão temida Covid-19.

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