Lideranças católicas francesas publicam manifesto pedindo a reforma da Igreja

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07 Julho 2020

Michel Camdessus, ex-formulador de políticas do Vaticano e diretor do FMI, é editor de um novo e-book que pede uma mudança no catolicismo de acordo com a visão do Papa Francisco.

A reportagem é de Mélinée Le Priol, publicada em La Croix International, 07-07-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um grupo de 11 proeminentes católicos leigos da França, liderado por um ex-formulador de políticas do Vaticano, emitiu um novo manifesto pela mudança na Igreja.

Transformer l’Église catholique” (“Transformar a Igreja Católica”) é o título do seu novo e-book de 56 páginas [disponível aqui, em francês].

Ele busca responder à pergunta fundamental: “Que Igreja gostaríamos de ver surgir da ‘grande provação’ que estamos atravessando?”.

E, como aponta o subtítulo, o livro oferece “algumas propostas recolhidas por Michel Camdessus, ex-membro do Pontifício Conselho Justiça e Paz”.

Camdessus, 87 anos, é um economista internacionalmente conhecido que atuou como diretor do Fundo Monetário Internacional entre 1987 e 2000, o mandato mais longo da história do FMI.

Mas ele também teve uma experiência de primeira mão do funcionamento do Vaticano. No ano 2000, João Paulo II tornou-o um dos poucos leigos membros de pleno direito do Pontifício Conselho Justiça e Paz.

Camdessus atuou nesse cargo de formulação de políticas até 2017, quando o Papa Francisco suprimiu o conselho pontifício e criou o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral.

De fato, o ex-economista decidiu lançar o projeto do e-book como uma resposta ao convite do papa jesuíta em 2018 para “mudar a Igreja Católica”, como afirmado na “Carta ao Povo de Deus”.

Camdessus e os outros 10 leigos que contribuíram para o e-book dizem que estão apenas oferecendo reflexões como “cristãos comprometidos”.

Mas a obra, dividida em três capítulos, foi fortalecida pela ajuda do Pe. Hervè Legrand, um ecumenista e eclesiólogo de renome internacional.

O teólogo dominicano de 84 anos acrescentou vários apêndices históricos e teológicos que fortalecem as propostas do livro para uma reforma eclesial.

Do clericalismo à sinodalidade

O livro apresenta a situação como crítica, para dizer o mínimo.

Os autores expressam profunda preocupação com o clericalismo (incluindo o seu reavivamento entre padres mais jovens) e a persistência de uma moral sexual “estreita” que muitos dos nossos contemporâneos simplesmente têm ignorado.

Eles também dizem que os movimentos rumo ao avanço da sinodalidade e à participação leiga no governo da Igreja ainda são muito tímidos.

Embora a crise dos abusos sexuais tenha sido o que levou esses católicos franceses a se manifestarem, esse não é o cerne do que eles defendem.

Solidamente embasados em inúmeras referências à história eclesiástica e aos textos magisteriais, eles fazem um apelo generalizado por mudanças nas estruturas eclesiais. Eles convidam todos os membros da Igreja – leigos e ordenados – a enfrentarem com coragem todos os problemas relacionados.

Os autores apontam que, anteriormente, essas questões eram “amplamente debatidas na mídia, ou seja, fora da Igreja e de forma muito rápida”, porque não podiam ser debatidas dentro da Igreja.

Mas eles observam que as discussões sobre esses temas se tornaram cada vez mais parte da vida eclesial comum, especialmente desde que o papa emitiu a sua “Carta ao Povo de Deus”.

Novos modelos de família

É precisamente nos passos do Papa Francisco que os autores do texto convidam os cristãos a se comprometerem, apoiando mais ativamente as suas reformas estruturais e defendendo a sua visão de futuro – seja ela uma questão de colegialidade, de acolhida aos divorciados e recasados ou de ajuda a que a linguagem oficial da Igreja evolua.

Eles expressam frustração, embora não de uma forma julgadora, com os católicos que parecem nostálgicos do passado. Tais católicos, dizem os autores, são insensíveis às mudanças sociais, especialmente aos novos modelos de família, em particular.

Muito logicamente, os autores do texto defendem as propostas do Sínodo Amazônico. Isso inclui um chamado à ordenação de homens casados e a uma “bênção pré-marital, após um discernimento”, para jovens que coabitam como casais.

Camdessus e seus colegas autores católicos sonham com uma Igreja “totalmente alimentada pelo Evangelho e pela Eucaristia, a serviço do mundo por vir”.

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