Projeto de regularização fundiária premia atividades criminosas na Amazônia

Revista ihu on-line

Clarice Lispector. Uma literatura encravada na mística

Edição: 547

Leia mais

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Mais Lidos

  • “Podemos dizer que esta crise foi um notável êxito científico e um enorme fracasso político”. Entrevista com Yuval Noah Harari

    LER MAIS
  • Necropolítica: a política da morte em tempos de pandemia. Artigo de Eduardo Gudynas

    LER MAIS
  • Pode a Igreja Católica concordar em mudar alguma coisa?

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


18 Junho 2020

Para Paulo Artaxo, o projeto de lei 2.633/2020 é um “sinal verde” para que garimpeiros e desmatadores continuem com atividades ilegais na Amazônia brasileira.

A reportagem é de Gabrielle Abreu, Rádio/Jornal da USP, publicada por EcoDebate, 17-06-2020.

Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2.633/2020 , que trata da regularização fundiária de imóveis da União. O projeto substitui a Medida Provisória 910, de 2019, e determina que as regras para a regularização serão aplicadas a áreas ocupadas até julho de 2008. Segundo um artigo publicado na revista Nature Sustainability, a regularização fundiária de áreas invadidas estimula o desmatamento na Amazônia brasileira.

Segundo o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, a regulamentação premia atividades criminosas ao pressupor que crimes futuros possam ser perdoados sem consequências: “Basicamente, é um sinal aos desmatadores ilegais, garimpeiros que exploram ilegalmente os recursos da floresta, inclusive em terras indígenas e terras públicas, de que eles continuem com suas ilegalidades, porque daqui uns anos, no futuro, as suas atividades ilegais serão perdoadas pela sociedade brasileira”.

Nesse contexto, o projeto de lei favorece a grilagem, prática de envelhecimentos de papéis, já que ainda hoje a ocupação ilegal de terras públicas é fundamentada na falsificação de papéis e documentos. Em geral, o objetivo dessa ação é a venda das terras, que se valorizam tanto pelo desmatamento, já que a queima e remoção das árvores requerem um alto investimento, como também pela obtenção do título de propriedade.

Ainda segundo o estudo, a invasão de extensas terras públicas não visa à atividade produtiva, mas à especulação imobiliária e, nestes casos, o título serve para valorizar a terra que já foi invadida para venda. Para o professor, a proposta do projeto é um incentivo para que ocorram mais invasões em terras da União: “O atual projeto de legalização fundiária não é regularização, é legalização de atos ilegais obscenos para a maior parte da sociedade brasileira, porque beneficia alguns poucos grandes proprietários de terra que cometeram crimes no passado e querem ver com isso os seus crimes perdoados, e isso não faz absolutamente nenhum sentido para a sociedade brasileira”.

Confira a íntegra da matéria pelo áudio abaixo.

 

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Projeto de regularização fundiária premia atividades criminosas na Amazônia - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV