Nova biografia retrata lado sombrio do reinado de João Paulo II

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09 Junho 2020

Autores franceses não mostram misericórdia pelo papa santificado que liderou a Igreja por quase três décadas.

A reportagem é de Christophe Henning, publicada por La Croix International, 04-06-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O longo pontificado de João Paulo II estendeu-se além dos 26 anos (1978-2005) com grande fanfarra. Será que o papa polonês pensou que estaria revivendo a Igreja Católica? Ou será que a sua marcha forçada a enfraqueceu e dividiu mais ainda?

Não há dúvida de que João Paulo deixou uma impressão profunda na Igreja. A questão é sobre se esta impressão foi para melhor ou para pior.

Jean-Paul II: L’ombre du saint
Christine Pedotti e Anthony Favier
Éditions Albin Michel, 202

Os autores franceses Christine Pedotti e Anthony Favier não têm dúvida quanto à resposta a esta pergunta. Em uma nova biografia de Karol Woytila – intitulada Jean-Paul II: L’ombre du saint –, os escritores mostram-se intransigentes na análise dos danos causados pelo polonês enquanto chefe temporal da Igreja Católica.

“A canonização de João Paulo II marca o fim de um longo ciclo na história do catolicismo, aquele sonho de uma volta do poder, que o pontífice polonês pôs em marcha desde o começo”, escrevem Pedotti e Favier no livro de 330 páginas, no momento disponível apenas em francês.

Os autores, ambos católicos confessos e de esquerda, observam dezenove momentos simbólicos e questões espinhosas da vida do falecido papa.

Eles criticam o pontificado, deixando de lado temas como a liturgia, o sacerdócio, o diálogo inter-religioso, o anticomunismo e outros.

“Reclericalização”

Embora haja algumas coisas óbvias a condenar – como a impunidade de Marcial Maciel e sua negligência na gerência dos casos de abuso sexual –, é lamentável que Pedotti e Favier considerem inclusive algumas das realizações de Wojtyla como tendo sido equívocos.

Por exemplo, o avanço que ele fez no diálogo inter-religioso, a modelagem de uma nova geração de católicos que ele promoveu através das Jornadas Mundiais da Juventude e a elaboração da doutrina católica sobre temas relacionados à vida que o pontífice encabeçou.

Não nos deve surpreender que Pedotti, católica feminista, liste como um dos maiores pecados de João Paulo II a promoção da “reclericalização na Igreja” e uma “visão sobrenatural do sacerdócio”.

Essa linha de ataque é adotada várias vezes na obra, em particular quando os autores falam do papa sofredor.

“Eis ele aqui, brincando de Cristo, ascendendo, pouco a pouco, ao Gólgota”, escrevem.

“Quando um papa, sobrecarregado de doenças, não se queixa, quem poderá dizer que a missão é demasiado pesada, que o sacrifício é demasiado grande?”

Ambição persistente

Com pouca preocupação em governar a Cúria Romana durante os 26 anos de seu pontificado, João Paulo II deixou sua marca na Igreja no ano 2000.

“No rearmamento doutrinal que o papa estava realizando, não havia espaço para dúvidas. As verdades do catecismo foram reafirmadas com firmeza. A moralidade, especialmente aquela referente à afetividade e à sexualidade, foi restabelecida com firmeza. E não houve a necessidade de repensar os sacramentos em nome da missão”, denunciam os autores.

Na verdade, de um tema a outro, o livro descreve um Karol Wojtyła tenazmente ambicioso, figura que queria ardentemente uma Igreja poderosa, política e missionária, enquanto quem permanecia no comando era um João Paulo II exausto.

Eis a contradição de um papa que foi solitário e teimoso enquanto o barco inundava, como disse o seu sucessor Bento XVI.

Pedotti e Favie também exploram a imagem do João Paulo II idoso e enfraquecido a abrir a porta da Basílica de São Pedro na inauguração do Grande Jubileu do Ano 2000.

“A fraqueza humana na face dessa porta maciça (...) Não é uma metáfora da fragilidade da Igreja?”

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