A Amazônia agradece a Francisco por não esquecer seu sofrimento nesta época do Covid-19

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02 Junho 2020

Neste domingo, festa de Pentecostes, no final do Regina Coeli, o papa Francisco surpreendeu a todos ao lembrar, mais uma vez, "a Igreja e a sociedade na Amazônia, duramente provada pela pandemia", enfatizando que "são muitos os contagiados e os mortos, também entre os povos indígenas, particularmente vulneráveis". Em seu discurso, o papa disse que "por intercessão de Maria, Mãe da Amazônia, reço pelos mais pobres e indefesos daquela querida região", pedindo "que não falte assistência médica a ninguém", um direito de todos, que tem como princípio o fato de que é mais importante "cuidar das pessoas que são mais importantes do que economia", porque, como ele enfatizou, "nós, pessoas, somos templo do Espírito Santo, a economia não".

A reportagem é de Luís Miguel Modino.

As palavras do papa Francisco encontraram eco na Amazônia, tanto eclesialmente quanto entre os povos que habitam a região, dando origem a um sentimento de emoção e gratidão, como a REPAM coletou. A preocupação com a situação na Amazônia só aumenta, porque "nessas duas semanas devem acontecer os picos mais fortes nas comunidades indígenas", de acordo com Patricia Gualinga, líder indígena do povo Kichwa de Sarayaku e uma das representantes dos povos na Assembléia Sinodal, que está entusiasmada ao ver que o Santo Padre "sente o clamor da Amazônia, que nestes tempos difíceis está sendo afetada com muita força". A indígena equatoriana concorda com o Papa que devemos apostar “pela vida da humanidade, dos povos indígenas, pela defesa da Amazônia e não apenas pelas justificativas econômicas, argumentando que a economia é mais importante que a vida".

O também líder indígena José Gregorio Díaz Mirabal, coordenador da COICA, que se referiu ao Papa como "irmão Francisco, querido amigo da Amazônia", alertou-o de que o incêndio que queimou a Casa Comum foi acompanhado pela pandemia, que faz com que "seus filhos sejam infectados e morram sem a atenção dos Estados". O coordenador da COICA, que também participou da Assembleia Sinodal, pediu ao Papa que fizesse "uma chamada de emergência mundial para buscar ação humanitária internacional para a Amazônia". Dos povos afrodescendentes da Amazônia equatoriana, Selene Terán, enfatizou a necessidade de "todos nós podemos juntar as forças para que nossa terra, nossa Amazônia, possa sair adiante", que deve ser vista "como o pulmão do mundo", agradecendo ao Papa por sua preocupação com "quem sempre foram os mais abandonados e foram chamados de 'quintal'".

As palavras do papa Francisco também foram ecoadas na mídia amazônica. Do Putumayo, na Colômbia, Liverman Rengifo, camponês comunicador da Rede de Radiodifusores Comunitários do Putumayo colombiano - Cantoyaco, expressou "um grande sentimento de fraternidade, solidariedade e esperança ao escutar a mensagem do papa Francisco na luta sempre pela defesa dos necessitados, dos mais vulneráveis”. Segundo o comunicador, "trabalhar pela pessoa, em toda a sua integridade, nos afirma e reafirma no mandato de evangelização na Amazônia", juntamente com "a luta pela defesa do bioma amazônico".

Na esfera eclesiástica, a mensagem encontrou a resposta da vida religiosa, REPAM, de alguns bispos e do próprio cardeal Czerny, um dos secretários do Sínodo para a Amazônia. O cardeal recordou as palavras do Santo Padre, "ao Espírito Santo, que ilumina toda a Igreja, a sociedade e todas as comunidades, para que todos possamos responder com serenidade, discernimento e coragem à trágica situação de dor que vive a Amazônia e seus povos nessa pandemia”, insistindo que os governantes “tenham um coração sensível ao sofrimento dos povos e aos danos causados ao meio ambiente”. O subsecretário da Seção de Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, pediu a dedicação de quem faz parte da Igreja Amazônica para "responder com caridade e eficácia apostólica" e tornar realidade os 4 sonhos da Querida Amazônia, destacando "a importância de escutar a voz da Amazônia, movida pelo maior sopro do Espírito Santo no clamor da terra ferida e de seus habitantes”.

Do Celam, seu presidente, dom Miguel Cabrejos, agradeceu ao Papa por fazer a humanidade pensar na Amazônia, onde "muitos povos indígenas estão morrendo devido ao coronavírus". O prelado peruano enfatizou que o Papa concentra "o fundamental na defesa da pessoa", colocando "a saúde em primeiro lugar, depois a economia" e destacando que "os seres humanos são o templo do Espírito Santo, a economia não é". O bispo emérito de Xingú, dom Erwin Kräutler, disse que ficou emocionado com as palavras do Papa, que "ama a Amazônia", onde "senti o carinho dele para com a Amazônia". Dom Erwin insistiu na importância de "que a mensagem do Papa seja transmitida aos governos, especialmente ao governo do Brasil", e que "todo esforço deve ser para salvar as pessoas".

Desde a vida religiosa, a presidenta da CLAR agradece ao Papa por repetir "o clamor de tantas pessoas que hoje na Amazônia veem suas vidas, saúde e cultura ameaçadas". Para os religiosos, que afirmam continuar "com nosso povo", hoje são dias para abraçar a dor, sentir desamparo e ver o autoritarismo que fecha o espaço para a vida. Nesta situação, a vida religiosa “não queremos e não podemos perder a esperança. É por isso que estamos comprometidos em defender a vida", insiste a irmã Liliana Franco, agradecendo ao Papa por lembrá-los "com seus gestos e palavras de que nosso lugar como religiosos está no meio dos mais pobres". E junto com isso "a nossa é a missão, a saída, a itinerância", algo que está se tornando visível com a campanha "Amazônia Somos Todos", que encontrou uma forte resposta.

O jesuíta Alfredo Ferro, de Letícia, na tríplice fronteira entre Colômbia, Peru e Brasil, enfatizou que "a Roma chegou o grito e o clamor dos mais de 150.000 infectados e mais de 8.000 mortos até hoje". O coordenador do Serviço Jesuíta Pan-Amazônico se refere aos sonhos de Querida Amazônia e à necessidade de que "nossa economia tem que ser outra", esperando que as palavras do Papa "sejam escutadas e ressoem com aqueles que tomam as decisões deste mundo". Da Equipe Itinerante, María Eugenia Lloris, que afirma que "continuamos a defender os povos indígenas", enfatizou a importância de defender a Amazônia "porque a vida do mundo depende da vida da Amazônia". Nessa defesa da vida, a religiosa afirma que "há muitos missionários na linha de frente, lutando e defendendo o que falamos no Sínodo".

A REPAM também agradeceu ao papa Francisco por suas palavras, "que possam nos fortalecer nessa grande missão pela nossa Amazônia", disse a irmã Irene Lopes, diretora executiva da REPAM-Brasil, que enfatizou que "o mais importante é cuidar das pessoas e não apenas da economia”, denunciando que “sabemos que muitas pessoas estão morrendo: pobres, indígenas, ribeirinhos, estão morrendo sem nenhum atendimento”.

Partindo do profundo, sagrado e misterioso significado que o fogo tem em muitas culturas amazônicas, Mauricio López, Secretário Executivo da REPAM, agradeceu ao papa Francisco "por tornar explícito o chamado ao fogo da vida", o que ajuda extinguir "os incêndios do desmatamento, exploração e violência diária sofrida pelos povos amazônicos hoje em meio à pandemia". Essa pandemia provocou um incêndio "que queima e extingue muitas vidas de inocentes, dos mais vulneráveis, devido à falta de uma resposta adequada e explícita dos governos em meio a essa situação", denunciou Mauricio. O Secretário Executivo da REPAM pediu a presença do Espírito Santo na cabeça e no coração "de todos os membros da Igreja, mulheres e homens que trabalham incansavelmente para defender a vida todos os dias", referindo-se aos quatro sonhos da Querida Amazônia e “à aliança com os povos indígenas em defesa de seus territórios, seus direitos e suas vidas”, algo que ele espera que se torne mais forte.

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