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28 Mai 2020

“Voltar a frequentar as igrejas só é interessante se delas sairmos. Transformados. Tendo recebido o Espírito. Falando em outras línguas”. A reflexão é de Jean-Pierre Denis, editor-chefe, em editorial publicado por La Vie, 26-05-2020. A tradução é de André Langer.

Eis o texto.

O jejum tem virtudes profundas. Não é à toa que é praticado em todas as grandes tradições religiosas. E agora que as medidas impostas pelas autoridades civis privaram milhões e milhões de convivas deste alimento essencial que é o pão da vida. Esta privação coletiva era um sinal claro de Deus. Ou então Deus nunca se manifesta. Se somos cristãos, essa fome teria que ter aumentado em nós para que entrássemos melhor em seu mistério. Então, agora, que alegria! Ah, sim, que alegria profunda ver as portas se abrir, apesar das medidas de barreira, das precauções, das fileiras de cadeiras interditadas... Sim, os dias de jejum chegaram ao fim! E terminaram, que sorte, nesta bela festa de Pentecostes, em que nasce a Igreja universal.

No entanto, um arrependimento. Deveria ter sido um período mais intenso de penitência, de conversão e de evangelização digno da provação. Mas vamos falar sem rodeios e sem máscara. Acima de tudo, temos sido capazes de medir a amplitude do abismo entre a minoria de católicos praticantes e o resto da sociedade, incluindo crentes e cristãos, que muitas vezes entendem mal, quando ainda a toleram, a própria natureza da fome eucarística. Diz-se “imaterial”? Eles escutam “irracional”. “Indispensável”, “vital”? Eles respondem “irresponsável”, “fútil”. “Oração”? Consultamos o ministro do Interior, que afirma que tal hobby se pratica em casa. Ora, o corpo de Cristo não é um capricho nosso, nem uma conquista nossa, nem a recompensa por nossa boa conduta, de acordo com o direito civil ou o direito canônico. Tudo isso seria pura e simples blasfêmia. É o pão vivo descido do céu. Fomos capazes de testemunhá-lo?

Infelizmente, este tempo de confinamento também mostrou a tendência dos cristãos a se ocupar de questões triviais do que do Espírito Santo. Aqueles que gostariam que todas as religiões se dessem as mãos contra aqueles que pensam que a Igreja Católica não precisa se unir à associação dos barretes, turbantes e kippas. Aqueles que posam de leal cidadão. Aqueles que a julgam rebelde. Aqueles que não sentem tanta falta da missa, obrigado, e aqueles cujo coração arde para receber o Jesus-hóstia. Aqueles que não suportam mais o clericalismo. Aqueles que esperam o batismo com lágrimas na alma. Aqueles que querem confinar a esta ou aquela esquerda, à extrema direita, ontem, esta noite, amanhã, assim, assado... Aqueles que acham que os bispos foram dormir e aqueles que estão indignados por terem se rebelado. Ou, então, não é culpa desses padres infames? Essas divisões só tornam a esperança cristã mais estrangeira. Não foi desta vez que dissemos: “Veja como eles se amam”. E eu me incluo neste lote.

Mas seria uma pena, e quase mais grave, esquecer muito rapidamente o que vivenciamos, descobrimos e semeamos; considerar que tudo isso era apenas um parêntese sanitário; apressar-nos para nos assentar primeiro e retomar nossa vidinha de lojas, vestidos e cadeiras. Estes esforços para tornar a missa acessível de acordo com os meios atuais, estas Igrejas domésticas nascentes, este serviço aos pobres aprofundado como um sacramento onde Cristo se entrega, este Evangelho em saída, periférico... esta experiência ética e espiritual do jejum não pode ter sido em vão. E eu não acho que será. Não é tarde demais para aprofundar. Eu por primeiro, tenho vontade de me acotovelar para conseguir meu ingresso na cantina eucarística. Mas frequentar as igrejas só é interessante se delas sairmos. Transformados. Tendo recebido o Espírito. Falando em outras línguas.

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