A crise do coronavírus levará 60 milhões de pessoas à pobreza extrema

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Nunca se viu no Brasil um governo tão abençoado pelas igrejas

    LER MAIS
  • Cardeal Hollerich “está aberto” ao sacerdócio das mulheres

    LER MAIS
  • "A REPAM é fazer conectar aquilo que é comum de todos". Entrevista com João Gutemberg Sampaio, novo secretário executivo

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


22 Mai 2020

Segundo o Banco Mundial, a economia global poderia despencar cerca de 5% neste ano. 100 países receberam já ajuda da instituição para aliviar a emergência humanitária provocada pela pandemia.

A reportagem é publicada por El País, e reproduzida por CPAL Social, 19-05-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A crise desatada pela pandemia de covid-19 e o fechamento das economias desenvolvidas podem provocar que 60 milhões de pessoas caiam em situação de pobreza extrema – viver com menos de 1,90 dólares por dia – em todo o mundo. Isso seria como um retrocesso na luta contra este problema que sofrem hoje. Desta vez foi David Malpass, presidente do Banco Mundial, quem alertou do perigo de que se revertam boa parte dos avanços dos últimos anos para erradicar esse mal que, como o primeiro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, deveria se dar em 2030.

“A pandemia e o fechamento das economias avançadas poderiam levar até 60 milhões de pessoas à pobreza extrema, apagando grande parte do progresso recente alcançado no alívio da pobreza”, disse nesta terça-feira Malpass em uma teleconferência.

O presidente do Banco Mundial destacou ademais que a instituição estabeleceu já operações de emergência com uma centena de países em desenvolvimento, que acolhem 70% da população mundial. Desses, 39% se encontram na África subsaariana e quase uma terceira parte corresponde a projetos em contextos frágeis ou conflitivos como Afeganistão, Chade, Haiti e Niger.

Essa assistência, explicou, é a maior e mais rápida resposta a uma crise na história da instituição. Nesse sentido, Malpass detalhou que o compromisso do Banco Mundial é colocar à disposição dos países em desenvolvimento 160 bilhões de dólares (143,4 bilhões de euros) em financiamento, em um período de 15 meses para encarar “os impactos econômicos, sanitários e sociais da covid-19”. “Para voltar ao crescimento, nosso objetivo deve ser respostas rápidas e flexíveis para fazer frente à emergência da saúde, proporcionar liquidez e qualquer outro apoio para proteger os pobres, manter o setor privado e fortalecer a resiliência econômica e a recuperação”, acrescentou.

Na teleconferência, Malpass explicou a importância para os países com menos recursos de manter o acesso aos mercados avançados, através de canais como o turismo ou as exportações, que devido à prolongada paralisação econômica têm efeitos especialmente negativos. Segundo cálculos da instituição, a economia global poderia despencar cerca de 5% este ano e se espera que as remessas de migrantes para seus países caiam 20% em relação a 2019, devido às massivas demissões em países avançados em indústrias que dão emprego a um grande número de migrantes, como a restauração ou construção.

Os alarmes do Banco Mundial se somam aos que vieram lançando distintos organismos sobre o impacto que a pandemia terá sobre as populações mais vulneráveis. Assim, a redução da cobertura de saúde pela covid-19 causaria a morte de mais de 1,2 milhão de crianças menores de cinco anos em apenas seis meses – 6 mil mortes todos os dias – em 118 países de baixa e média renda, de acordo com um novo estudo da Universidade Johns Hopkins. Um relatório do Fundo de População da ONU adverte que algumas medidas para combater a covid-19, como o confinamento e o fechamento de clínicas devido à falta de materiais e pessoal, serão interrompidas, levando a sete milhões de gravidezes indesejadas nos próximos seis meses em 114 países de baixa e média renda. E aumentará o número de pessoas em situação de fome aguda, devido à interrupção das cadeias de suprimento de alimentos e outras medidas para impedir a propagação do vírus, de acordo com o Programa Mundial de Alimentos.

A luta contra outras doenças também será seriamente afetada pela pandemia. Uma investigação estima que a letalidade da tuberculose pode dobrar e causar uma reversão de oito anos na luta contra essa doença, a mais mortal do mundo, com 1,5 milhão de mortes e 10 milhões de infectados anualmente. Por outro lado, os esforços na luta contra a AIDS na África podem voltar mais de uma década se a continuidade dos serviços de prevenção e tratamento da HIV-AIDS não for garantida durante a pandemia. Especificamente, uma interrupção de seis meses no fornecimento de terapia antirretroviral pode significar um aumento, entre 2020 e 2021, de doenças relacionadas à AIDS, de acordo com a Organização Mundial da Saúde e a agência das Nações Unidas para combater a AIDS (UNAIDS).

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

A crise do coronavírus levará 60 milhões de pessoas à pobreza extrema - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV