Bispos alemães rejeitam “teorias conspiratórias” sobre Covid-19 de importantes clérigos

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14 Mai 2020

Os bispos católicos distanciaram-se de uma carta na qual vários destacados clérigos também católicos advertem que estaria havendo tentativas de usar a pandemia de Covid-19 para criar um “governo mundial fora de todo e qualquer controle”.

Entre os que assinam a carta estão o cardeal alemão Gerhard Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; Dom Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico para os EUA; e o Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong.

A reportagem foi publicada por Catholic News Service, 12-05-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“Fundamentalmente, a Conferência Episcopal Alemã não comenta as observações feitas por bispos individualmente fora da Alemanha”, disse Dom Georg Bätzing, presidente da citada conferência, à agência noticiosa católica alemã KNA. “Mas acrescento que a avaliação da pandemia de coronavírus feita pela Conferência Episcopal Alemã difere fundamentalmente do texto publicado”.

O texto da carta diz que, sob o “pretexto” da pandemia, “os direitos inalienáveis ​​dos cidadãos foram, em muitos casos, violados e suas liberdades fundamentais, incluindo o exercício da liberdade de culto, de expressão e de movimento, foram desproporcional e injustificadamente restringidas”. A missiva acrescenta que a luta contra a Covid-19, embora séria, “não deve servir de pretexto para que se apoiem as intenções ocultas de organismos supranacionais que têm interesses comerciais e políticos muito fortes nesse plano”.

Os bispos alemães classificaram as restrições – incluindo as que afetam as missas católicas – como “razoáveis ​​e responsáveis” e enfatizaram que elas devem ser flexibilizadas “de maneira responsável e mensurada”, informou a KNA.

Dom Franz-Josef Overbeck, da Diocese de Essen, notou que “populistas e outros teóricos da conspiração (...) querem interpretar estes esforços de contenção da pandemia como um pretexto para fundar uma tirania tecnocrática repleta de ódio e para acabar com a civilização cristã”. A Igreja precisa combater claramente essa posição, “independentemente de quem a expresse”, disse ele.

O vigário-geral da Diocese de Essen, Mons. Klaus Pfeffer, foi o primeiro religioso a responder à carta, dizendo que ficou “simplesmente atordoado com o que foi disseminado em nome da Igreja e da cristandade: teorias grosseiras da conspiração sem fatos ou evidências, ao lado de uma retórica combativa populista de direita. Soa assustador”. Jesus Cristo nada tem a ver com teorias confusas como estas, que suscitam medo e hostilidade e que envenenam a sociedade, disse ele.

Dom Gerhard Feige, da Diocese de Magdeburgo, criticou os “representantes extremistas da Igreja” que se comportam como “pseudocientistas, opositores da vacinação”. Dom Gebhard Furst, da Diocese de Rottenburg-Stuttgart, declarou que claramente se dissociava das “teorias perigosas do grupo em torno de Viganò. Aqueles que interpretam as iniciativas dos políticos de protegerem a vida humana do coronavírus como uma conspiração mundial duvidosa estão brincando com fogo”.

Segundo uma reportagem da KNA, o Cardeal Müller defendeu o apoio dado à carta. Ele contou ao jornal católico Die Tagespost que algumas autoridades eclesiásticas se apegaram à declaração “capitalizar a indignação com seus supostos opositores. Hoje, todos chamam uns aos outros de teóricos da conspiração”.

O texto da carta, segundo Müller, foi entendido de forma equivocada: “Está sendo interpretado como se estivesse afirmando que a pandemia em si foi inventada para causar pânico, o que é um absurdo”. O religioso falou que o principal foco está na “reação parcialmente inadequada da Igreja”, não nos aspectos médicos da crise. Ele acrescentou que não queria que tratassem a carta como uma análise científica.

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