“O SUS é um grande instrumento, talvez um dos melhores do mundo, mas as pessoas têm mania de subavaliá-lo”, constata Delfim Netto

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27 Abril 2020

"O SUS é um grande instrumento, talvez um dos melhores do mundo, mas as pessoas têm mania de subavaliá-lo. Só agora é que estão elogiando, mas todos nós, que temos noção das coisas, sabemos que é um instrumento espetacular", constata Antonio Delfim Netto, economista, ex-ministro da Fazenda dos governos militares, em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 27-04-2020.

Segundo o economista, "sempre achei que, para você ter soberania nacional, precisa de autonomia alimentar (e nós temos), de autonomia energética (e nós temos) e de uma força dissuasiva – para podermos viver em paz. Hoje eu vejo que há uma quarta condição, que os economistas não enxergam porque ela só tem valor, só tem taxa de retorno, quando você vive um cenário de pandemia: a saúde. Nós podíamos ter construído um nível de proteção do SUS capaz de enfrentar qualquer pandemia, devíamos ter investido muito mais. Mas os economistas pensam no curto prazo: por que colocar recurso na saúde se tenho essas outras áreas A, B e C muito mais efetivas? De fato, no curto prazo, podemos ter taxas de retorno maiores, mas agora estamos vendo que investir cuidadosamente na saúde, de forma a manter a estrutura capaz de enfrentar crises como esta, tem um valor infinito".

"Acho que, se tivéssemos tido a capacidade de prever que a pandemia um dia viria,  - continua o ex-ministro - teríamos investido muito mais recursos no SUS e nos preparado para enfrentá-la. Tínhamos de ter estrutura para que, quando ela surgisse, pequenos movimentos e ajustes pudessem resolver o problema. Agora, estamos enfrentando uma condição moral, de ter de escolher quem vive e quem morre".

"Temos de dar ao SUS aquilo que não demos durante esse período que ele prestou excelentes serviços - conclui Delfim Netto. Até porque, normalmente, essas pandemias estão associadas ao sistema respiratório. Basta conversar com os médicos: eles têm uma noção clara do que deveríamos ter feito. Ao invés de investir em máscaras, respiradores etc., para nos protegermos de uma pandemia – e o passado ensina que ela sempre vem –, preferimos gastar o dinheiro em uma estrada, por exemplo. O papel do Estado também é aprender".

A íntegra da entrevista pode ser lida aqui.

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