Nem presente, nem futuro: 267 milhões de jovens estão sem estudo e sem trabalho no mundo

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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 11 Março 2020

O relatório “Tendências Globais de Emprego para a Juventude 2020: tecnologia e o futuro dos empregos” apresentado pela Organização Internacional do Trabalho - OIT nessa segunda-feira, 09-03-2020, apresenta um dado alarmante sobres as juventudes: em 2018, 267 milhões estavam sem emprego e sem estudo em todo o mundo. Os denominados jovens “nem-nem” representam uma sociedade que não lhes garante o básico nem no presente e nem boas perspectivas de futuro.

Os dados divulgados pela OIT revelam que 20% dos jovens de 15 a 24 anos de idade de todo o mundo não possuem empregos e tampouco estão estudando. Essa parcela da população também sofre três vezes mais a possibilidade de estar desempregado que um adulto de 25 anos. No geral, o desemprego entre os jovens tem uma média de 13,6% – considerando aqueles que procuram emprego e não encontram –, mas oscila nas diferentes regiões, chegando até a 30% na África Setentrional e 25% na América Latina.

Apesar de constituir uma das metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030, nenhuma região apresentou diminuição no número de jovens “nem-nem” desde 2005. Para a OIT a perspectiva de futuro é ainda pior, visto que a falta de estudo e/ou a subutilização da força de trabalho deve levar à diminuição da oferta de emprego e salários ainda mais baixos nos próximos dez anos.

Ademais, os jovens com emprego igualmente apresentam um desafio à sociedade. Entre os 429 milhões nessa situação, 55 milhões estão em situação de extrema pobreza, ou seja, 13% recebem menos de 1,90 dólares estadunidenses por dia, e 71 milhões, ou 17%, vivem em pobreza moderada, recebendo 3,20 dólares ao dia. A OIT destaca que esses dados representam a baixa qualidade do emprego juvenil, que inclui “a falta de proteção jurídica e social, limitadas oportunidades de formação e de progressão profissional”. Essa situação é agravante na África Subsaariana, onde 96% dos jovens empregados estão em trabalhos informais.

Outro alerta que é acendido está relacionado com a Revolução 4.0, visto que a falta de qualificação tende a dificultar a inserção dos jovens em um mercado de trabalho cada vez mais ocupado por robôs. A perspectiva da OIT é de que esse fenômeno se acentue nos países em desenvolvimento, visto que o desenvolvimento das tecnologias é sumariamente nos países industrializados, onde a realocação da mão de obra é mais fácil. No caso dos jovens trabalhadores sem qualificação, a automatização “os obriga a passar para um trabalho precário, depois outro, até serem nem-nem”, analisa a organização.

A desigualdade de gênero também aparece entre os jovens. As jovens mulheres são mais suscetíveis a entrarem na condição de “nem-nem” devido ao trabalho doméstico – não remunerado e que as impossibilita de buscar qualificação. Em números, essa perspectiva é ainda mais nítida: 2/3 da população “nem-nem” é de mulheres, o que representa 181 milhões. Na América Latina o percentual de mulheres nessa categoria é mais que o dobro que o de homens e no Sudeste Asiático a diferença passou a ser de 5.5:1.

De acordo com Sangheon Lee, diretor do Departamento de Políticas da OIT, o atual panorama pode “enfraquecer o desenvolvimento social e econômico de seus países”. Ou seja, as juventudes abandonadas no presente dificilmente podem gerar melhor perspectivas de futuro.

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