Cinco pistas para compreender o alcance do encontro “Mediterrâneo, fronteira de paz”

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20 Fevereiro 2020

Os bispos italianos promovem um fórum de diálogo para os prelados das dioceses do entorno do “Mare Nostrum

O papa Francisco fará o encerramento, no próximo domingo, 23-02, do encontro sobre a fraternidade, liberdade religiosa, a relação entre a Igreja e a sociedade.

A reportagem é publicada por Vida Nueva, 19-02-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Hoje começa na cidade italiana de Bari, até 23 de fevereiro, o encontro “Mediterrâneo, fronteira de paz” reunindo o papa Francisco com todos os bispos católicos dos países do Mediterrâneo. Uma iniciativa da Conferência Episcopal Italiana para fortalecer a contribuição das Igrejas cristãs para a paz e a esperança, partindo do diálogo e escuta mútua.

A , a fraternidade, a liberdade religiosa, a guerra e a pobreza estarão sobre a mesa em um encontro para dar voz às vítimas do entorno do “Mare Nostrum”. Repassamos cinco chaves para entender a relevância deste encontro em que a Igreja italiana tem concentrado todos seus esforços e que o papa Francisco concluirá no próximo domingo, 23 de fevereiro.


Logo do encontro "Mediterrâneo, fronteira de paz" que ocorre em Bari, Itália

1. Uma ponte com o Oriente

A cidade ao sul da Itália, na qual estarão reunidos 58 bispos e patriarcas, é a população de maior tradição oriental ao custodiar as relíquias de São Nicolau – ademais de ser geograficamente um dos pontos situados mais ao leste da península. Nessa cidade, na qual se acolhem atualmente cultos das diferentes igrejas orientais e algumas tradições africanas que compartilham, em ocasiões, templos cedidos pela Igreja Católica, abrir-se-á um novo espaço de diálogo.

Mapa da Itália e da cidade de Bari. (Reprodução)

Com uma metodologia flexível que permite a maior participação dos hierarcas, nestes dias será refletido sobre todos os temas vinculados à paz, à fraternidade, à liberdade religiosa, à relação entre Igreja e a sociedade e à situação na qual se encontram as próprias igrejas locais, desafiadas por problemas similares...

2. Um fruto da visita de Francisco

Francisco convocou há um ano e meio todas as Igrejas cristãs a rezar pela paz. Uma reunião a portas fechadas dos líderes das distintas confissões e uma oração ecumênica na passagem marítima estão na agenda para reivindicar a paz na região e condenar a perseguição aos cristãos.

“Sobre o Oriente Médio tem se concentrado uma densa nuvem escura: guerra, violência e destruição, ocupações e diversas formas de fundamentalismo, migrações forçadas e abandono, e tudo isso no meio do silêncio de tantos e a cumplicidade de muitos. Existe o risco de que se extinga a presença de nossos irmãos na fé, desfigurando o rosto da região, porque um Oriente Médio sem cristãos não seria Oriente Médio”, clamou o papa Francisco, em 07 de julho de 2018, acompanhado por representantes de todas as igrejas do Oriente Médio.

3. Dar voz à esperança

O objetivo deste encontro, que o papa Francisco fechará com a missa e o ângelus, é “dar voz às expectativas dos povos de todo o Mediterrâneo”, segundo destacou o cardeal Gualtiero Bassetti, presidente da Conferência Episcopal Italiana. Um fórum no qual compartilhar as experiências das igrejas locais para serem conscientes da autêntica “forma de viver e de ser Igreja que dá voz às dificuldades e expectativas dos povos frente ao Mediterrâneo”.

“O Mediterrâneo deve voltar a ser um lugar de encontro de civilizações, um lugar de desenvolvimento do cristianismo, uma fronteira de paz. Há muitas injustiças nas margens do Mediterrâneo, há situações de guerra, pobreza extrema, refugiados. Atualmente, o Mediterrâneo é um mosaico de problemas”, é o desejo do cardeal Basseti, se inspirando nas reflexões do histórico político da Democracia Cristã Giorgio La Pira.

Mapa do Mar Mediterrâneo. (Reprodução)

4. Uma resposta pastoral

A Igreja sente o desafio de responder aos problemas que se vivem em torno ao Mediterrâneo – os quais ficaram submergidos para sempre nas suas águas. Por isso, o encontro busca encontrar um compromisso, uma “resposta tranquila porém pastoral” por parte da Igreja, diz o presidente dos bispos italianos.

Resposta que se moldará em um documento final que, segundo o secretário da Conferência Episcopal Italiana, Stefano Russo, será o “fruto desta escuta e síntese do trabalho que em Bari trataremos de fazer com os bispos e que se recolherá para que se convertam em palavras de paz”.

5. A paz necessária

O rosto da guerra e os enfrentamentos se vivem de diferentes maneiras em todo o arco mediterrâneo. O papa Francisco no encontro com os patriarcas orientais, em 2018, denunciou que “é essencial que quem tem o poder se decida, sem mais dilações, ao serviço verdadeiro da paz e não dos próprios interesses. Basta do benefício de uns poucos a custo da pele dos outros! Basta das ocupações das terras que expulsam seus povos! Basta de prevalecer as verdades parciais a custo das esperanças do povo! Basta de usar o Oriente Médio para obter benefícios alheios ao Oriente Médio!”.

Algo que tem uma face especial nos mais indefesos: “No Oriente Médio, durante anos, um número assustador de crianças chora devido às mortes violentas em suas famílias e se vê ameaçada em sua terra natal, frequentemente tendo como única possibilidade fugir. Essa é a morte da esperança”.

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