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21 Janeiro 2020

O acúmulo de protestos fala de uma iniciativa cidadã recuperada. Onde conflui a força ascendente do protesto ambiental com a crítica ao modelo econômico-financeiro hegemônico atual.

A reportagem é de Sergio Ferrari, publicada por ALAI, 20-01-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Mais de três mil grandes empresários, personalidades políticas de primeira ordem mundial, assim como representantes de instituições internacionais encontram-se no Fórum Econômico Mundial onde se reúnem todos os anos, em Davos, na Suíça, a 275km da capital Berna.

Desde terça-feira, 21, a sexta, 24, a 50ª edição desse conclave dos poderosos fundado em 1971, reúne-se nessa cidade alpina do Cantão dos Grisões. Protegida pelo já habitual dispositivo militar, com mais de 5 mil policiais efetivos de distintas forças na rua; o espaço aéreo fechado durante uma semana; assim como múltiplos e sofisticados controles para acessar ao Palácio do Congresso, sede principal do evento.

Capitalismo excludente

No centro do debate oficial desta nova edição do Fórum, um olhar preocupado de muitos atores pelos problemas próprios do capitalismo. Na agenda da reflexão, tal como anteciparam seus organizadores há algumas semanas, encontra-se o repensar do capitalismo. E vislumbrar uma correção do sistema para que seja mais integrador, no qual as empresas não somente apostem nos seus próprios lucros. Falam de dedicar essa edição ao “Capitalismo dos Partícipes”, menos excludente e mais distributivo.

Como destacam diversos meios de comunicação retomando Klaus Schwab, fundador do evento, “o capitalismo descuidou o dado que uma empresa é um organismo social” e não somente um ente com objetivo de lucro. Preocupa, segundo o fundador, “um capitalismo que se desconectou cada vez mais da economia real”.

Horas antes de começar o fórum dos poderosos, o Fundo Monetário Internacional – FMI realizou seu habitual encontro com a imprensa, “em um contexto claramente marcado pelas tensões comerciais entre as grandes potências econômicas do mundo”.

Kristalina Georgieva, diretora do FMI, iniciou sua intervenção apontando a “recuperação preguiçosa”. “Estejam prontos para atuar se o crescimento desacelerar novamente”, enfatizou aos grandes empresários. As previsões de crescimento, não obstante, já se perfilam a baixar, segundo o FMI. As novas projeções estimam um crescimento global de 2,9% em 2019 a 3,3% em 2020 e 3,4% em 2021. Isso se traduz em uma revisão à baixa de 0,1% para 2019 e 2020 e 0,2 para 2021, em comparação aos dados antecipados pelo FMI em outubro de 2019.

Longe de qualquer otimismo triunfante, números e reflexões conduzem nesta 50ª edição a um repensar do modelo atravessado por fissuras. Responsável por uma polarização social mundial crescente e da crise ambiental sem fim. Situação que dá sustentação a um renascimento do protesto cidadão.

Manifestações opositoras

Uma Marcha Internacional pela Justiça Climática, convocada por “Strike WEF” (Greve contra o Fórum de Davos), começou no domingo, 19, com o objetivo de chegar a Davos na terça-feira, 21, dia da abertura oficial do Fórum. Entre outros argumentos, os promotores enfatizam que as cem maiores empresas multinacionais são responsáveis por 71% da emissão mundial de gases de efeito estufa. Em sua maioria, essas empresas, são sócias do Fórum de Davos e propõem “um crescimento infinito em um mundo finito”, destacam os porta-vozes do “Strike WEF”.

Os 50km de marcha, com o eixo na denúncia da crise ambiental, pretendem confluir com a mobilização convocada em Davos pela Juventude Socialista do Cantão dos Grisões. Objetivo: concluir em uma grande assembleia geral convocada pela Greve Climática Suíça. Esta completou um ano de existência em 17 de janeiro, e reuniu em Lausana mais de 10 mil manifestantes, em sua maioria jovens, acompanhados por Greta Thunberg, a adolescente sueca promotora das greves já internacionalizadas.

A Marcha Internacional pela justiça climática é apoiada por muitas redes e organizações, entre elas a Marcha Mundial das Mulheres, ATTAC, Public Eye, os principais sindicatos suíços, forças políticas verdes e progressistas.

A mobilização anti-Davos começou já faz dias na Suíça. Em 11 de janeiro, o Grupo Resolut, reuniu centenas de manifestantes em Lucerna. Uma semana mais tarde, no sábado, 18, outras muitas centenas de pessoas protestaram contra o Fórum de Davos, desta vez em Berna, onde dias antes foi realizado, como em todos os anos, o “Tour de Lorraine”, mobilização centrada em um dos bairros populares/alternativos da capital e que convoca várias dezenas de atividades político-culturais.

Para 22 de janeiro, diversos grupos reunidos em “Züri gäge WEF” (expressão dialetal suíça alemã que significa Zurique contra Davos) convocam a se concentrar na capital financeira do país. Nesta cidade, entre 17 e 20 de janeiro foi realizado “O Outro Davos”, espaço de reflexão que existe desde muitos anos, convocado por forças anti-capitalistas.

O acúmulo de protestos falam de uma iniciativa cidadã recuperada. Onde conflui a força ascendente do protesto ambiental com a crítica ao modelo econômico-financeiro hegemônico atual.

Justamente quase 15 anos depois das grandes mobilizações anti-Davos que conheceram seu apogeu em 2004. Ano em que, depois de um protesto massivo em Davos, as forças policiais suíças realizaram controles de identidade e prisão de mais de mil manifestantes em um ambiente dantesco de gases lacrimogêneos, granadas irritantes e repressão indiscriminada.

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