Desligamento de usinas a carvão nos EUA salva vidas e melhora o rendimento das culturas

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08 Janeiro 2020

O descomissionamento de usinas a carvão nos Estados Unidos continentais reduziu a poluição nas proximidades e seus impactos negativos na saúde humana e no rendimento das culturas, de acordo com um novo estudo da Universidade da Califórnia em San Diego.

A reportagem é de Christine Clark, publicada por UC San Diego e reproduzida por EcoDebate, 07-01-2020. A tradução e edição são de Henrique Cortez.

As descobertas publicadas esta semana na Nature Sustainability usam a transição dos EUA nos últimos anos do carvão para o gás natural para geração de energia elétrica para estudar os impactos locais das paralisações de unidades a carvão.

Embora a mudança do carvão para o gás natural tenha reduzindo as emissões de dióxido de carbono em geral, também mudou os níveis de poluição local em centenas de áreas em todo o país. Em particular, a queima de carvão cria material particulado e ozônio na atmosfera mais baixa – freqüentemente experimentada como “poluição atmosférica” – que pode afetar seres humanos, plantas e clima regional. Esses poluentes (aerossóis, ozônio e outros compostos) da queima de carvão podem causar estragos na saúde humana quando inalados e também ter efeitos prejudiciais na vida das plantas. Eles também alteram o clima local, bloqueando a entrada da luz solar.

A autora, Jennifer Burney, professora associada de ciências ambientais da Escola de Política e Estratégia Global da UC San Diego, combinou dados da Agência de Proteção Ambiental (EPA) sobre geração de energia elétrica com medições de satélite e superfície da EPA e da NASA para avaliar as mudanças na poluição local antes e depois do desligamento da unidade a carvão. Ela também estudou as mudanças nas taxas de mortalidade em nível de condado e no rendimento das colheitas usando dados dos Centros de Controle de Doenças e do Departamento de Agricultura dos EUA.

Burney descobriu que entre 2005 e 2016, o fechamento de unidades a carvão salvou cerca de 26.610 vidas e 570 milhões de alqueires de milho, soja e trigo em suas imediações. O cálculo inverso, estimando os danos causados pelas usinas a carvão deixadas em operação no mesmo período, sugere que elas contribuíram para 329.417 mortes prematuras e a perda de 10,2 bilhões de bushels** de colheitas, aproximadamente o equivalente à metade da produção típica do ano nos EUA.

“A contribuição exclusiva deste estudo é o seu escopo e a capacidade de conectar mudanças tecnológicas discretas – como uma unidade de energia elétrica sendo desligada – aos impactos locais na saúde, agricultura e clima regional”, disse Burney. “Ouvimos falar muito sobre os gases de efeito estufa e os impactos econômicos da transição que os EUA sofreram ao passar do carvão para o gás natural, mas as decisões em menor escala que compõem essa tendência maior têm consequências locais realmente importantes. A análise fornece uma estrutura para as comunidades avaliarem de maneira mais completa e precisa os custos e benefícios dos investimentos locais em infraestrutura de energia.

Burney acrescentou que, embora haja benefícios consideráveis com o descomissionamento de unidades a carvão mais antigas, as novas unidades de gás natural não são totalmente benignas. As unidades de gás natural estão associadas ao aumento dos níveis de poluição; embora diferente da mistura de poluentes das unidades a carvão, são necessárias mais pesquisas para entender completamente seus impactos.

Burney conclui que “os formuladores de políticas costumam pensar nas emissões de gases de efeito estufa como um problema separado da poluição do ar, mas os mesmos processos que causam mudanças climáticas também produzem esses aerossóis, ozônio e outros compostos que causam danos importantes. Este estudo fornece uma contabilidade mais robusta para o conjunto completo de emissões associadas à produção de energia elétrica. Se entendermos melhor os custos reais de coisas como carvão, e quem está suportando esses custos, isso poderá levar a uma mitigação e formação mais efetivas de novas coalizões de beneficiários em todos os setores. ”

Referência:

Burney, J.A. The downstream air pollution impacts of the transition from coal to natural gas in the United States. Nat Sustain (2020) doi:10.1038/s41893-019-0453-5
DOI. Leia aqui.

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