Povos Yanomami e Ye’kwana se unem e exigem: “Fora, garimpo!”

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Francisco denuncia: “Ouvimos mais as empresas multinacionais do que os movimentos sociais. Falando claramente, ouvimos mais os poderosos do que os fracos e este não é o caminho”

    LER MAIS
  • “A atual loucura digital é um veneno para as crianças”. Entrevista com Michel Desmurget

    LER MAIS
  • Prefeito da Doutrina da Fé pede para que padre irlandês, defensor da ordenação de mulheres, faça os juramentos de fidelidade aos ensinamentos da Igreja

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


30 Novembro 2019

Em Fórum de Lideranças, Yanomami e Ye’kwana denunciam a invasão de seu território por 20 mil garimpeiros, relatam graves impactos da extração mineral em suas terras e pedem ao governo que cumpra a lei e proteja o território.

A reportagem é publicada por Instituto SocioambientalISA, 26-11-2019.

Em um pedido desesperado por ajuda para combater o garimpo ilegal em suas terras, o Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana divulga nesta quarta-feira 27/11 uma carta endereçada às principais autoridades do Executivo e do Judiciário brasileiro. No documento, as lideranças descrevem os diversos impactos da presença e atividade garimpeira na Terra Indígena.

O fórum se reuniu na semana passada na comunidade Watoriki, na região do Demini, na Terra Indígena Yanomami. Reuniu 116 lideranças de 26 regiões, representando 53 comunidades de todo o território. Também participaram 7 associações da Terra Indígena: Hutukara Associação Yanomami (HAY), Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (AYRCA), Associação das Mulheres Yanomami – Kumirayoma (AMYK), Associação Wanasseduume Ye´kwana (SEDUUME), Associação Yanomami do Rio Marauiá e do Rio Preto (KURIKAMA), Texoli Associação Ninam do Estado de Roraima (TANER) e Hwenama Associação dos Povos Yanomami de Roraima (HAPYR).

O Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana foi criado durante o processo de construção do Plano de Gestão Territorial Ambiental da Terra Indígena Yanomami e é hoje a principal instância de tomada de decisão do território de mais de 9 milhões de hectares — a mais extensa terra indígena do Brasil.

Conforme denuncia a carta, “os garimpeiros estão envenenando as pessoas e contaminando rios, peixes, e espantando a caça”. Diagnóstico feito pela Fiocruz revela que em uma comunidade do Rio Uraricoera, na TI Yanomami, mais de 90% das pessoas que participaram da pesquisa apresentaram alto índice de contaminação por mercúrio. “O governo tem o dever de acabar com isso e trabalhar para cuidar da saúde dos povos Yanomami e Ye’kwana e proteger a terra-floresta”, diz o texto.

Memória de massacres

Doenças trazidas pelos garimpeiros foram responsáveis pela morte de pelo menos 20% da população Yanomami na década de 1980. Em meados da década de 1990, as invasões diminuíram por conta de pressão internacional e de várias ações de fiscalização feitas pelos órgãos do governo e pelo Exército, acompanhadas pela Funai. Mas, no final dos anos 2000, o preço do ouro aumentou, o investimento em fiscalização diminuiu muito e as Bases de Proteção da Funai na Terra Indígena Yanomami foram desativadas, o que trouxe o garimpo de volta.

Fórum reuniu 116 lideranças de 26 regiões, representando 53 comunidades de todo o território. | (Foto: Victor Moriyama/ISA)

O cenário, que já era negativo, se agravou com a entrada do atual governo. Em reiteradas ocasiões, o presidente Jair Bolsonaro defendeu que as Terras Indígenas devem ser abertas à mineração e prometeu inclusive regularizar o garimpo dentro dessas áreas protegidas.

“Nós já fizemos muitas denúncias e estamos revoltados porque ainda existe garimpo dentro das nossas comunidades. Queremos ação. Nossos avós e tios morreram por causa dos garimpeiros. Nós não queremos repetir essa história de massacre”, afirma o manifesto das lideranças.

Confira o documento na íntegra aqui.

Assista ao vídeo manifesto dos Yanomami e Ye’kwana: "Fora, Garimpo!":

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Povos Yanomami e Ye’kwana se unem e exigem: “Fora, garimpo!” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV