Pesquisa avalia ocorrência de microplásticos no trato digestivo da sardinha

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06 Novembro 2019

Aliada a outros fatores, exposição a microplásticos pode interferir no ciclo de vida da sardinha.

A informação é de Natália Uriarte Vieira, publicada por EcoDebate, 04-11-2019.

Um estudo produzido no curso de Oceanografia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) avaliou a presença de microplásticos no trato digestivo da sardinha-verdadeira e da sardinha laje, espécies provenientes das regiões sul e sudeste do país. Da amostra analisada, 81% apresentou fibra e fragmento no aparelho digestivo. Pesquisas indicam que aliados a outros fatores, esses poluentes podem interferir no ciclo de vida da sardinha, um dos recursos pesqueiros mais comercializados e consumidos no Brasil.

A pesquisa realizada pela acadêmica do curso de Oceanografia, Camila Hagelund, foi orientada pela professora Patrícia Fóes Scherer Costódio. A docente explica que a avaliação foi feita no trato digestivo (estômago e intestino) dos organismos, órgãos que em geral não são ingeridos pelas pessoas e, por isso, podem não afetar diretamente na alimentação. Mais importante do que isso, de acordo com Patrícia, é o impacto que esses microplásticos podem causar em toda a cadeia trófica, podendo ser tóxicos, ameaçando as espécies e a biodiversidade expostas a esses materiais.

As amostras de sardinha foram obtidas no Laboratório de Oceanografia Biológica, por meio do projeto do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Para quantificar o plástico nas sardinhas utilizou-se a metodologia de digestão do trato digestivo com o ácido hidróxico de potássio, seguido de filtração em filtro de fibra de vidro. Como resultado, foram encontrados 97 microplásticos de diferentes categorias, sendo 92,78% do tipo fibras e 7,21% do tipo fragmento. As áreas amostradas ocupam 2,2% do território nacional e abrangem parte dos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, formada por 464 municípios, com densidade demográfica cerca de três vezes maior do que a média brasileira. Houve maior quantidade de microplásticos nas espécies coletadas na área localizada mais próxima da costa do que na região mais distante, o que segundo as pesquisadoras reflete a influência da ação do ser humano para o ambiente marinho.

“Há poucos trabalhos publicados no Brasil sobre a ocorrência de microplástico nos estômagos de peixes de interesse comercial. Artigos internacionais e nacionais indicam a interferência desta ingestão, nos aspectos de ciclo de vida de diferentes organismos. Como a sardinha é um organismo filtrador, alimenta-se exclusivamente de plâncton, está mais sujeita à ingestão acidental destas partículas”, afirma a professora-orientadora.

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